Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Defender o Quadrado

Nesta casa serve-se tudo a quente. As cadeiras são de pau e têm as costas direitas. Há sempre pão a cozer e o conforto da desarrumação. A porta está sempre aberta... mas fecha-se rapidamente aos vermes que infestam alguns cantos do quadrado. Sejam

Correntes d'Escritas 2016

correntes descritas 2016.png

 

Em O Silêncio dos Livros José Tolentino Mendonça falou-nos da necessidade do mesmo para quem trabalha a palavra, dos sentidos, dos paradigmas em mudança, da massificação e do autoritarismo das normas.

 

Em Não me interpretem mal - os protagonistas do Governo Sombra, da forma bem disposta que lhes é habitual, levantaram o problema da ameaça à liberdade de expressão por parte dos bem intencionados autoritarismos, nomeadamente de esquerda. O incómodo e a ofensa de alguns, minorias ou maiorias, não pode justificar o silenciamento das mais variadas formas de expressão.

 

Como fugir ao que já foi escrito - interessantíssima tertúlia onde realço João Felgar, que de juiz passou a escritor, contra os avisos de quem lhe disse que tudo já tinha sido escrito, mesmo contra os conselhos de editores que enaltecerem as virtudes, a técnica e a facilidade do género policial, desde que o autor desse a entender escrever sobre casos por si protagonizados, mesmo contra o torcer do nariz editorial sobre temas nunca antes tratados, como as ratazanas do convento de Mafra.

 

Tradutores, contrabandistas da literatura - uma mesa em que a importância e a delicadeza da tradução foi discutida, assunto a que somos habitualmente alheios e distraídos. E no entanto os tradutores são os responsáveis pela divulgação da maior parte da literatura. Sem eles não nos seria possível termos acesso a livros de outras línguas que não as nossas e a obras de William Shakespeare, traduzidas por Ana Luísa Amaral, ou de Milan Kundera, traduzidas por Inês Pedrosa.

 

Escrevo o que quero escrever, nunca escrevo o que quero - a partir desta frase contraditória e quase misteriosa, falou-se de liberdade, de política e do comprometimento do escritor ou da sua falta, e da impossibilidade de atingir a perfeição.

 

Em Escrever é ganhar e perder - assisti a uma magistral lição sobre Literatura e História, pela voz de Miguel Real, sobre os grandes perdedores em vida/ ganhadores após a morte, de 4 escritores portugueses - Luís de Camões, Padre António Vieira, Eça de Queiroz e Fernando Pessoa.

 

Neste congresso literário, a que assisto pela segunda vez, toquei ao de leve aquele mundo paralelo que tanto me encanta. Os burburinhos, as conversas entre os vários escritores, as histórias contadas com a graça e a confiança de quem já anda nestes mundo há muito tempo, mostram um canto da existência e uma parte da nossa grande riqueza cultural, aquela área em que se deveria investir para melhorar a economia do País. Ainda bem que, finalmente, o Ministro da Cultura esteve presente na sessão de abertura.

 

Javier Cercas foi o vencedor do Prémio Casino da Póvoa com o livro As leis da fronteira. É um autor que conheço de livros anteriores muitíssimo bons, pelo que estou muito curiosa para ler este e sobretudo o anterior