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Defender o Quadrado

Nesta casa serve-se tudo a quente. As cadeiras são de pau e têm as costas direitas. Há sempre pão a cozer e o conforto da desarrumação. A porta está sempre aberta... mas fecha-se rapidamente aos vermes que infestam alguns cantos do quadrado. Sejam

Tongobriga

 

 

Deambulando pelas margens do Douro, entre Baião, Cinfães, Resende, Marco de Canavezes e Peso da Régua, demos com a indicação da existência de Tongobriga, umas ruínas romanas de um local habitacional que, hoje em dia, é o lugar do Freixo.

 

O acesso à estação arqueológica, pois é disso que se trata, não está muito bem sinalizada, mas não impede de lá chegar. No início da estrada há um restaurante e placas com indicações. Seguindo-as chegamos a um largo com uma Igreja, onde se descobre o edifício – centro interpretativo – onde se encontra a recepção, uma sala de conferências, com alguns artefactos encontrados nas escavações e uma sala de exposições – havia uma de galos de Barcelos, temporária.

 

A visita custou 2,00 euros por pessoa. A acompanhar-nos uma rapariga que transportava um molho de chaves. Somos levados das áreas habitacionais, para o fórum e para as termas, sem que a rapariga saiba dizer nada sobre como foi descoberto o local, quais as datas presumíveis do seu início e do seu fim, o que significavam cada uma das áreas por onde passámos, uma ideia de como eram as habitações, o que significam as palavras caldarium, frigidarium, não fazia ideia do que é uma pedra formosa ou uma necrópole, não acertando sequer com o género da palavra (um necrópole).

 

Fiquei a saber, pelas poucas perguntas a que respondeu que, naquele lugar do Freixo, estava a funcionar uma Escola Profissional de Arqueologia, e que os alunos faziam trabalho de campo naquelas escavações. Fiquei também a saber que todo aquele complexo tinha sido financiado pelo IPPAR e por fundos europeus – QREN e PRODEP.

 

A total incapacidade da rapariga que nos atendeu em corresponder aos mínimos parâmetros que lhe deveriam ser exigidos é confrangedora. O Estado pode e deve prover à formação, à organização, à criação de oportunidades, à valorização do património histórico, à preservação das estruturas, das ruínas, dos edifícios, da cultura, mas não há nada que possa substituir o querer, o empenho, a ambição, a criatividade das pessoas. Os jovens têm que usar as suas qualificações para se desenvolverem e para desenvolverem oportunidades de emprego, de intervenção, de investimento em pólos que, neste caso, deveriam ser de atracção turística (nacional e internacional). Visitas guiadas, pequenos filmes de explicação do que era a vida naquele local, como deveriam ser as habitações, animações, maquetes, inserção nos períodos históricos de ocupação romana, anteriores e posteriores, rituais fúnebres, significado dos próprios nomes, enfim, inúmeros assuntos que poderiam ser explorados.

 

Tanto se fala da sociedade civil e da geração mais bem formada. Pois convém que se mexam, a sociedade e a geração, que peguem nas ferramentas que lhes foram dadas e as utilizem, para benefício próprio e comum.

 

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