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Defender o Quadrado

Nesta casa serve-se tudo a quente. As cadeiras são de pau e têm as costas direitas. Há sempre pão a cozer e o conforto da desarrumação. A porta está sempre aberta... mas fecha-se rapidamente aos vermes que infestam alguns cantos do quadrado. Sejam

Da necessidade absoluta de cuidado e contenção

Nestas horas de horror, em que todos nos interrogamos como é possível e que motivações poderão estar por detrás de semelhantes carnificinas, o que leva um homem a lançar um camião para cima de uma multidão de gente com a vontade e o objectivo de as matar, procuramos, mesmo sem querer, culpados. Aplaca-nos o sentido de justiça ter alguém a quem acusar, julgar e condenar.

 

Por isso me custam as várias notícias que poderão ser extemporâneas sobre a ineficácia e a incapacidade da polícia e/ ou de outras autoridades francesas no combate ao terrorismo. Não fazemos ideia do que se passou nem do número de vezes que terão sido prevenidos outros ataques, tão ou mais sangrentos que este.

 

Por outro lado também não me parece que se possa concluir já que este foi um ataque do DAESH ou da AL QAEDA ou de outro qualquer grupo terrorista. Até agora, que saibamos, ainda não foi reivindicado por nenhum dos grupos que o celebram e aplaudem. A acreditar nas notícias, o homem estaria acompanhado por armas falsas e por uma granada inutilizada. Parece-me muito bizarro, tudo isto.

 

Por isso penso que todos devemos ter cautelas redobradas perante conclusões que poderão ser apressadas e erradas. O horror e a solidariedade que sentimos assim como o desejo de esclarecimento não devem sobrepor-se à frieza e capacidade de análise, de forma a não sermos arrastados para mais ódios e mais medo.