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Bodas de pedra

por Sofia Loureiro dos Santos, em 17.05.24

aneis aventurina.JPG

 

Disseram-me que era de pedra, o nosso amor de aventurina verde.

Disseram-me que tanto se tinha colado que se tinha fundido e petrificado, com alguns escolhos no interior, um verde pintalgado de outras cores, textura pétrea, daquelas que não se quebram.

Assim foi, até agora, e assim acredito que continue. Uma aventurina que se vai continuando, nós a petrificar e a encolher, dando frutos a quem cresce e a quem se forma, papoila, rosa ou jacarandá, ou texturas ainda mais suaves que ainda estão no início da Primavera.

Disseram-me que era de pedra e na macieza das tuas mãos, na quentura da tua presença, eu afinal vou derretendo e espalhando, buscando insistentemente esta aventura de vida, uma aventurina bem esperançosa.

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publicado às 18:18

O novo governo

por Sofia Loureiro dos Santos, em 11.05.24

luis montenegro.jpg

Luís Montenegro

 

Desde a tomada de posse do novo governo, vamos percebendo o estilo.

A demissão da Provedora da Santa Casa da Misericórdia com base em acusações gravíssimas de incompetência e favorecimento próprio, como aconteceu à Dra. Ana Jorge, deve fazer-nos prever o que se vai passar.

A forma como o Ministro das Finanças actual resolve mentir sobre as finanças públicas, para justificar a impossibilidade de cumprir todos os desmandos de promessas feitas em campanha, é vergonhosa e tem consequências.

Isto são só dois exemplos. Não se vislumbra que haja capacidade para evitar eleições rapidamente. E não se vislumbra que o resultado seja melhor, muito pelo contrário.

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publicado às 11:57

Consequências

a judicialização da política

por Sofia Loureiro dos Santos, em 11.05.24

lucilia gago.jpeg

Procuradora-Geral da República

 

A dissolução da Assembleia da República, motivada pela aceitação da demissão de um governo democraticamente eleito, alicerçado numa maioria absoluta, como resultado de uma investigação sobre corrupção ao mais alto nível (Operação Influencer), envolvendo o Primeiro-ministro António Costa, foi arrasada pela decisão do Tribunal da Relação de Lisboa.

Também na Madeira foi decidia a dissolução do Parlamento Regional, também em consequência de um processo judicial de corrupção envolvendo autarcas e empresários, alguns dos quais detidos 21 dias em prisão preventiva.

Não tendo havido, até à data, qualquer desenvolvimento que se entenda justificar as acusações do Ministério Público, a consequência mais imediata foi um verdadeiro golpe de estado judicial.

Até hoje não houve qualquer explicação da Procuradora-Geral da República, apesar de cada vez mais personalidades falarem em erro grosseiro da parte do Ministério Público. Tanto quanto sabemos, todos estes meses passados, António Costa ainda nem sequer foi ouvido no âmbito do processo que vai continuar.

Assistimos a um desmoronar da credibilidade das Instituições, à substituição da vontade popular livremente expressa por decisões judiciais, o que tem consequências óbvias, nomeadamente a instabilidade política instalada e a cada vez mais duvidosa separação de poderes.

É claro que são os populistas que lucram com esta situação. E por isso ouvimos atónitos à acusação de traição à Pátria feita por André Ventura no discurso da cerimónia solene comemorativa dos 50 anos do 25 de Abril de 1974. E também a uma queixa contra o mesmo Presidente da República, pela mesma acusação, que teve que ser debatida no Parlamento.

Não há pingo de vergonha nestas pessoas. Nada as impede de emporcalhar as Instituições. Cabe-nos a nós percebê-lo e condená-lo.

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publicado às 11:24

Dias de mães

por Sofia Loureiro dos Santos, em 05.05.24

Kaar-Upson_mother's legs.jpg

Kaari Upson

Mother's legs

 

Muitos, todos, nos sonhos e nas velas, no trabalho e no descanso, nas brincadeiras e nos ralhetes, momentos de enorme e profunda felicidade, momentos de abismal e eterna tristeza e solidão.

Mães uns dos outros, a quem sabemos um colo ou uma farpa quando precisamos, em grupos misturados de tecnologia e abraços, de palavras, de sentimentos.

Para todas as mães e pais, que dividem esta condição ampliando-a, que se multiplicam em múltiplos deles próprios para o serem, para o aprenderem, para a incontornável e incomensurável tarefa de ajudar a criar alguém, que saboreiem este como os outros dias que foram e que serão seus.

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publicado às 12:00

Um dia como os outros (195)

por Sofia Loureiro dos Santos, em 28.04.24

UmDiaComoOsOutros.jpeg

(…)

No cruzar do século temos os mesmos níveis de analfabetismo que outros países tinham no cruzar do século anterior. Quando se diz que tivemos de, em algumas décadas, recuperar de um atraso de 100 anos, está-se a ser literal. Nem um quinto da população ativa havia terminado o ensino secundário. Nem um quinto. A percentagem da população ativa com ensino secundário na Europa era três vezes maior. Nos países de Leste, como a Chéquia, Estónia, Eslovénia ou Polónia, era quatro vezes maior. É assim tão surpreendente que estes países, uma vez aderindo à União Europeia, crescessem bem mais depressa do que nós?

(…)

A grande revolução deu-se nos números relativos ao ensino supe­rior. Em 2000, nem 9% da população ativa tinha completado um grau superior. Em 2022 esse valor subiu para 31,5%. Mais do que triplicou e põe-nos próximos da média europeia e à frente de nove países. É uma recuperação extraordinária. E, se olharmos especificamente para as faixas etárias entre os 20 e os 34 anos, concluímos que já estamos acima, e bem acima, da média europeia.

(…)

Mas quando olhamos para fatores endógenos, em especial para o mais importante de todos, o capital humano, temos razões para sermos otimistas.

(…)

Não me entendam mal, é evidente que nos desenvolvemos muito. Temos um bom sistema de saúde nacional, uma boa rede de escolas, proteção social eficaz, etc. Mas, insisto, o nosso nível de bem-estar ainda está longe do da Europa. O que os dados sobre a educação mostram é que nunca estivemos tão bem preparados para alcançar o terceiro ‘D’ de Abril. Ser-se realista é ser-se otimista.

Luís Aguiar Conraria

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publicado às 11:30

Vinte e cinco de abril de 2024

50 anos

por Sofia Loureiro dos Santos, em 25.04.24

25 abril 2024.webp

 

Difícil não me comover neste dia, olhando para a Assembleia da República engalanada de cravos vermelhos, a casa de uma Democracia inaugurada há 50 anos.

Difícil não me lembrar da invencível esperança na felicidade que aí vinha, com a concretização dos sonhos e dos desejos de quem menos tinha.

Tão difícil, este meu País, cantado por poetas e gritado pelo Povo em euforia.

País imperfeito, mas onde estes 50 anos, ao contrário dos saudosistas do antigo regime, dos demagogos e dos falsos puros, tanto conseguiu, nos direitos de todos à saúde e aos apoios sociais, nos direitos das mulheres, conquistados muitas vezes a ferros, no fim de uma guerra colonial que defendia um Império que não existia, no estabelecimento de laços com a Europa, na defesa das minorias e do amor, seja ele como e com quem for, enfim, no viver em Liberdade.

Difícil, esta Liberdade, nunca perene, nunca certa, nunca segura, sempre necessitando de ser construída e acarinhada. Difícil a tolerância.

Neste dia em que me comovo ao olhar para os rostos dos protagonistas de 1974, talhados pelo tempo e pelo seu tempo, olho para o futuro aninhado ao meu lado, dedinhos quentes que me seguram a alma, e sei que tudo farei para que os seus próximos 50 anos sejam aqueles da sua Liberdade.

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publicado às 13:15

Família(s)

por Sofia Loureiro dos Santos, em 14.04.24

Isabel miramontes.jpg

Isabel Miramontes

Abraçar alguém, homem ou mulher ou qualquer dos géneros alternativos, grande, pequeno, escuro, claro ou às cores, de qualquer nacionalidade, ter alguém que amamos, alguém que beijamos infinitamente.

Ter momentos em que nos juntamos, rimos ou sofremos, apoiamos ou discutimos, de felicidade, raiva, estremecimento ou distanciamento, ter alguém de pequenino que nos olha e apreende, que nos cheira, com o corpinho morno junto ao nosso, que nos dilata e preenche o coração, que nos inunda de ondas de amor.

O amor, sempre o amor. Amar alguém é a nossa mais preciosa característica, e não a temos que justificar a ninguém.

Família é a que temos, biológica ou não, constituída por aqueles que escolhemos, sejam quem forem, de onde forem, como forem, estejam aonde estiverem, melhor bem junto a nós.

E ninguém tem absolutamente nada a ver com isso.

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publicado às 10:52

O ar dos tempos

por Sofia Loureiro dos Santos, em 13.04.24

Womens-Rights-Pioneers-Monument_Meredith-Bergmann_

Women’s Rights Pioneers Monument

Meredith Bergmann

 

É pesado.

Vamos assistindo àquilo que considerávamos valores universais, de civilização, civismo, direitos, liberdade e garantias, no sei de um mundo que se ia desenvolvendo.

Mas não. Nos EUA, preparam-se novas proibições às leis do aborto. Por toda a Europa, o revivalismo, o reaccionarismo e a forma despudorada com que se tem ouvido cada vez mais gente a defender o retrocesso a ideias ultramontanas, sendo muito difícil fazer frente a essa situação.

Não é o facto de as poderem defender que está em causa. A democracia é isso mesmo. Mas a descoberta de que há tantos a defenderem estatutos de dona de casa, a sensibilidade maior da mulher, papéis distintos para homens e mulheres reescrevendo tudo o que se passou nos últimos 100 anos, já não digo 50 anos, a lavagem cerebral quanto ao que apelidam ideologia de género, a obrigatoriedade de seguir padrões comportamentais e ideológicos, a negação da pluralidade de soluções e de vontades de afectos, é assustadora.

Por outro lado, ao fim de 2 dias de discussão do programa do governo, descobrimos que a promessa da redução do IRS feita pela AD era, pura e simplesmente, mentira, descarada e saloia, é deprimente.

São ares dos tempos.

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publicado às 12:06

Boas notícias

por Sofia Loureiro dos Santos, em 06.04.24

grupo paralamentar ps.jpg

Público

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publicado às 14:44

Domingo de Páscoa

Prosas Bíblicas - Livro 1

por Sofia Loureiro dos Santos, em 31.03.24

prosas biblicas 1.jpg

 

30.

 

Empapamos de suor

Os lençóis da juventude

Com a fé e o ardor

Dos profetas da virtude

 

Entrelaçamos de dor

Os dias de vastidão

Enterramos o bolor

Que cresce na solidão

 

Aprendemos o caminho

Nas noites de agonia

Senhor mostra-me o carinho

Com que derretes o dia

 

Maria Sofia Magalhães

Prosas Bíblicas

Pág. 42

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publicado às 12:13


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