Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]


Do apuramento de responsabilidades

por Sofia Loureiro dos Santos, em 29.01.11

 

Passou uma semana desde o dia das eleições presidenciais. A demissão de Rui Pereira tem sido pedida todos os dias, com aumento de tom e de intensidade.

 

Como disse no próprio dia das eleições, considero lamentável que tenha havido pessoas, muitas ou poucas, que tenham tido dificuldade em votar por incúria dos respectivos departamentos estatais, seja por problemas técnicos, seja por não terem previsto e acautelado a situação, seja por não terem efectuado o que se lhes tinha determinado. Como é óbvio, é urgente que se apurem responsabilidades para que se possa actuar em conformidade.

 

Quando se fala de responsáveis tem que falar-se no Ministro da Administração Interna, responsável por tudo o que acontece sob a alçada do seu ministério, de bom e de mau. Mas acho estranho que, para além do CDS que pediu de imediato a sua demissão, o PSD tenha vindo, primeiro sugerindo depois exigindo a mesma demissão.

 

Em primeiro lugar seria importante saber se houve pessoas verdadeiramente impedidas de votar, e quantas, ou se houve dificuldade em votar, sentindo-se as pessoas dissuadidas por não quererem o desconforto da espera, etc. Não só porque é diferente, mesmo em termos de legalidade do acto eleitoral, como pelo possível significado em termos de resultados eleitorais. Já ouvi falar Paulo Rangel de dezenas de milhar de eleitores impedidos de votar. Se assim foi ainda mais me espanta que os partidos políticos não peçam a repetição do acto eleitoral. Porque se houve pessoas impedidas de votar, para além de tornar a eleição inválida é um problema gravíssimo que, aí sim, exigiria a demissão imediata do Ministro.

 

No entanto, se o caso foi o desconforto da espera e da confusão, levando as pessoas a desistirem de votar, embora o pudessem ter feito, apesar de grave e lamentável, não me parece que seja obrigatória a demissão do Ministro. É obrigatória a urgente conclusão do inquérito (e todos desconfiamos das urgências dos inquéritos) para que, posteriormente, o Ministro Rui Pereira analise a melhor forma de assumir a sua responsabilidade política.

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 16:13

Manuel Alegre

por Sofia Loureiro dos Santos, em 24.01.11

 

 

 

Manuel Alegre assumiu com clareza a derrota da noite. Sem ambiguidades nem desculpas, Manuel Alegre mostrou também o seu carácter. É nestes momentos que sabemos quem são as pessoas de bem. Podemos discordar violentamente delas, mas não deixamos de as aplaudir. E é também nessas horas amargas que a solidão deve doer mais. A sala do Altis estava muito vazia e a noite acabou demasiado cedo.

 

Não estive com Manuel Alegre nesta campanha, mas estive com ele na emoção de ontem, e presto-lhe a minha homenagem pela coragem e pelo serviço que prestou ao país.

 

Adenda: Que fique claro que considero um serviço ao país o facto de haver pessoas a candidatarem-se a cargos públicos. Tal como Fernando Nobre, Francisco Lopes, José Manuel Coelho e Defensor de Moura.

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 21:33

Presidente Cavaco Silva

por Sofia Loureiro dos Santos, em 23.01.11

 

 

 

Cavaco Silva é, de novo, Presidente da República. Foi eleito democraticamente, pelo que democraticamente aceitamos a vontade expressa livremente nas urnas.

 

Embora não seja surpresa é, para mim, uma desilusão. Manuel Alegre, como se esperava, não entusiasmou o eleitorado do centro-esquerda. A sua postura e prestação durante os últimos anos ditaram este resultado. O PS fez mal em ter apoiado a sua candidatura.

 

Temos, portanto, a vitória de uma visão de Portugal e dos portugueses, quanto a mim minimalista, conservadora e ultrapassada. Venceu o imobilismo e o Portugal bolorento. Esperemos que, daqui a 5 anos, haja uma verdadeira disputa eleitoral. Espera-nos um ano de instabilidade, com o PSD e o CDS a fazerem os cálculos para uma próxima legislatura. Veremos se o PCP e o BE estão dispostos a viabilizar os anseios do PSD.

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 20:41

Abstenção

por Sofia Loureiro dos Santos, em 23.01.11

 

É lamentável que a mudança para o Cartão do Cidadão não tenha acautelado o conhecimento imediato e fácil do número de eleitor. Mas mais lamentável ainda é tentar usar-se essa ineficiência, porque de ineficiência se trata, como argumento e desculpa para o aumento da abstenção.

 

Só não vota quem não quer votar e é bom que cada um de nós assuma a sua decisão. Mas para quem vê filas enormes para entregar o totoloto, para comprar bilhetes para concertos ou jogos de futebol, é ridículo invocar as filas para conhecer o número de eleitor como dissuasoras do voto.

 

É sempre mais fácil acusar o governo, o Estado, Deus ou "eles" do que alguém assumir que não tem opinião ou que não a quer ter.

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 17:45

Votar

por Sofia Loureiro dos Santos, em 23.01.11

 

Não há frio, vento, chuva, sol abrasador ou nevoeiro pesado que me impeça de votar. Votar é uma festa, um orgulho, um acto de cidadania. Votar é ter uma palavra a dizer sobre o nosso destino colectivo.

 

A democracia tem como base o poder das pessoas, do povo, do todo e de cada um de nós. As eleições são um dos momentos chave do regime democrático. Cada voto conta.

 

ADENDA: Não se enerve se não souber o seu número de eleitor. Basta:

  • ir ao site: http://www.recenseamento.mai.gov.pt
  • enviar um SMS para o nº 3838 com a seguinte mensagem: RE nº do Bilhete de Identidade/Cartão do Cidadão data de nascimento=AAAAMMDD
  • telefonar para 808 206 206
  • ir à Junta de Freguesia.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 14:47

Meditando

por Sofia Loureiro dos Santos, em 22.01.11

Addis: North Wind and South Wind

 

E aqui estamos nós no meio de um sábado glorioso a matar horas para chegar o dia de amanhã. Como não podemos falar no assunto, podemos pensar, olhar, rir e suspirar pela enorme e monumental realidade que cairá nas nossas cabeças. Na realidade ela já caiu, mas é sempre bom pensar que poderemos ser salvos por algum desígnio divino ou terreno, no último segundo do último minuto, que na penumbra cósmica as forças se congregam e tudo tende ao momento zen.

 

E aqui estamos nós, preguiçosamente meditando no que já está muito meditado.

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 14:43

Votar no Domingo

por Sofia Loureiro dos Santos, em 21.01.11

  

Nós não podemos prolongar esta campanha por mais três semanas. Os custos seriam muito elevados para o país e seriam sentidos pelas empresas, pelas famílias, pelos trabalhadores, desde logo, pela via da contenção do crédito e pela subida das taxas de juro.

 

Arrastar esta campanha mais três semanas, por desviar as atenções daquilo que é essencial, lançaria custos acrescidos sobre todos os cidadãos portugueses. E é por isso que tenho apelado aos portugueses para que não fiquem em casa.

 

Cavaco Silva

 

Custa a acreditar que o actual Presidente da República e candidato à reeleição use estes argumentos para cativar os eleitores. Para Cavaco Silva os custos da democracia podem ser evitados.

 

Amanhã é dia de meditação e de contenção, um silêncio tornado ainda mais necessário para tentar acalmar a triste campanha a que assistimos, desde o BPN/SLN às ameaças de morte, à defesa dos animais e à candidatura de um colectivo partidário, tudo tem contribuído para dar a razão a quem reitera que não vale a pena votar.

 

Não concordo, nem nunca concordei, com boicotes eleitorais. A ausência de votos na região de Coimbra em protesto por causa do Metro parece-me totalmente deslocado, sem qualquer consequência. Nem a visibilidade da notícia fará qualquer diferença, enquanto que a demissão do acto eleitoral tem consequências directas nos próximos 5 anos.

 

A falta de poderes presidenciais é outro dos argumentos que sustentam a abstenção. No entanto, mesmo que sejam poucos, esses poderes podem ser cruciais e para os exercer é bom que o Presidente, mandatado pelo povo, esteja à altura de quaisquer circunstâncias.

 

O Presidente é também uma figura simbólica e de referência. Cavaco Silva é o símbolo do que passou, de um Portugal atrasado, pequenino, comezinho. O Portugal da minha senhora, do tenho que a sustentar, das manobras de bastidores, da manipulação dos media, da desonesta criação de factos políticos. Cavaco Silva é alguém que demonstrou que não é confiável.

 

É claro que só podemos escolher alguém de entre os que se apresentam para ser escolhidos. É nosso direito e nosso dever participarmos nessa escolha, nesse afirmar colectivo do que queremos ser.

 

Por isso no Domingo irei votar. Não me revejo em nenhum dos candidatos, mas ainda me revejo menos no candidato Cavaco Silva. No Domingo irei votar para que haja uma 2ª volta, para que seja possível derrotar Cavaco Silva.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 19:04

Sem disfarce

por Sofia Loureiro dos Santos, em 12.01.11

 

 

Cavaco Silva largou o disfarce para assumir, mas disfarçadamente, a liderança da oposição.

 

Por muito que todos os comentadores encartados da sua área política de apoio todos os dias gritem que o FMI está mesmo a ultrapassar a fronteira, as coisas têm corrido mal à oposição. Parece que, afinal, o défice vai ser cumprido e que o leilão da dívida correu bem, tendo havido muito mais compradores do que títulos de dívida.

 

Passos Coelho, no fim-de-semana passado, avisou que o governo se deveria demitir caso o FMI fosse chamado a salvar Portugal. O que, aliás, é um disparate, porque é a Assembleia que deve demitir o governo. Segue-se a grave crise política, qual bandeira do Presidente e candidato presidencial, que só existirá se ele próprio a provocar, pois as razões de Passos Coelho começam a esvaziar-se.

 

É preciso votar no dia 23, é imperativo que se force Cavaco Silva a uma segunda volta.

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 21:24

Da incompetência

por Sofia Loureiro dos Santos, em 08.01.11

 

 

A entrevista de Judite Sousa a José Manuel Coelho é um monumento à inacreditável incompetência, soberba, enviesamento do que é o serviço público de informação.

 

Vale a pena ouvir. É vergonhoso.

 

Adenda: (...) Não tive vergonha por Coelho: não serei eu a julgar os estranhos meios a que é preciso deitar mão para resistir a tiranetes insulares. Mas tive vergonha por aquela jornalista, na televisão pública, a tentar ser mais ridícula do que um candidato que usa o ridículo como forma de guerrilha.
Quem só se agiganta perante os pequeno é por que é ainda mais pequeno.

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 13:01

Da diferença das campanhas negras

por Sofia Loureiro dos Santos, em 08.01.11

 

 

Após a releitura do post anterior torna-se necessário um esclarecimento. Não considero idênticas as campanhas de ataque ao carácter pré eleições legislativas e presidenciais. Na verdade, Sócrates foi alvo das mais descabeladas acusações, insinuações, desconfianças e insultos, a propósito de um caso fabricado por adversários políticos, versado à exaustão pelos meios de comunicação social. Esteve no centro de uma pornografia judiciária mas, mesmo depois de todo o esforço, não foi possível associá-lo a qualquer actividade criminosa. Estou a falar do Freeport. Depois veio o Face Oculta, mais uma triste actuação da nossa justiça, mais uma batalha suja entre os jornalistas independentes, mais assassinatos de carácter.

 

Em relação a Cavaco Silva, que se apresenta ao eleitorado como uma pessoa cuja integridade moral não é questionável, tanto em termos de valores como de excelência profissional, colocando-se num plano distinto dos outros actores políticos, descredibilizando a própria actividade política, abre todo o espaço para que se questione a veracidade dessa imagem.

 

Mais importante e interessante do que as acções do BPN/SLN, porque não se fala dos responsáveis pela administração do BPN? Quem são, o que fizeram, onde estão, o que têm a dizer? Não há quem investigue esses factos, ligações, comprometimentos e actos de gestão? E as instituições de supervisão, empresas de auditoria, Banco de Portugal? Não há jornalistas que se interessem por essas faces ocultas e silenciosas?

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 12:04


Mais sobre mim

foto do autor



Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.




Arquivo

  1. 2026
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2025
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2024
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2023
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2022
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2021
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2020
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2019
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2018
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2017
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2016
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D
  144. 2015
  145. J
  146. F
  147. M
  148. A
  149. M
  150. J
  151. J
  152. A
  153. S
  154. O
  155. N
  156. D
  157. 2014
  158. J
  159. F
  160. M
  161. A
  162. M
  163. J
  164. J
  165. A
  166. S
  167. O
  168. N
  169. D
  170. 2013
  171. J
  172. F
  173. M
  174. A
  175. M
  176. J
  177. J
  178. A
  179. S
  180. O
  181. N
  182. D
  183. 2012
  184. J
  185. F
  186. M
  187. A
  188. M
  189. J
  190. J
  191. A
  192. S
  193. O
  194. N
  195. D
  196. 2011
  197. J
  198. F
  199. M
  200. A
  201. M
  202. J
  203. J
  204. A
  205. S
  206. O
  207. N
  208. D
  209. 2010
  210. J
  211. F
  212. M
  213. A
  214. M
  215. J
  216. J
  217. A
  218. S
  219. O
  220. N
  221. D
  222. 2009
  223. J
  224. F
  225. M
  226. A
  227. M
  228. J
  229. J
  230. A
  231. S
  232. O
  233. N
  234. D
  235. 2008
  236. J
  237. F
  238. M
  239. A
  240. M
  241. J
  242. J
  243. A
  244. S
  245. O
  246. N
  247. D
  248. 2007
  249. J
  250. F
  251. M
  252. A
  253. M
  254. J
  255. J
  256. A
  257. S
  258. O
  259. N
  260. D
  261. 2006
  262. J
  263. F
  264. M
  265. A
  266. M
  267. J
  268. J
  269. A
  270. S
  271. O
  272. N
  273. D
  274. 2005
  275. J
  276. F
  277. M
  278. A
  279. M
  280. J
  281. J
  282. A
  283. S
  284. O
  285. N
  286. D

Maria Sofia Magalhães

prosas biblicas 1.jpg

À venda na livraria Ler Devagar



caminho dos ossos.jpg

 

ciclo da pedra.jpg

 À venda na Edita-me e na Wook

 

da sombra que somos.jpg

À venda na Derva Editores e na Wook

 

a luz que se esconde.jpg