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Defender o Quadrado

Nesta casa serve-se tudo a quente. As cadeiras são de pau e têm as costas direitas. Há sempre pão a cozer e o conforto da desarrumação. A porta está sempre aberta... mas fecha-se rapidamente aos vermes que infestam alguns cantos do quadrado. Sejam

Um livro

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Um livro

O meu livro

Este livro...

 

Que será lido

E não lido,

Espezinhado,

Roído,

Desfeito aos pedaços

Por mãos de criança...

 

Será mais um livro...

 

Um livro esquecido

Na estante do Tempo?...

 

Aizul

Prosas Bíblicas - Livro 3

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6.

 

Somareis os vossos braços ao trabalho e às canseiras

Correreis como as formigas pelos matos e carreiras

Calçareis botas de chumbo para ateardes fogueiras

Dormireis amarfanhados nas covas das toupeiras

 

Ficareis no sopé dos montes por escalar

Náufragos retidos nas algas do mar

Secareis de esperança por braçadas de ar

Desistindo da morte que vos há de tentar

in Prosas Bíblicas, Livro 3 (pág.66)

(quem estiver interessado pode enviar pedido através de

sofia.l.santos@sapo.pt)

Prosas Bíblicas - Livro 2

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5.

 

Gastei os caminhos com os meus passos

soprei as areias de todos os desertos

consumi os olhos com que velei pelas noites

em busca do meu amor ausente.

Talvez um dia no rasto dos meus pés

no eco da minha voz na centelha do meu olhar

se acendam faróis que o guiem ao meu altar.

in Prosas Bíblicas, Livro 2 (pág.51)

(quem estiver interessado pode enviar pedido através de

sofia.l.santos@sapo.pt)

Prosas Bíblicas - Livro 1

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6.

 

Na vida que me insuflaste

Faltam-me os dedos da mão

Parelha que não sonhaste

Olhos da minha paixão

 

Falta-me Senhor alento

Suspiro de solidão

Falta-me amor e sustento

Para a minha dimensão

 

Já hoje é o sexto dia

Olho a terra em redor

No sono que me asfixia

Abre-me o corpo sem dor

 

Da minha massa fecunda

Farás a minha metade

Serei aquela que funda

O ventre da humanidade

in Prosas Bíblicas, Livro 1 (pág.18)

(quem estiver interessado pode enviar pedido através de

sofia.l.santos@sapo.pt)

De volta à cozinha

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Ou mais precisamente de volta às receitas, porque tenho habitado a cozinha como de costume, embora não participe muito da confecção dos alimentos e partilhe ainda menos os meus (in)conseguimentos. Mas hoje resolvi experimentar cuscuz. Na verdade foi mais uma miscelânea de legumes com cuscuz.

 

Comprei sêmola de trigo, integral claro, porque como tudo cada vez mais integral, ou não fosse uma matrona a render-se à ditadura da gastronomia saudável, juntamente com treinos múltiplos e a toda a hora. Bem, pelo menos estou uma matrona mais compacta.

 

Mas não nos dispersemos: parti em meias luas fininhas uma cebola média, 2 dentes de alho, uma mistura de legumes para sopa que encontrei no supermercado, já partidos em tiras (couve lombarda, cenoura e alho francês), coentros, cogumelos, um bocadinho de raiz de gengibre, alguns amendoins e 3 ou 4 tâmaras (sem caroço); deitei tudo no wok - cozinha saudável sem wok nem existe - e temperei com um pouco de azeite, sal, pimenta e pó de caril. Deixei suar ao lume, mexendo sempre para não agarrar com um pouco de vinho branco. Ficou rapidamente pronto.

 

À parte coloquei numa tigela grande o cuscuz (50 g por pessoa), azeite (1 colher de chá por pessoa) e água a ferver com sal (60 ml por pessoa). Depois de repousar cerca de 5 minutos, envolvi bem com um garfo e acrescentei mais uma nica de água a ferver, porque ficou muito seco.

 

E pronto, assim ficou um fenomenal jantar - cuscuz com legumes e cogumelos.

Sem saber

Vasco da Graça Moura & Carlos Paredes

Mísia

 

Sem saber

Porque te amei assim

Porque chorei por mim

 

Sem saber

Com que punhais tu feres

Magoas mais e queres

 

Sem saber

Onde é que estás, nem como

O que te traz sem rumo

 

Sem saber

Se tanto amor devora

Mais do que a dor que chora

 

Sem saber

Se vais mudar, se então

Podes voltar ou não

 

Sem saber

Se em mim mudou a vida

Se em ti ficou perdida

 

Sem saber

Da solidão depois

No coração dos dois

 

Sem saber

Quanto me dóis na voz

Ou se há heróis em nós

 

... que mal soasse a badalada da 1 hora na torre de São Denis...

... entraria por aquela porta!

Não foi o Edmundo a entrar, mas a Lei de Bases da Saúde a ser, finalmente, acordada entre os partidos da Geringonça. Vamos lá a ver se o Seixas sabe as deixas todas, mas suspeito que a promulgação não está, de todo, assegurada.

Por outro lado, tendo sido adiada a discussão e decisão sobre as PPP, parece-me que a nova Lei de Bases dependerá da geometria parlamentar que resultar das eleições legislativas. Mas ainda bem que a Geringonça se conseguiu acertar. É um bom fim de legislatura.

Que, apesar de todas as dúvidas, maus presságios e pesares, conseguiu terminar os 4 anos deixando o País bem melhor do que o encontrou. E não vale a pena tentar desmerecer o muito que fez. Repentinamente, há muita gente a redescobrir o que há muito existe e piora, nos hospitais e restantes serviços públicos. Exige-se, nomeadamente, que uma ministra que iniciou funções em Outubro passado resolva os problemas de toda uma legislatura (Adalberto Campos Fernandes ocupou o cargo durante 3 anos), ou mesmo de décadas.

A Geringonça resultou. Esperemos que o próximo ciclo político seja ainda melhor que este.

Nota: Num filme qualquer, não me lembro qual, dizia-se que O Padrinho tinha a resposta a todos so problemas da humanidade. Entre nós, convenhamos que é O Pai Tirano.