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Manuel Alegre

por Sofia Loureiro dos Santos, em 24.01.11

 

 

 

Manuel Alegre assumiu com clareza a derrota da noite. Sem ambiguidades nem desculpas, Manuel Alegre mostrou também o seu carácter. É nestes momentos que sabemos quem são as pessoas de bem. Podemos discordar violentamente delas, mas não deixamos de as aplaudir. E é também nessas horas amargas que a solidão deve doer mais. A sala do Altis estava muito vazia e a noite acabou demasiado cedo.

 

Não estive com Manuel Alegre nesta campanha, mas estive com ele na emoção de ontem, e presto-lhe a minha homenagem pela coragem e pelo serviço que prestou ao país.

 

Adenda: Que fique claro que considero um serviço ao país o facto de haver pessoas a candidatarem-se a cargos públicos. Tal como Fernando Nobre, Francisco Lopes, José Manuel Coelho e Defensor de Moura.

 

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publicado às 21:33

Presidente Cavaco Silva

por Sofia Loureiro dos Santos, em 23.01.11

 

 

 

Cavaco Silva é, de novo, Presidente da República. Foi eleito democraticamente, pelo que democraticamente aceitamos a vontade expressa livremente nas urnas.

 

Embora não seja surpresa é, para mim, uma desilusão. Manuel Alegre, como se esperava, não entusiasmou o eleitorado do centro-esquerda. A sua postura e prestação durante os últimos anos ditaram este resultado. O PS fez mal em ter apoiado a sua candidatura.

 

Temos, portanto, a vitória de uma visão de Portugal e dos portugueses, quanto a mim minimalista, conservadora e ultrapassada. Venceu o imobilismo e o Portugal bolorento. Esperemos que, daqui a 5 anos, haja uma verdadeira disputa eleitoral. Espera-nos um ano de instabilidade, com o PSD e o CDS a fazerem os cálculos para uma próxima legislatura. Veremos se o PCP e o BE estão dispostos a viabilizar os anseios do PSD.

 

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publicado às 20:41

Abstenção

por Sofia Loureiro dos Santos, em 23.01.11

 

É lamentável que a mudança para o Cartão do Cidadão não tenha acautelado o conhecimento imediato e fácil do número de eleitor. Mas mais lamentável ainda é tentar usar-se essa ineficiência, porque de ineficiência se trata, como argumento e desculpa para o aumento da abstenção.

 

Só não vota quem não quer votar e é bom que cada um de nós assuma a sua decisão. Mas para quem vê filas enormes para entregar o totoloto, para comprar bilhetes para concertos ou jogos de futebol, é ridículo invocar as filas para conhecer o número de eleitor como dissuasoras do voto.

 

É sempre mais fácil acusar o governo, o Estado, Deus ou "eles" do que alguém assumir que não tem opinião ou que não a quer ter.

 

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publicado às 17:45

Votar

por Sofia Loureiro dos Santos, em 23.01.11

 

Não há frio, vento, chuva, sol abrasador ou nevoeiro pesado que me impeça de votar. Votar é uma festa, um orgulho, um acto de cidadania. Votar é ter uma palavra a dizer sobre o nosso destino colectivo.

 

A democracia tem como base o poder das pessoas, do povo, do todo e de cada um de nós. As eleições são um dos momentos chave do regime democrático. Cada voto conta.

 

ADENDA: Não se enerve se não souber o seu número de eleitor. Basta:

  • ir ao site: http://www.recenseamento.mai.gov.pt
  • enviar um SMS para o nº 3838 com a seguinte mensagem: RE nº do Bilhete de Identidade/Cartão do Cidadão data de nascimento=AAAAMMDD
  • telefonar para 808 206 206
  • ir à Junta de Freguesia.

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publicado às 14:47

Meditando

por Sofia Loureiro dos Santos, em 22.01.11

Addis: North Wind and South Wind

 

E aqui estamos nós no meio de um sábado glorioso a matar horas para chegar o dia de amanhã. Como não podemos falar no assunto, podemos pensar, olhar, rir e suspirar pela enorme e monumental realidade que cairá nas nossas cabeças. Na realidade ela já caiu, mas é sempre bom pensar que poderemos ser salvos por algum desígnio divino ou terreno, no último segundo do último minuto, que na penumbra cósmica as forças se congregam e tudo tende ao momento zen.

 

E aqui estamos nós, preguiçosamente meditando no que já está muito meditado.

 

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publicado às 14:43

Votar no Domingo

por Sofia Loureiro dos Santos, em 21.01.11

  

Nós não podemos prolongar esta campanha por mais três semanas. Os custos seriam muito elevados para o país e seriam sentidos pelas empresas, pelas famílias, pelos trabalhadores, desde logo, pela via da contenção do crédito e pela subida das taxas de juro.

 

Arrastar esta campanha mais três semanas, por desviar as atenções daquilo que é essencial, lançaria custos acrescidos sobre todos os cidadãos portugueses. E é por isso que tenho apelado aos portugueses para que não fiquem em casa.

 

Cavaco Silva

 

Custa a acreditar que o actual Presidente da República e candidato à reeleição use estes argumentos para cativar os eleitores. Para Cavaco Silva os custos da democracia podem ser evitados.

 

Amanhã é dia de meditação e de contenção, um silêncio tornado ainda mais necessário para tentar acalmar a triste campanha a que assistimos, desde o BPN/SLN às ameaças de morte, à defesa dos animais e à candidatura de um colectivo partidário, tudo tem contribuído para dar a razão a quem reitera que não vale a pena votar.

 

Não concordo, nem nunca concordei, com boicotes eleitorais. A ausência de votos na região de Coimbra em protesto por causa do Metro parece-me totalmente deslocado, sem qualquer consequência. Nem a visibilidade da notícia fará qualquer diferença, enquanto que a demissão do acto eleitoral tem consequências directas nos próximos 5 anos.

 

A falta de poderes presidenciais é outro dos argumentos que sustentam a abstenção. No entanto, mesmo que sejam poucos, esses poderes podem ser cruciais e para os exercer é bom que o Presidente, mandatado pelo povo, esteja à altura de quaisquer circunstâncias.

 

O Presidente é também uma figura simbólica e de referência. Cavaco Silva é o símbolo do que passou, de um Portugal atrasado, pequenino, comezinho. O Portugal da minha senhora, do tenho que a sustentar, das manobras de bastidores, da manipulação dos media, da desonesta criação de factos políticos. Cavaco Silva é alguém que demonstrou que não é confiável.

 

É claro que só podemos escolher alguém de entre os que se apresentam para ser escolhidos. É nosso direito e nosso dever participarmos nessa escolha, nesse afirmar colectivo do que queremos ser.

 

Por isso no Domingo irei votar. Não me revejo em nenhum dos candidatos, mas ainda me revejo menos no candidato Cavaco Silva. No Domingo irei votar para que haja uma 2ª volta, para que seja possível derrotar Cavaco Silva.

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publicado às 19:04

Sem disfarce

por Sofia Loureiro dos Santos, em 12.01.11

 

 

Cavaco Silva largou o disfarce para assumir, mas disfarçadamente, a liderança da oposição.

 

Por muito que todos os comentadores encartados da sua área política de apoio todos os dias gritem que o FMI está mesmo a ultrapassar a fronteira, as coisas têm corrido mal à oposição. Parece que, afinal, o défice vai ser cumprido e que o leilão da dívida correu bem, tendo havido muito mais compradores do que títulos de dívida.

 

Passos Coelho, no fim-de-semana passado, avisou que o governo se deveria demitir caso o FMI fosse chamado a salvar Portugal. O que, aliás, é um disparate, porque é a Assembleia que deve demitir o governo. Segue-se a grave crise política, qual bandeira do Presidente e candidato presidencial, que só existirá se ele próprio a provocar, pois as razões de Passos Coelho começam a esvaziar-se.

 

É preciso votar no dia 23, é imperativo que se force Cavaco Silva a uma segunda volta.

 

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publicado às 21:24

Da incompetência

por Sofia Loureiro dos Santos, em 08.01.11

 

 

A entrevista de Judite Sousa a José Manuel Coelho é um monumento à inacreditável incompetência, soberba, enviesamento do que é o serviço público de informação.

 

Vale a pena ouvir. É vergonhoso.

 

Adenda: (...) Não tive vergonha por Coelho: não serei eu a julgar os estranhos meios a que é preciso deitar mão para resistir a tiranetes insulares. Mas tive vergonha por aquela jornalista, na televisão pública, a tentar ser mais ridícula do que um candidato que usa o ridículo como forma de guerrilha.
Quem só se agiganta perante os pequeno é por que é ainda mais pequeno.

 

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publicado às 13:01

Da diferença das campanhas negras

por Sofia Loureiro dos Santos, em 08.01.11

 

 

Após a releitura do post anterior torna-se necessário um esclarecimento. Não considero idênticas as campanhas de ataque ao carácter pré eleições legislativas e presidenciais. Na verdade, Sócrates foi alvo das mais descabeladas acusações, insinuações, desconfianças e insultos, a propósito de um caso fabricado por adversários políticos, versado à exaustão pelos meios de comunicação social. Esteve no centro de uma pornografia judiciária mas, mesmo depois de todo o esforço, não foi possível associá-lo a qualquer actividade criminosa. Estou a falar do Freeport. Depois veio o Face Oculta, mais uma triste actuação da nossa justiça, mais uma batalha suja entre os jornalistas independentes, mais assassinatos de carácter.

 

Em relação a Cavaco Silva, que se apresenta ao eleitorado como uma pessoa cuja integridade moral não é questionável, tanto em termos de valores como de excelência profissional, colocando-se num plano distinto dos outros actores políticos, descredibilizando a própria actividade política, abre todo o espaço para que se questione a veracidade dessa imagem.

 

Mais importante e interessante do que as acções do BPN/SLN, porque não se fala dos responsáveis pela administração do BPN? Quem são, o que fizeram, onde estão, o que têm a dizer? Não há quem investigue esses factos, ligações, comprometimentos e actos de gestão? E as instituições de supervisão, empresas de auditoria, Banco de Portugal? Não há jornalistas que se interessem por essas faces ocultas e silenciosas?

 

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publicado às 12:04

Da necessidade de uma segunda volta nas presidenciais

por Sofia Loureiro dos Santos, em 07.01.11

 

 

 

A campanha para as presidenciais não tem nada a ver com opções políticas, ideologia, desígnios nacionais e motivação. Tem a ver com ataques de carácter, tal como a anterior campanha para as legislativas, em 2009. Quem se indignou perante as suspeições levantadas sobre Sócrates, a asfixia democrática, as inventadas escutas do governo ao Presidente, as alegadas manobras do PS e dos assessores, é quem, neste momento, se refastela com as acusações e insinuações sobre a falta de honestidade de Cavaco Silva. Pelo contrário, quem protagonizou a indigna campanha contra Sócrates, indigna-se agora pela negrura da campanha contra Cavaco Silva.

 

O que a mim mais me incomoda é o que a situação das acções compradas e vendidas por Cavaco Silva, o BPN e a SLN, demonstra, se precisas fossem mais provas, que a comunicação social está totalmente a soldo dos vários poderes, neste caso dos políticos. A independência da informação não existe. As histórias do Freeport apareceram precisamente antes das eleições legislativas. A história das acções do BPN foi repescada precisamente antes das eleições presidenciais, apesar de ter sido divulgada, pelo Expresso, após a saída de Dias Loureiro do Conselho de Estado.

 

O veto político do Presidente ao diploma para simplificação dos procedimentos de mudança de sexo e de nome próprio, apenas se entende como uma manobra eleitoralista, visando agradar ao eleitorado da direita, completamente incoerente depois de, o mesmo Presidente, ter promulgado a legalização do casamento entre indivíduos do mesmo sexo.

 

Cavaco Silva pode e deve ser avaliado pela sua actuação política enquanto Presidente da República. E foi, e é, um péssimo Presidente. A sua visão da sociedade, arcaica, machista, de cunho religioso, conservador, caritativo, a sua falta de distanciamento partidário, a sua hipocrisia e maquiavelismo, que não passam desapercebidos a ninguém, são razões para a absoluta necessidade de levar Cavaco Silva a uma segunda volta.

 

Os eleitores do PS que não se revêem na candidatura de Manuel Alegre, deverão olhar para os outros candidatos e votar, em Defensor de Moura, Fernando Nobre, Francisco Lopes ou José Manuel Coelho, mas votar, para que seja possível uma outra hipótese de escolha, uma segunda oportunidade para derrotar Cavaco Silva. Deverão ainda ponderar se é este o Presidente que estão dispostos a aceitar por mais cinco anos.

 

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publicado às 22:08


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