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Defender o Quadrado

Nesta casa serve-se tudo a quente. As cadeiras são de pau e têm as costas direitas. Há sempre pão a cozer e o conforto da desarrumação. A porta está sempre aberta... mas fecha-se rapidamente aos vermes que infestam alguns cantos do quadrado. Sejam

Coisas

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Thomas Dambo

 

Nestes dias molhados e peganhentos parece que tudo se encavalita, mistura e confunde. Os lençóis engelham, os sapatos encavalitam, os casacos não se despegam das cruzetas, as janelas emperram, os sacos de compras rouquejam pela rua, as folhas secas agarram-se às rodas do carro.

É nestas circunstâncias que se avolumam os objectos e as coisas que temos, que sempre achamos poucas mas que são muitas, demasiadas. Coisas, coisas e coisas, amontoadas e desarrumadas. Tropeçamos em fios dos computadores e telemóveis, enrolam-se os tapetes, afastamos almofadas, amontoamos frascos de colónia, pasta de dentes, copos, sabonetes, cremes e mais cremes, desodorizantes e amaciadores, esponjas e escovas, brincos, camisolas, meias, calças, candeeiros, livros, cadeiras.

Olhamos à volta e não percebemos o porquê da necessidade da maior parte das coisas que se multiplicam, que se reproduzem pelos cantos das salas e dos quartos e das cozinhas e das casas de banho, casas que se transformam em pletoras totalmente desviadas da nossa vida e do nosso mundo.

É urgente que nos desnudemos das coisas que nos rodeiam, das coisas que não nos preenchem mas apenas nos cobrem e impedem de olhar para o essencial, para o que somos, para o que queremos, para o que amamos.

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