Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Defender o Quadrado

Nesta casa serve-se tudo a quente. As cadeiras são de pau e têm as costas direitas. Há sempre pão a cozer e o conforto da desarrumação. A porta está sempre aberta... mas fecha-se rapidamente aos vermes que infestam alguns cantos do quadrado. Sejam

Das comemorações da Liberdade

 

 

Temos um País a empobrecer, estamos a perder a coesão social, há um refulgir da ideologia em que os direitos sociais não existem, são dados pelos que têm poder, quase por direito divino.

 

Tudo isso é verdade, em Portugal e na Europa. Os cidadãos divorciam-se dos seus representantes e a tristeza abunda.

 

Mas nada se pode comparar com o que existia antes do 25 de Abril de 1974. Por muito erros que tenhamos cometido, como comunidade, a liberdade de mudar é nossa. Podemos escrever, falar, pintar, desenhar, viajar, casar, ter filhos ou não ter, quando e como quisermos. Também é certo que nada é absoluto e tudo é relativo, que a dependência económica das pessoas e dos países limita a liberdade.

 

Buscamos sempre a perfeição. Mas a democracia existe e, em nome da democracia que fundaram, os Militares da Associação 25 de Abril, deveriam ter sido tratados com respeito pela Presidente da Assembleia da República. Se o discurso que têm a fazer é crítico e incómodo, pois que seja - é isso a liberdade de expressão, foi por isso que se revoltaram.

 

Mas também não deveriam os representantes da Associação 25 de Abril imporem condições para estarem presentes nas comemorações oficiais parlamentares. Não são donos da liberdade e o parlamento foi eleito pelo povo, em eleições livres e democráticas. O respeito pelas Instituições democráticas é também um sinal de que o 25 de Abril triunfou.

 

Há 24 horas num dia - 25 de Abril de 2014 terá 24 horas, suficientes para as comemorações oficiais e para as manifestações no Largo do Carmo. Não nos fica bem, como país democrático que preza a sua História, transformar estes eventos em episódios menores e mesquinhos.

 

Mário Soares foi Presidente da República durante 10 anos, para além de outros cargos de elevada responsabilidade que ocupou. Há muitos cidadãos que nunca gostaram de Mário Soares. No entanto, as maiorias eleitorais deram-lhe a Presidência. Assim ocorreu com Cavaco Silva e com Passos Coelho/Paulo Portas. Nada disto faz sentido. As diferenças de opinião não deveriam nunca ensombrar as comemorações de uma data que permitiu que se possam expressar essas mesmas diferenças.

 

1 comentário

Comentar artigo