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Cada um cumpre o destino que lhe cumpre. / E deseja o destino que deseja; / Nem cumpre o que deseja, / Nem deseja o que cumpre. [Ricardo Reis]

Cada vez gosto mais de ler biografias, principalmente biografias de escritores.
Acho interessantíssimo conhecer a pessoa para além da capacidade de escrita, a forma como viveu, as suas circunstâncias e as do mundo que a rodeava, a família, o processo de criação, a sua ideologia política, se a tinha, a sua intervenção de cidadania, se é que a teve, as suas vitórias e derrotas, a maneira como lidava com a fama ou com o anonimato, enfim, a sua vivência e a sua humanidade.
Li a biografia de Agustina Bessa-Luís logo que foi publicada, até pelo fascínio que sempre me provocou. E não fiquei desiludida. Isabel Rio Novo consegue dar-nos a conhecer a mulher, a escritora, a irreverência e o conservantismo, a feminilidade, a alegria, o humor, a incrível capacidade de se distanciar de tudo e de olhar a sua vida como o adubo das suas personagens e dos seus aforismos.
Pelo contrário, a biografia de Sophia de Mello Breyner não me prendeu nem me devolveu uma pessoa. Penso que Isabel Nery ficou demasiado impregnada da imagem da poetisa e da poesia de Sophia, que se intimidou. Não fiquei a perceber como era a mulher, para além dos padrões e dos valores morais, da imensidão da vivência da obra poética, do amor à Grécia. A sua intervenção política, pelo contrário, parece-me bem espelhada.
E se calhar nada disto é importante e o meu gosto por conhecer a pessoa atrás da figura, da intelectual, da escritora, da poeta, é apenas a minha futilidade e curiosidade de voyeur. O que nos interessa, de facto, é a obra que deixaram, é a extraordinária capacidade de nos envolverem, ensinarem, divertirem e emocionarem.

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