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Defender o Quadrado

Nesta casa serve-se tudo a quente. As cadeiras são de pau e têm as costas direitas. Há sempre pão a cozer e o conforto da desarrumação. A porta está sempre aberta... mas fecha-se rapidamente aos vermes que infestam alguns cantos do quadrado. Sejam

Do próximo Presidente da República (2)

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Pegando no assunto abordado imediatamente abaixo, considero a eleição do próximo Presidente da República um facto determinante para o país, tanto em termos nacionais como internacionais.

 

Cavaco Silva protagonizou um Presidente da República que usou o cargo para condicionar a política partidária, mesmo negando-o e proclamando o seu contrário, beneficiando a sua família política, dando largas ao seu desprezo pelo resultado das eleições legislativas, nomeadamente as de 2009, tendo um papel central no escândalo das pseudo escutas de Belém, deixando o país suspenso das suas declarações e utilizando os discursos para fazer oposição declarada ao governo anterior, enquanto a sua cumplicidade com este governo e com o total atropelo das normas constitucionais em que o mesmo esteve envolvido, para não falar da subserviência ao poder económico e aos donos disto tudo, reduzindo a sua margem de manobra como escape do sistema.

 

Associado a este conjunto de erros e de incapacidades políticas, soma-se o papel de transformação da Presidência da República num cargo bicéfalo, dando destaque, na página da Presidência, a Maria Cavaco Silva cujo papel é ser mulher do Presidente - lugar que não consta na Constituição da República Portuguesa, nada tendo a ver com o respeito que merece qualquer esposa de qualquer titular de órgão público.

 

Por isso, e perante a aparente modorra desta pré campanha para as presidenciais, em que os candidatos vão dizendo que sim ou que não, fazendo de conta que estão ou que não estão, num impasse que nunca mais acaba, o PS, caso António Guterres não queira mesmo ser candidato, não parece ter alternativas credíveis ou um candidato que possa mobilizar o país e fazer esquecer os últimos 10 anos de Presidência da República. É difícil aceitar que o leque de escolhas esteja entre António Vitorino, Maria de Belém Roseira, Sampaio da Nóvoa, Marinho e Pinto, Santana Lopes, Manuela Ferreira Leite e Marcelo Rebelo de Sousa. E acho totalmente descabida a hipótese de qualquer dos anteriores Presidentes se recandidatar. 

 

Guilherme d'Oliveira Martins poderia ser um excelente candidato presidencial. É um homem culto, honrado, sério, sensato, que sempre deu provas de estar disponível para o serviço público. Tem experiência política - deputado e membro de mais de um governo - e ocupa uma posição mais ou menos central no espectro político. Não tem medo de ser impopular e sabe o valor da Língua Portuguesa, da Economia, do rigor, do combate à mediocridade e ao facilitismo, da solidariedade e da importância da tolerância e da preservação dos laços sociais e do bem comum, da igualdade e do acesso ao conhecimento.

 

Penso que seria um excelente Presidente, capaz de congregar uma vontade mobilizadora que nos fizesse ter alguma esperança numa representação de cidadania digna e merecedora de todo o respeito, interno e externo.

 

Nota: Pedro Correia já tinha falado nesta hipótese, no seu bolgue, nomês passado.

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