Curtíssimas
Jacob and the Angel
Sir Jacob Epstein
São de Verão, mas poderiam ser de qualquer outra estação.
- O palavreado dos nossos políticos/ figuras públicas é cada vez mais vulgar - a lengalenga dos comentadores é sempre a mesma, os assuntos repetem-se ciclicamente nesta época, a aridez e a secura informativa queimam tudo.
- É impressionante a desfaçatez, também eterna, das exigências de medalhas olímpicas a atletas e a modalidades de que ninguém fala durante os 4 anos de intervalos inter olimpíadas. Quanto à importância da participação independentemente do pódio, já não se disfarça a culpabilização de não se fazer parte da percentagem dos vencedores.
- É uma pena que as experiências anteriores não ensinem nada - os secretários de estado que viajaram a expensas da GALP já se deveriam ter demitido. Independentemente dos contornos criminais que a conduta possa configurar, é uma ponta solta para o ataque político a que o governo não se pode dar ao luxo.
- Tenho a sensação de que a Procuradoria-Geral da República abre inquéritos ao arrasto do ruído mediático.
- Já todos sabemos que a apresentação de imagens e filmes de fogo vivo excitam e motivam os pirómanos, tal como a multiplicação mediática dos corpos e das chacinas perpetradas pelos criminosos e terroristas apenas servem para propagar o medo, mas não há o menor vislumbre de um sobressalto de consciência e de sensatez da parte das televisões que, pelo contrário, rivalizam entre si medindo os minutos dedicados à exposição das chamas, dos desgraçados que perderam tudo, do desespero das populações - a tudo isto chamam o direito à informação.
- A informação veiculada pelos jornais está cada vez mais ao nível da que usufruímos ao ler as opiniões e as partilhas requentadas do facebook.
Não sei bem porque ainda vou escrevendo alguma coisa. A total irrelevância do que escrevo deveria ensinar-me a resoluta opção pelo silêncio. Aquilo a que chamo poesia talvez só o seja para mim; os arroubos de cidadania não têm qualquer impacto, a partilha de opiniões são-no apenas para um círculo muito restrito que não necessita de ler o blogue. Porquê esta necessidade de protagonismo mediático? Nem é protagonismo nem é mediático. Suspeito que seja apenas triste e ligeiramente ridículo.






