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Defender o Quadrado

Nesta casa serve-se tudo a quente. As cadeiras são de pau e têm as costas direitas. Há sempre pão a cozer e o conforto da desarrumação. A porta está sempre aberta... mas fecha-se rapidamente aos vermes que infestam alguns cantos do quadrado. Sejam

Do próximo Presidente da República (3)

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A estratégia para resgatar o país a esta direita que nos governa não se prende apenas com a discussão das eleições legislativas. Passa também pelas eleições presidenciais.

 

O Presidente da República ainda em funções não foi capaz de galvanizar os cidadãos nem de os representar, sendo uma voz cuja autoridade se deveria fazer sentir nestes tempos de amargura, crueldade e arame farpado que temos vivido, dentro do país e internacionalmente. O respeito institucional pela Presidência da República desintegrou-se e, com ele, o respeito pelas outras Instituições democráticas e pela própria democracia.

 

O Presidente da República tem a legitimidade do voto universal e o poder que essa legitimidade lhe confere. Por isso não pode assumir a defesa de uma determinada área política e guerrilhar a área contrária, não pode nunca aparecer aos olhos dos cidadãos como alguém que subalterniza as funções de servidor do Estado, optando por remunerações alternativas àquelas que o cargo lhe confere, não pode nunca esquecer-se que as suas palavras não serão esquecidas, usando a despropósito o seu exemplo pessoal, seja para jurar honestidade, seja para se lamentar da sua pensão.

 

O próximo Presidente da República terá a espinhosa tarefa de tentar restaurar a confiança e a esperança das quais tanto necessitamos para enfrentar as agruras que ainda nos aguardam, para afirmar Portugal como um país soberano na Europa, para concretizar a colaboração com todo o espaço lusófono, para defender os valores da liberdade, o estado de direito, tudo o que caracteriza uma sociedade que valoriza a solidariedade, a dignidade, a liberdade individual e a igualdade de oportunidades entre todos.

 

O PS tem a árdua tarefa de motivar os cidadãos para o voto, para a fundamental escolha entre o continuar o afundamento progressivo do país e a tentativa do ressurgimento com ideias, realismo, coragem e determinação. É precisa mais intervenção, mais ousadia, mais iniciativa. É preciso tentar inverter o domínio dos media pelos donos disto tudo, que englobam todos aqueles que durante estes anos apregoaram a maravilhosa terapia que nos receitaram e que depois renegam a solução.

 

Se à esquerda existir um candidato presidencial que seja uma referência, que levante os cidadãos deprimidos, que seja alguém de quem nos possamos orgulhar, esse candidato ajudará o PS a fazer-se ouvir e a ganhar espaço de manobra, o que poderá reduzir a imensa multidão de abstencionistas que se perfila para as próximas legislativas. O mesmo se passa à direita: na presença de um candidato credível como, por exemplo, Rui Rio, a derrota do PSD/CDS poderá ser menor.

 

Henrique Neto avançou para a Presidência. Ainda bem que alguém deu o tiro de partida. Falta ao PS uma estratégia para as presidenciais pois não julgo que Henrique Neto seja o candidato que corporize o Presidente de que necessitamos. Acho que começa a ser tarde para que se posicione um bom candidato da esquerda que, até agora, não se vislumbra. Nem Sampaio da Nóvoa, nem Ferro Rodrigues, nem Maria de Belém Roseira, nem António Vitorino me parecem capazes de levantar grande entusiasmo nem de alargar o espaço político necessário a uma maioria absoluta. Espero que não seja já demasiado tarde.

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