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Defender o Quadrado

Nesta casa serve-se tudo a quente. As cadeiras são de pau e têm as costas direitas. Há sempre pão a cozer e o conforto da desarrumação. A porta está sempre aberta... mas fecha-se rapidamente aos vermes que infestam alguns cantos do quadrado. Sejam

Das razões demissionárias

A política desta direita que nos governa tem-se pautado pelo desinvestimento no serviço público, com cortes cegos na despesa do Estado, o que se traduziu numa redução significativa dos quadros mais qualificados, depauperamento dos equipamentos, das instalações, das condições de atendimento e da qualidade dos serviços, diminuição das remunerações, das pensões e dos subsídios, congelamento e destruição de carreiras.

 

Quando se fala em reformas estruturais deve entender-se despedimento de funcionários, diminuição dos apoios sociais e do valor do trabalho. Na saúde, e por muito que eu respeite o trabalho de Paulo Macedo que tem tentado gerir a penúria o melhor possível, o Ministro cumpre as orientações do seu governo e essas têm sido desinvestir no SNS e apostar no sector privado - a saída em massa de profissionais dos hospitais públicos para os privados, o congelamento das contratações e da renovação de quadros, a não substituição de equipamentos obsoletos e em fim de vida, tudo se conjuga para que se esvazie o sector público tornando-o residual para quem não tenha alternativas.

 

Os cuidados primários continuam a não ser prioritários na preocupação dos governantes, retirou-se autonomia aos Conselhos de Administração, a reorganização hospitalar marca passo e, quando avança, é uma autêntica desorganização - agrupam-se hospitais mas não se estuda a manutenção de equipas, quer reduzir-se custos mas passeiam-se os doentes, os medicamentos, os equipamentos de hospital para hospital, num total desrespeito pelas boas práticas e desperdício de recursos.

 

Por isso não me espanta que haja notícias de atrasos no atendimento, cirurgias adiadas, consultas em espera, filas intermináveis, falta de condições, falta de medicamentos, médicos, enfermeiros, técnicos e auxiliares exaustos e desmotivados. Mas convém que se não se confundam os problemas suscitados pelo torno político e financeiro que asfixia o SNS com a falta de liderança e incapacidade de perceber e corporizar os anseios dos profissionais, independentemente dos constrangimentos sistémicos do SNS. Se, de facto, as demissões no Hospital Fernando Fonseca e no Hospital de Santa Maria são resultado da política actual, não se entende como é que os próprios Conselhos de Administração "se demitem" de pedir a demissão, já que assumem sempre uma enorme solidariedade para com os corpos clínicos, como se não lhes coubesse a responsabilidade da gestão dos hospitais.

 

Cada vez mais se percebe mais como é apenas o recurso à comunicação social que consegue pressionar a preocupação pública de alguns protagonistas que, mesmo assim e inacreditavelmente, tentam desvalorizar a gravidade das situações. Houvesse seriedade, outras seriam as demissões.

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