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Cada um cumpre o destino que lhe cumpre. / E deseja o destino que deseja; / Nem cumpre o que deseja, / Nem deseja o que cumpre. [Ricardo Reis]
Nestes dias, meses anos de grande confusão, em Portugal, ma Europa e no mundo, confesso-me cada vez menos especialista e cada vez mais consciente de que o que sabemos é apenas o que julgamos saber. Confesso-me ignorante no que diz respeito ao conflito Israelo-palestiniano, ao do Iraque, da Líbia e da Síria, dos separatismos ibéricos e da ex-URSS, das crises do sector financeiro, do BCE, do BP, do BES, do GES e da decisão de dividir o banco em bom e mau.
Ao contrário da enorme quantidade de especialistas que debitam palavras, audíveis e/ou legíveis, sobre todos os problemas do mundo, da queda dos aviões e dos seus desaparecimentos até ao aquecimento global e à epidemia do Ébola, a falta de confiança nas informações que se recebem e naqueles que as transmitem é tal que, se ouço que vai estar de chuva tiro o fato de banho do armário.
Marcelo Rebelo de Sousa não pertence ao grupo dos ignorantes: fala rápida e assertivamente sobre tudo. António josé Seguro fala lenta e assertivamente sobre nada. Estilos bem diferentes mas semelhantes para o ruído que paira sobre a nossa sociedade.
As sondagens sucedem-se e as evidências sobre o governo e a oposição continuam a aparecer. Não tenho receio de partidos que se dividem e de novos partidos que apareçam. Só tenho medo da total inércia e desinteresse da população pela causa pública. Não são só os partidos políticos que não respondem aos anseios dos cidadãos, são todas as suas organizações representativas que estão em colapso: partidos, associações patronais, sindicatos, ordens profissionais, igreja, justiça, informação, tudo se desmorona e se mostra pouco eficaz e pejado de processos e protagonistas duvidosos.
Somos mesmo assim. De tantas raivas e fogos fátuos, sem consistência, mergulhamos no imediato do momento, subservientes com os poderosos, cruéis quando caem do pedestal que lhes fazemos.
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