por Sofia Loureiro dos Santos, em 01.02.15
Está decidido. O próximo MasterChef será meu, só meu, vencedora incontestada, manejando célere os instrumentos mais afiados, desde descascadores de cenouras (utensílio recentemente descoberto) até raladores e máquinas 123, tudo num grande rodopio. Não será a full-course dinner em 90 minutos, mas uma two-course meal fiz eu hoje, em 120 (com a insignificante ajuda da panela de pressão).
Ao contrário dos concorrentes aprendizes dos vários programas que correm pelo mundo, comecei pela sobremesa, que eu andava a magicar já há algum tempo. E tudo isto porque queria arranjar uma tarte que não contivesse natas, nem farinha, a mais saborosa, leve e deliciosa (e dietética, se é que isso pode existir) tarte do mundo. Além do facto de ter umas maçãs que queria despachar, por já estarem a ficar um pouco avelhentadas.
Mas isso são pormenores. Armada de todas as aprendizagens nas horas somadas das observações de culinária às audições de O Chefe sou Eu, com o Chef Avillez, estou transformada numa Chefe Sofia sem chapéu nem jaqueta mas capaz de descascar, pelar, triturar e amassar o que for preciso, sem medo nem compaixão.
Voltemos à tarte e comecemos pelo nome – importantíssimo, diria mesmo fundamental!
"Tarte folhada de maçã macerada em rum, com gratinado da mesma em crosta de amendoim"
Então, não soa bem?
- Forra-se uma tarteira, daquelas antiaderentes e com o fundo amovível, com uma folha de massa folhada já feita, daquelas que se compram com papel vegetal (aquela chinesice de fazer a pasta fresca não é para mim); liga-se o forno para ir aquecendo; cortam-se em pedacinhos as maças descascadas até pesar 500 g; mistura-se com 400 g de açúcar amarelo, raspa de 1 limão, 2 colheres de café de canela em pó e uma boa golada de rum (eu usei rum porque era o que tinha em casa, visto que os maravilhosos licores já são só boas memórias) e deixa-se ao lume até ganhar um pouco de ponto – até as maçãs ficarem bem moles e a calda começar a ficar tipo mel e acastanhada; tritura-se com a varinha mágica e deixa-se a papa resultante a arrefecer.
- Partem-se 3 ovos para uma taça e mistura-se um requeijão (eu usei um de leite de vaca, ovelha e cabra), batendo-se até estar tudo ligado – fica assim com uns grumos de requeijão, mas não faz mal. A seguir junta-se a papa de maçã a esta mistura e deita-se para dentro da tarteira. Cortam-se mais umas maçãs (para mim foram 1 e meia) descascadas em fatias finas e distribuem-se em cima da tarte, cobrindo a superfície.
- Enquanto as maçãs estão ao lume, fui procurar a parte crocante, tão ao gosto dos grandes cozinheiros (como eu, evidentemente). Estava convencida que tinha uns flocos de cereais dietéticos mas não os encontrei. Em vez disso apareceu-me um saco de amendoins. Descasquei uns tantos, reduzi-os a pó com a picadora 123 e misturei-os muito bem com mais um bocado de açúcar amarelo (não sei dizer as quantidades porque foi a olhómetro). Pois foi este granulado que espalhei em cima das fatias fininhas da maçã.
- E ao lume com ela, entre o baixo e o médio, onde esteve cerca de meia hora.

A seguir fui para o main-course:
"Estufado de novilho com vegetais em cama de arroz de tomilho"
- 2 cebolas, 4 dentes de alho, uma caixinha pequena de bacon aos bocadinhos, 2 tomates sem pele, 2 cenouras, 1 pimento verde e outro vermelho, um pouco de azeite e um molho de salsa para dentro da panela, ao lume; depois cortei uma carne de novilho (1 kg rotulada de maravilhosa para estufar), retirando-lhe as gorduras a mais - também para dentro da panela; temperei com um pouco de sal (a medo, por causa do bacon) e um pouco de pimenta moída, um copázio de vinho branco; deixei fervilhar um pouco, rectifiquei os temperos e deixei na pressão por 30 minutos. Foi acompanhado de arroz singelamente branco (com um pouco de tomilho).
Aguardemos que os comensais se manifestem...