Dedos
Fogem-me os dedos pelos machados
cortando pedaços de abandono
que sangram copiosamente
e empapam de palavras
os gestos decepados que se ignoram
os olhos que se encerram e evaporam.
Espantam-me os dedos isolados
das mãos e dos braços afastados
almas empoeiradas e esquecidas
enterradas em poemas por dizer.
