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Da pluralidade dos projectos educativos

por Sofia Loureiro dos Santos, em 15.09.13

 

 

Tenho estado mais ou menos afastada da polémica sobre o encerramento do Instituto de Odivelas e a junção deste com o Colégio Militar. Nunca fui adepta de colégios internos, quaisquer que eles fossem, com excepção da altura em que li As Gémeas no Colégio de Santa Clara e que me imaginava protagonista de aventuras semelhantes, nem equacionei a hipótese de lá colocar qualquer dos meus filhos.

 

Posso questionar se a oferta deste tipo de colégios por parte do estado faz sentido, nos dias que correm. Sou totalmente adepta da racionalização de recursos e da necessidade, por esse motivo, de tentar juntar os 3 colégios de ensino militar – Colégio Militar, Instituto dos Pupilos do Exército e Instituto de Odivelas. Não tenho nada contra a hipótese do Colégio Militar ser misto, como nada tenho contra a entrada de rapazes no Instituto de Odivelas.

 

O que não consigo compreender é a forma como todo este assunto está a ser debatido. Não percebo porque se foi buscar o problema do género para esta discussão. Num país e numa sociedade que aceita e preza a liberdade, em que tanto se enaltece a possibilidade de escolha entre as várias ofertas educativas, não entendo porque se demonizam os colégios internos, por um lado, a separação entre os géneros, por outro, e ainda o ensino militar.

 

Não concordo? Não, não concordo. Gosto de Escolas mistas, em que convivam rapazes e raparigas, que sejam externos, sem ordens unidas, manejo de armas, puericultura ou dança de salão. Mas isso não implica a obrigação ao pensamento único, com a ridicularização de quem pensa de forma diferente.

 

O único motivo pelo qual se decidiu juntar o Colégio Militar e o Instituto de Odivelas é o económico. Ficam caros, dão prejuízo, são grandes demais para a procura. E que tal propor que esses colégios se auto-sustentem? Talvez quem os procure esteja disponível para pagar mais.

 

É preciso não esquecer que esses Colégios foram muito importantes como apoio aos filhos de militares, nomeadamente na altura da guerra colonial. Funcionavam como ajuda para aqueles que ficavam órfãos, garantindo-lhes uma educação que, de outra forma, seria impossível para muitos. Da mesma maneira que a a Manutenção Militar, a ADME, as Messes, eram uma espécie de complemento e de ajuda para quem ganhava pouco – os militares sempre tiveram (e têm) uma remuneração muito abaixo de outro tipo de carreiras, como Magistrados, Professores Universitários, etc. Não há, neste momento, justificação para manter esse tipo de apoios? Na verdade já foram todos retirados, as remunerações é que não aumentaram, mas isso é um assunto totalmente diferente.

 

Quanto à conversa dos valores e da pátria e do nacionalismo e da excelência. É bafienta e disparatada, como tantas outras sobre a igualdade de géneros, defesa dos homossexuais, salvamento de espécies em vias de extinção e um sem número de causas que pululam pela nossa sociedade. Mas a existência de instituições centenárias com cultura própria deve ser respeitada, e por isso tenho ouvido defender associações culturais, empresas e casas comerciais que se transformaram em marcos ou em símbolos de comunidades, grupos profissionais, económicos, comerciais, etc.

 

Em relação ao oportunismo de que se acusa Gabriela Canavilhas, parece-me que a oportunista foi Berta Cabral, pois desviou a discussão para a desigualdade entre géneros quando o que está e sempre esteve em causa é, apenas e só, os custos associados à manutenção dos 3 estabelecimentos de ensino, separadamente.

 

E não será de estranhar que o Prof. Marçal Grilo, que coordenou um relatório em que se baseia o despacho do ministério da defesa, tenha assinado um documento contra esse mesmo despacho? E João Soares, também foi politicamente oportunista?

 

Declaração de interesses - sou filha e nora de militares, casada com um ex-aluno do Colégio Militar.

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publicado às 15:42


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