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Les parapluies de Cherbourg

por Sofia Loureiro dos Santos, em 02.02.15

 

 

Les Parapluies de Cherbourg é um filme de 1964, realizado por Jacques Demy, com música de Michel Legrand e interpretação de Catherine Deneuve, entre outros.

 

A música é muito célebre o o filme recebeu vários prémios, entre os quais a Palma de Ouro - Cannes 1964. Visto hoje continua a ser um filme belíssimo e comovente. A guerra da Argélia que separa os amantes, a promessa que ambos fazem de nunca se esquecerem e a realidade a impor-se, a realidade e o pragmatismo da pequena burguesia, a sobrevivência emocional, a melancolia do que se perde e do que se ganha e a naturalidade com que se encaravam determinados percursos e escolhas.

 

Foi com grande surpresa que vi o filme, que não conhecia, e que sobreviveu a todos estes anos como um hino à despedida da inocência.

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publicado às 22:14

Das apropriações culturais

por Sofia Loureiro dos Santos, em 16.11.13

 

 

Pelo que pude entender, Paulo Branco atropelou a lei ao não pedir autorização aos herdeiros de João César Monteiro para que fossem lidos textos seus numa homenagem que decorreria no Lisbon & Estoril Film Festival, titulada Leitores improváveis, o que é lamentável e inaceitável.

 

Na carta aberta dirigida ao produtor, afirma-se, a certa altura:

(...) agora com um ministro, rodeado por numeroso séquito hemicílico, a ler uma carta do César a um organismo estatal e sabe-se lá mais o quê de igual jaez e esperta solicitude. Que "eles" comem tudo, está na canção e na sabedoria popular, por (forçada) experiência própria. Mas "que não deixam nada", já é de contestar. Porque deixam: deixam um rasto repulsivo, que soma ao abuso puro e duro o intuito subjacente de branquear, neutralizar, festivalar o furor interventivo, manifestamente Anti-Sistema, do cineasta, assim posto à mercê de tais canibais homenageantes. (...)

 

Ainda sobre este assunto, a realizadora Margarida Gil terá dito que:

(...) mas pôr um ministro, um governante, a ler um texto do João César é desfavorecer e desprezar ainda mais o cinema em Portugal (...)

 

Ficamos pois a saber que há cidadãos que estão proibidos de ler certos textos, ou de os interpretar, talvez porque se lhes mutaram os genes da emoção, do gosto pelas artes ou da sensibilidade. Isto porque são de direita ou governantes. Quando se preenchem estes dois critérios, não há poeta que lhes valha.

 

Isto é uma síndroma sobejamente conhecida, em Portugal - a apropriação do coração, da cultura e da delicadeza pela classe artística de esquerda. Diria mesmo mais, não há artistas se não os de esquerda. E quem disser o contrário é porque é de direita.

 

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publicado às 16:24

Dentro de casa / A gaiola dourada

por Sofia Loureiro dos Santos, em 03.08.13

 

Sempre que vou ao cinema prometo a mim própria que irei muito mais vezes, tal é o prazer de me sentar na sala escura e assistir às histórias que se desenrolam à minha frente. Misturo-me com as personagens e esqueço-me de mim. É uma realidade por vezes mais presente que a vida que arrastamos sem nos apercebermos de que se não repetirá nunca.

 

Dentro de casa, de François Ozon, e A gaiola dourada, de Ruben Alves, são dois excelentes filmes neste Agosto de temperatura pouco veranil. O primeiro, uma pequena perversa parábola sobre o espreitar pela janela, o desejo do que está para lá da nossa vivência, as emoções que roubamos. O segundo, uma ternurenta comédia e uma reflexão bem-disposta sobre a emigração portuguesa em França e a segunda geração.

 

 

Dentro de casa (Dan la maison)
 
 
A gaiola dourada (La cage dorée)
 

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publicado às 23:22

Camille Claudel

por Sofia Loureiro dos Santos, em 16.03.13

 

 

 

 

 

Bruno Nuytten

 

 

 

 Bruno Dumont

 

 

Vi o primeiro filme, com umas soberbas interpretações de Isabelle Adjani e Gérard Depardieu. Fiquei fascinada com Camille Claudel e com as suas obras, a loucura, a obsessão pela terra, pelas mãos, pela criação, o amor-ódio por Rodin e a traição do irmão. Mal posso esperar por esta versão.

 

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publicado às 17:49

Jeux Interdits

por Sofia Loureiro dos Santos, em 19.01.13

 

Jeux Interdits

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publicado às 21:59

Inside Job

por Sofia Loureiro dos Santos, em 06.05.12

 

 

Para além de várias outras nomeações, este filme ganhou distinguido como melhor documentário pelo Directors Guild of America Awards em 2010, melhor guião para documentário pelo Writers Guild of America Awards e o Óscar para melhor documentário em 2011.

 

No meio de tantos especialistas em economia e finanças, de tantos comentadores sobre os mercados, a crise, a bolha imobiliária, os subprimes, o capital, a esquerda e a direita, fazendo uma pesquisa pela internet, encontrei muito poucas referências o que, só de si, é mesmo muito significativo. Vi-o hoje e recomendo vivamente. Tal como Nicolau Santos, deveria ser objecto de estudo obrigatório.

 

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publicado às 19:41

Náufrago na lua

por Sofia Loureiro dos Santos, em 08.10.11

 

 

Coberto de dívidas e sem esperança, Kim decide afogar-se, atirando-se de uma ponte sobre o rio Han, na cidade de Seoul. O azar ou a sorte não o deixam morrer e ele acaba numa pequena ilha deserta, da qual se contempla o esplendor de uma grande metrópole.

 

Do outro lado da ponte, em Seoul, fechada num apartamento, vive KIM, uma rapariga cuja existência se confina ao seu quarto. O seu contacto com o mundo é feito através de um telescópio e da internet, onde se inventa em personagens fictícias. A lua é a sua casa.

 

Kim, naufragado na ilha e Kim, naufragada na lua, iniciam uma estranha aproximação, apenas possível naqueles que, despojados de tudo, percebem o essencial da vida e se despem de tudo o que nos parece indispensável e nos escraviza.

 

Filme de actores, com um argumento aparentemente simples, em que a banda sonora acompanha as emoções sem as conduzir nem as condicionar, uma deliciosa descoberta.

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publicado às 12:09

La dama y la muerte

por Sofia Loureiro dos Santos, em 08.03.11

Javier Recio Garcia

Prémio Goya - melhor curta-metragem de animação 2010

A partir daqui

 

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publicado às 11:26

O concerto

por Sofia Loureiro dos Santos, em 13.02.11

  

Não percam. Está ainda no Fonte Nova e no El Corte Inglés.

 

Entretanto, ouçam o concerto para violino Op. 35, de Tchaikovsky, por David Oistrakh.

 

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publicado às 13:10

Crónica do abandono

por Sofia Loureiro dos Santos, em 17.09.10

 

Lago imenso e escuro, dia de nevoeiro, árvores que abanam, casa de pedra, usada, desleixada, roupas largas, gravidezes expostas, cigarros desfeitos, olhos enormes, cabelos desgrenhados, salas vazias, quartos pequenas, crianças que escutam, olhos enormes, lágrimas contidas, rugas de expressão, homens sem rumo, desamor, amor, velhice, sorrisos, querer sem querer, ter sem saber, esmagar, deitar fora, enganar, triturar, esperar.

 

Olhos enormes.

 

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publicado às 18:42


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