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Defender o Quadrado

Nesta casa serve-se tudo a quente. As cadeiras são de pau e têm as costas direitas. Há sempre pão a cozer e o conforto da desarrumação. A porta está sempre aberta... mas fecha-se rapidamente aos vermes que infestam alguns cantos do quadrado. Sejam

Da (re)afirmação democrática

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Desfilam comentadores e jornalistas a repetir à exaustão que os jovens votaram a favor da manutenção da Grã-Bretanha (GB) na União Europeia (EU) e que agora vão ter menos oportunidades de emprego, para além de se informarem os cidadãos de que os jovens se manifestam na rua e na internet contra a saída da GB da EU.

 

Portanto: os jovens são, por definição, mais bem informados, e estão a sofrer as consequências da ignorância, xenofobia e racismo dos velhos, que os querem fechar dentro das suas fronteiras, impedindo-os de procurar a felicidade fora do seu país.

 

Convinha que alguém fizesse a pedagogia da democracia:

  1. As manifestações de rua e nas redes sociais não são semelhantes nem substituem os votos em eleições livres.
  2. As votos valem todos o mesmo, sejam eles de um analfabeto, de um universitário, de um velho ou de um jovem – alguém quer limitar o direito a votar? Quem será então detentor das condições para o poder exercer? Faz-se algum teste de cultura geral para assegurar uma informação mínima? Impede-se o voto após a idade da reforma ou aos 55 anos, dependendo da definição de velho?
  3. A democracia assenta na aceitação dos resultados, respeitando vencedores e vencidos.
  4. Sempre houve movimentos migratórios, antes e depois da EU, e sempre haverá, mais ou menos dificultados, mais ou menos burocratizados.

 

E já agora, que tantas estatísticas estão a ser feitas e analisadas, que tal perguntar a esses jovens que se manifestam nas ruas e nas redes sociais quantas vezes foram exercer o seu direito de voto, quantas vezes participaram em campanhas eleitorais, quantas vezes discutiram e debaterem política, nomeadamente os seus direitos e deveres de cidadania?

 

É muito importante que deixemos todos de nos comportar como crianças a quem tiraram um brinquedo. Temos que saber respeitar um povo que se exprimiu, gostemos ou não da sua vontade maioritária, perceber as razões dessa decisão e lutar, com argumentos e democraticamente, que a outra opção era melhor.

 

Talvez na próxima consulta eleitoral mudem de ideias. Essa é uma das vantagens da democracia – nada é imutável ou definitivo, tudo se pode alterar, sempre que o povo - todo - assim o decida. E o povo é a amálgama de velhos e novos, pretos e brancos, altos e baixos, ricos e pobres, ignorantes e sábios, rigorosos e mentirosos – um cidadão um voto – democracia.

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