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Crónicas de Ronda (2)

por Sofia Loureiro dos Santos, em 07.08.21

Mas as revelações de Ronda não se ficaram por aí.

ronda ponte nova.jpg

Ronda - Ponte Nova

 

O Parador fica numa das vertentes da enorme falésia que divide a cidade, unida por 3 pontes, sendo a Ponte Nova a que fica mesmo ao pé. Durante a Guerra Civil de Espanha assassinavam-se os inimigos de ambos os lados, deitando-os da ponte abaixo. Hemingway ter-se-á inspirado nesses episódios usando-os no livro Por quem os Sinos Dobram. Também Rainer Maria Rilke e Orson Welles passavam lá várias temporadas, conferindo a Ronda a aura de uma cidade de intelectuais e artistas.

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Parador de Ronda

 

A Ponte Nova, construída entre 1751 e 1793 (após o colapso da sua antecessora em 1741), é a mais alta das 3 pontes que unem a falésia e fica a uma altura de cerca de 100 m. É lindo e assustador. A minha acrofobia batia palmas de satisfação por tamanha dimensão de desfiladeiro. Em baixo da ponte, com acesso por uma estreitíssimas escadas com um corrimão de metal que descia ao longo da falésia, ficava o centro de interpretação da ponte, abaixo de um dos arcos, numa antiga prisão. Não o visitámos, com grande pena minha, mas não fui capaz de descer as escadas.

A praça de touros de Ronda é uma das primeiras construída em pedra e tijolo, para que fosse definitiva, ao contrário das habituais construções em madeira que se desmontavam após as touradas.

praca touros ronda.jpg

Praça de Touros - Ronda

 

Decidimos visitar os banhos árabes, que ficam junto à ponte romana, na base do desfiladeiro. Não sabíamos o que nos esperava. Se a calçada portuguesa é perigosa, imaginem uma calçada andaluza, feita de pedras irregulares, que se encaixam irregularmente, com bicos irregulares, enfim, tudo do mais irregular que possa existir, bem deslizante pelo tempo e por milhões de pés e sapatos a desgastá-la. As ruas em declives acentuadíssimos, com corrimões de metal que escaldavam ao sol, os nossos corpos rotundos e desequilibrados tacteando a medo o caminho, numa descida periclitante e infernal, na iminência permanente de uma escorregadela e um monumental rebolar sem fim até às pedras dos ditos banhos.

Não sei como lá chegámos, sãos e salvos. Parámos para recuperar as forças, principalmente anímicas, para fazermos o caminho de volta. Os banhos estão muito bem conservados e relativamente mais frescos que o resto de Ronda. Há um vídeo explicativo da forma como funcionavam, muito interessante.

banhos arabes ronda.jpg

Banhos Árabes de Ronda

 

À volta iniciámos o mesmo calvário. Cruzámo-nos com outros turistas da terra, uma senhora em pânico, com umas sandálias totalmente desadequadas, prometendo pés torcidos e grandes sustos, a gritar Madre mia para quem a quisesse ouvir, mas a madre dela não a ouvia. A certa altura descobrimos uma alternativa feita de escadarias gigantescas, mas menos perigosas, que subimos lentamente, até chegarmos ao paraíso, encharcados de suor e alívio.

Aventura de que saímos vivos, ainda não sei bem como. Mas contentes e felizes, sem dúvida.

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