Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Defender o Quadrado

Nesta casa serve-se tudo a quente. As cadeiras são de pau e têm as costas direitas. Há sempre pão a cozer e o conforto da desarrumação. A porta está sempre aberta... mas fecha-se rapidamente aos vermes que infestam alguns cantos do quadrado. Sejam

Da exaustão como arma política

slavery.jpg

Erwin Jules de Vries

 

Há muitas formas de alienação, umas privadas e auto sustentadas, outras públicas e utilizadas como arma política. Muitas vezes ambas se confundem e se alimentam. A religião e o futebol são as mais conhecidas e citadas. Mas uma das mais eficazes é o trabalho insano, os horários desumanos e a exaustão completa dos poucos cidadãos que conseguem trabalho e, por isso, deixam de reivindicar qualquer capacidade de protesto.

 

A falta de tempo e de disposição mental para pensar, para ter outra vida que não a que lhe é exigida pelas empresas, individuais ou colectivas, amesquinha, aplana e apaga a criatividade, a vontade e a auto estima, deixando apenas o instinto de sobrevivência e a intolerância absoluta por qualquer movimento que estimule e contenha dinamismo que, por sua vez, aumenta a exaustão.

 

Não tenhamos dúvidas – a concepção do trabalho e das relações laborais desta maioria que nos governa, em Portugal e na Europa, é aquela que reduz a capacidade crítica e que aumenta a subserviência dos cidadãos. É toda uma ideologia subjacente à retórica da economia e do moralismo bacoco, ultrapassado e obsceno que nos inunda.