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Defender o Quadrado

Nesta casa serve-se tudo a quente. As cadeiras são de pau e têm as costas direitas. Há sempre pão a cozer e o conforto da desarrumação. A porta está sempre aberta... mas fecha-se rapidamente aos vermes que infestam alguns cantos do quadrado. Sejam

Da gula sem culpa

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Há épocas de estoicismo em que as dietas são seguidas à risca, em que nos sentimos monjas de expiação do pecado da gula, fortalezas de força e vontade, sobrevivendo alegre e arrogantemente sem comer batatas, arroz, massa, pão, queijo, manteiga, doces, deglutindo pequenas quantidades de carnes brancas e peixes pouco gordos (é uma ciência esotérica), fiambre de peru, ovos, manteigas que não são manteigas, litros de sopas com os mais estranhos legumes, cogumelos a rodos, queijo fresco e iogurtes magros e gelatina 10 Kcal, a única guloseima permitida, muito saciante, para além das duas peças de fruta (contando os bagos de uva) e da inevitável garrafa de litro e meio de água.

 

(Confesso que não sei como os franceses não têm todos obesidade mórbida com a quantidade avassaladora de maravilhosos e gordíssimos queijos que comem, devidamente acompanhados por pão branco e vinho. Talvez a minha inveja não tenha sido totalmente visível nos olhares espantados com que os mimoseei, enquanto por lá passeei.)

 

Outras há em que vamos deixando as ervas daninhas das comidas normais entrarem nas nossas refeições, com as consequentes e abruptas alterações na nossa rotunda figura, em que nos debatemos diariamente com a negligência traduzida numa alimentação em que os proibidos hidratos de carbono, ou os líquidos de Baco reentram insidiosamente nos pratos e copos.

 

Este intróito vem a propósito das minhas pesquisas em relação à existência de sobremesas, daquelas fantásticas porque não são doces, com a respectiva concretização e degustação. E eu adoro tartes. Combinando receitas ouvidas pela rádio, do Chefe Avillez, com outros inputs dietéticos e a própria intuição, eis o resultado:

 

Tarte de maçã com canela e gengibre:

  1. Forra-se uma tarteira com 1 folha de massa folhada já feita (compram-se em qualquer super hipermercado), até pode ser uma light (também há);
  2. Acende-se o forno a médio gás
  3. Cortam-se várias maçãs (a quantidade depende da quantidade de recheio com que se quer encher a tarteira), com ou sem pele (eu tirei a pele) em gomos fininhos para dentro de uma frigideira anti aderente, em camadas, alternando com canela em pó, uma pitada de gengibre, também em pó, e uns borrifos de limão;
  4. Pode-se juntar 2 colheres de chá, mal cheias, de mel
  5. Deixa-se amolecer o recheio de maçã ao lume.
  6. Enche-se a tarteira com o preparado anterior
  7. Vai ao forno até assar a massa folhada (cerca de 30 minutos)

 

Tarte de pêra com chocolate

  • Exactamente o mesmo, mas em vez de maçã usa-se pêra.
  • Entre o ponto 6 e 7, rala-se chocolate em barra, preto (70% de cacau) para cima do recheio, como se fosse pó, ou mesmo em lascas

 

Experimentem. Ficam muito boas. Para quem não tem os problemas de rotundidade focados mais acima, junte uma bola de gelado de natas ou de baunilha.

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