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Defender o Quadrado

Nesta casa serve-se tudo a quente. As cadeiras são de pau e têm as costas direitas. Há sempre pão a cozer e o conforto da desarrumação. A porta está sempre aberta... mas fecha-se rapidamente aos vermes que infestam alguns cantos do quadrado. Sejam

Das modernas torturas

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Depois de 4 anos sem me mexer, ou seja a mexer-me alguns passos da cama para a cadeira, da cadeira para o carro, do carro para a cadeira, e assim sucessivamente, com o aumento de peso correspondente apesar das mais draconianas dietas, entortada e encarquilhada por anos de inactividade e rarefacção óssea concomitante, associados à média idade que já cá chegou, fui obrigada por uma colega muito simpática e muito assertiva a iniciar o calvário do exercício físico.

 

Claro que para uma matrona como eu, do século XXI, só mesmo com um PT (personal trainer), novos arautos da beleza e bem-estar, indispensável profissão de futuro, e muito trendy (na moda, da última moda, moderno, badalado, inovador, em voga, actual). Rendida e convencida, procurei o mais perto de casa que pude um ginásio (ou catedral do fitness); foi-me atribuída uma PT que me avaliou. Logo nessa avaliação, sem saber muito bem como, uma máquina que nos pesa e deita cá para fora as percentagens de gordura, tecido ósseo, água e metabolismo, fiquei a saber que o meu estava ao nível do das septuagenárias. Além disso iniciou-se logo um duelo amigável sobre dietas glúten-free e lactose-free e... tudo-free.

 

Nunca imaginei que o meu estado de depauperamento físico fosse tão desmesurado. Dobrar-me, equilibrar-me, fazer abdominais, pranchas, step, lunges e sei lá o que mais, intervalando com uns segundos para bebericar uns golos de água e recuperar o fôlego (acho que já preguei uns valentes sustos à PT, que me obrigou a comprar uma geringonça para medir a frequência cardíaca). Confesso que me sinto uma alma presa numa cela de carne e osso, mole e gigantesca, que primeiro que se mova, levante, dobre, estique, é o cabo dos trabalhos.

 

Acho que tive sorte com a PT. Apesar de franzina e incondicional e fervorosa adepta da alimentação sem pão, sem leite, sem queijo, sem iogurtes (não investiguei ainda o que mais inflama os meus interiores), é delicada, simpática e assertiva, estando sempre pronta a inventar novas torturas, mas com o apoio certo, sempre que necessário.

 

Mas há esperança: a propósito dos Campeonatos Mundiais de Atletismo que ontem terminaram, fiquei a saber que há tabelas de recordes por idades, para 100m, 200m, 400m, 800m, (…) e maratonas (50 Km). E há um indivíduo que tem vários recordes absolutos de todas estas distâncias aos 100 anos.

 

Quem sabe se daqui a 34 anos não figurarei também como recordista da maratona feminina aos 90 anos? Querer é poder. Principalmente se passar a alimentar-me de ervas e de sementes e fizer muitos lunges até lá.

 

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Fauja Singh

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