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Defender o Quadrado

Nesta casa serve-se tudo a quente. As cadeiras são de pau e têm as costas direitas. Há sempre pão a cozer e o conforto da desarrumação. A porta está sempre aberta... mas fecha-se rapidamente aos vermes que infestam alguns cantos do quadrado. Sejam

De Abril

25abril.jpg

25 Abril de 1974 - Largo do Carmo

Eduardo Gageiro

 

 

De Abril o brilho dos olhos nos cravos

armas flores e meninos espantados

liberdade perfumada para escravos

despertados pelos sonhos renovados.

 

Tantos anos que passaram num só dia

tanto tempo concentrado de ternura

desde sempre com a voz da poesia

para sempre com um cravo à cintura.

 

De Abril sinto o sal da alegria

um instante de contínuas ilusões

num País que do mundo sobraria

com a alma inundada de canções.

 

É de Abril a cor da mão que te ofereço

o carinho com que planto tanta espada

ao País que tanto sofro e desmereço

na certeza da perpétua madrugada.