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Defender o Quadrado

Nesta casa serve-se tudo a quente. As cadeiras são de pau e têm as costas direitas. Há sempre pão a cozer e o conforto da desarrumação. A porta está sempre aberta... mas fecha-se rapidamente aos vermes que infestam alguns cantos do quadrado. Sejam

Do meu próprio inconseguimento (3)

Perplexidade crescente perante o desenrolar da situação política. Se antes das eleições não sonhava com a reviravolta do PCP e do BE, após as eleições não acreditei na hipótese de uma plataforma de apoio parlamentar a um governo liderado pelo PS, que se referisse a uma legislatura. Estamos a ser surpreendido pelo anúncio de um pré acordo entre o PS, BE e PCP, embora faltem (ainda) os detalhes e as necessárias formalizações.

 

A capacidade que tenho em absorver tanta novidade é limitada, tenho que o admitir. Tanta revolução em menos de 1 mês é difícil de digerir. Não sei muito bem se esta conversão à democracia e aos valores do compromisso da parte do BE e do PCP são mesmo para levar a sério. Não sei muito bem em que condições o PS conseguirá levar a bom porto um acordo com tantas incógnitas e detractores, dentro do próprio PS.

 

Por outro lado, sinto-me bastante desconfortável em ter um Primeiro-ministro que perdeu as eleições e não se relegitima como líder do seu partido. As opções tomadas são todas democráticas e constitucionais, mas seriam mais claras e dar-lhe-iam uma muito maior força política, de que muito necessita, para aguentar um governo de coligação inédito na nossa vida democrática, se fossem confirmadas pelos militantes e simpatizantes do PS.

 

Mais incomodada fico com os ataques viperinos que se fazem aos que, dentro do PS, não concordam com a solução de António Costa, assumindo-o publica e abertamente. Já li acusações ignóbeis a Francisco Assis, por exemplo, apenas porque não acredita nas boas intenções do BE e do PCP, recentemente convertidos à democracia. Convenhamos que há bastas razões para estarmos cépticos e descrentes num governo à esquerda, que não captura e não prenda o PS no seu próprio labirinto.

 

A democracia tem formalidades que se devem cumprir e eu sou totalmente a favor delas - é o partido que ganha que deve formar governo. Depois disso será o Parlamento a decidir e todos assumirão as suas responsabilidades. O agitar dos fantasmas e do regresso ao passado da troika, a fuga de capitais e o pânico das bolsas, são bem uma demonstração do nervosismo da direita.

 

Aguardemos a comunicação do Presidente Cavaco Silva, refém das suas palavras e condições. Enfim, inconseguimentos atrás de inconseguimentos, uma coisa é certa - nada será como dantes.