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Defender o Quadrado

Nesta casa serve-se tudo a quente. As cadeiras são de pau e têm as costas direitas. Há sempre pão a cozer e o conforto da desarrumação. A porta está sempre aberta... mas fecha-se rapidamente aos vermes que infestam alguns cantos do quadrado. Sejam

De Bayeux a Utah Beach

Antes de chegarmos a Utah Beach passámos por Sainte-Mère-Église, uma das primeiras vilas a ser libertada no dia D, célebre pelo facto de um para-quedista americano – John Steele - ter ficado pendurado na igreja na noite de 5 para 6 de Junho de 1944. A igreja tem um pequeno largo, rodeado de cafés com mau aspecto, descuidados, tal como quem atende que, para além do descuido também é mal-encarado.

 

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A verdade é que já sabia um pouco desta história, tal como da operação Overlord, pois estive a ler um livro de Cornelius Ryan, O Dia Mais Longo, que conta mais de 10 anos de investigação histórica e de entrevistas aos protagonistas da invasão da Normandia. Desde os planos, aos desaires dos parquedistas, à resistência alemã predominantemente na Omaha Beach, está tudo lá, lendo-se quase como um romance. Não admira que tenha sido posteriormente adaptado ao cinema, resultando um filme com o mesmo nome.

 

Depois alcançámos Utah Beach. Não sei o que esperava encontrar. Uma praia enorme, de onde se podem adivinhar as restantes praias, quase sem ninguém, encimada por uma escultura alusiva ao desembarque. A sensação de que, tantos anos depois, é como se tudo o que sabemos ter acontecido parecer uma invenção de alguém com uma imaginação doentia, ao observarmos a paz e a tranquilidade que reina, o mar, o vento, o silêncio, ao contrário do ruído ensurdecedor das explosões e dos tiros, dos gritos dos homens, da morte e do sofrimento.

 

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Aqui começa a Via da Liberdade, com o marco 00, que termina em Bastogne.

 

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O museu, para além de várias salas dedicadas ao desembarque americano, tinha também uma sala dedicada aos prisioneiros alemães, submetidos a uma espécie de reeducação. O local onde estiveram aprisionados, as actividades que faziam, o envolvimento com as comunidades. Apercebi-me, inclusivamente, que muitos voltaram a França e cá ficaram a viver. Infelizmente os exemplos de maus tratos aos prisioneiros de guerra não são apanágio apenas dos alemães, pois todos os cometeram – americanos, ingleses, japoneses, soviéticos, etc.

 

A ocupação da França pelos alemães durou 4 anos. Durante todo esse tempo as populações, melhor ou pior, mais ou menos revoltadas, mais ou menos resistentes, tiveram que se adaptar a uma nova vida. Muitos conviveram com as tropas alemãs, compostas por gente tão solitária e saudosa da sua terra e da sua família, gente que se misturou com os locais. Grandes dramas se passaram após a libertação, quando se caçaram os colaboracionistas, uns verdadeiros traidores, outros que apenas continuaram a sua vida o melhor que puderam; julgamentos sumários e humilhações públicas. Verdadeiros dramas para todos.

 

E decidimos regressar a Caen sem passar pelas outras praias, com os olhos inundados das imagens do desembarque na Normandia. Com a gratidão de quem, como eu, deve a todos os que lutaram a sociedade em que agora vivemos - a cooperação entre todos os países da Europa em paz e liberdade.

 

 

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Marlene Dietrich

Lili Marlene