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Das percepções políticas

por Sofia Loureiro dos Santos, em 01.05.14

Quarenta anos depois dos dias 25 de Abril e 1º de Maio de todos os encantos e saudades, temos que mudar. Não com um golpe de estado - vivemos numa democracia - mas a partir de dentro.

 

Tenho votado sempre no PS porque, apesar de todos os problemas e discordâncias, é o partido que mais se aproxima da minha forma de estar. Mas o PS, tal como os outros partidos que se iniciaram e/ou cresceram durante estes 40 anos - PSD, CDS e BE, para não falar de um partido com história anterior, de antanho e conservador, PCP - não dão mostras de perceberem o quanto é preciso renovação, desde a escolha dos líderes à auscultação dos anseios da população, das medidas inovadoras e credíveis ao ganho de confiança dos eleitores e, mais importante ainda, à existencia de uma visão para o País, dentro de um quadro europeu que se discuta por todos os estados-membros, sem menorizações nem condescendências.

 

Tenho assistido com algum cepticismo ao emergir de algumas associações/ partidos políticos. Mas a verdade é que estou cada vez mais convencida de que a constituição de novos agrupamentos políticos, dentro do quadro constitucional de pluripartidarismo, pode ser o começo de uma reforma do sistema político, pode ser o início da reconciliação dos cidadãos com a política e com os políticos. Pessoas que arriscam a defesa das suas ideias procurando construir, para além da crítica sistemática ao sistema, merecem-me o maior respeito.

 

É possível que a votação em agrupamentos e partidos que, pelo menos para já, terão pouca representação parlamentar, abra ainda mais a dificuldade de formar governos estáveis em coligações. Por outro lado pode ser que, com novos protagonistas, seja possível alargar plataformas de entendimento numa determinada área política para assumir o poder. E pode ser a única forma de conseguir que os eleitores votem, alargando o leque de escolhas.

 

As próximas eleições para o Parlamento Europeu estão a ser instrumentalizadas pelos chamados partidos do arco da governação, levando os eleitores a escolherem consoante estão ou não de acordo com a política deste governo. É claro que essa é uma vertente importante da eleição, mas os problemas de Portugal não são apenas nacionais, são também europeus. Ou seja, estas eleições europeias deveriam ter um enfoque particular na nossa posição face à Europa, tendo um plano para a Europa que queremos que exista, ou para o divórcio europeu, mais ou menos litigioso.

 

Já aqui disse várias vezes que a nossa integração nesta Europa deve ser equacionada, passando pelo manutenção ou saída do euro, significando isso o que significar. As escolhas que fizemos não podem ser eternas e nem devem ser irreversíveis. Penso o mesmo em relação a novas Constituições. Devem discutir-se todas as ideias, sem que nenhuma delas se transforme em tabu.

 

Eu faço um balanço muito positivo da adesão à Comunidade Europeia, mas muito tem que mudar e ser diferente, saibam e possam os nossos representantes pugnar por essa diferença.

 

Outra dimensão importante a reter no resultado das próximas eleições é a opinião em relação à oposição. Será que estes partidos de oposição, com grande preponderância para o PS, merecem o nosso vosso? Terá o PS capacidade, liderança e ideias para defender os valores que apregoa? Os outros partidos - PCP/CDU e BE - foram e são cúmplices da direita, sempre que é o apoio ao PS foi e é necessário. São tão ou mais conservadores que o PSD/CDS, mesmo a coberto de grandes, alternativas e revolucionárias declarações de esquerdismo.

 

Na maior parte dos casos votamos em líderes partidários, muito mais que em programas políticos. Os líderes dos partidos habituais perderam toda a credibilidade, mas também não vejo grande carisma em Rui Tavares, por muito que me seja simpático.

 

Enfim, embora a minha razão me indique o voto no PS, cada vez me sinto mais afastada desse partido e, depois de fazer o EUvox 2014, fiquei espantada com a dimensão desse afastamento. Será que mudo o meu voto?

 

 

 

 

 

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publicado às 16:26


4 comentários

Sem imagem de perfil

De ACÁCIO LIMA a 02.05.2014 às 00:23

COMENTÁRIO AO POST “DAS PERCEPÇÕES POÍTICAS"

01- Cito “Eu faço um balanço muito positivo da adesão à Comunidade Europeia, mas muito tem que mudar e ser diferente, saibam e possam os nossos representantes pugnar por essa diferença”.

02- Do meu ponto de vista os mini e micro partidos não têm condições para dar um contributo efectivo às necessárias mudanças que se exigem.

03- As posições menos acertadas da liderança de A. J. Seguro, terão de ser corrigidas, mas a correcção não passa pela penalização eleitoral, mas sim por uma aturada e persistente crítica aos Desvio de Seguro.

Boa Noite.
Cordiais, Amistosa e Afáveis Saudações de

ACÁCIO LIMA
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De sivispacem a 05.05.2014 às 18:31

Sofia toca num ponto que me é muito caro,sem alterar(substancialmente...)o actual xadrês :Será obrigatório que o Primeiro Ministro seja sempre o Secretário Geral do Partido vencedor? Entre ouras PERVERSÕES dadas por adquiridas,cria-se a convicção de que nas Legislativas SE ELEGE O PRIMEIRO-MINISTRO...
Nas Europeias,uma ABSTENÇÃO de 50% fará com que um grupelho que valha REALMENTE 3% do universo eleitoral,obtenha...6%("eles" NUNCA se abstèm,controlando as presenças...)ESTE É O VERDADEIRO "TOQUE" do que se vai passar!...
Cumprimentos,"kyaskyas"
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De Sofia Loureiro dos Santos a 05.05.2014 às 22:25

Tem razão, se calhar não é obrigatório que o Primeiro-ministro seja o Secretário-geral do partido. Mas se o não for, tem que o apresentar ao eleitorado. Penso que as pessoas votam mais em pessoas que em programas, estejamos ou não de acordo com isso. Se não houver pessoas a protagonizar programas, por muito bons que possam ser não têm adeptos.
Obrigada.
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De sivispacem a 09.05.2014 às 02:17

Embora parecesse apenas de carácter genérico,eu queria referir-me apenas à ACTUAL situação política...Apenas SUBSTITUINDO endogâmicamente 3 actores,concretamente Passos,Portas e...Seguro,por 3 personalidades não "bloqueadas",capazes de "conversar",e de levar uma "carta de prego"até ao fim do mandato do Governo...Até estou a "ver"uma personalidade da área do PS,com nome "pappabilli",que não escandalizaria ver incluido...no Governo,,,Quando da crise "irrevogável",sugeri-o no meu blogue,bem como alguém nosso conhecido,se estivesse para aí virado!...
Cumprimentos,"kyaskyas"

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