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Tongobriga

por Sofia Loureiro dos Santos, em 18.07.13

 

 

Deambulando pelas margens do Douro, entre Baião, Cinfães, Resende, Marco de Canavezes e Peso da Régua, demos com a indicação da existência de Tongobriga, umas ruínas romanas de um local habitacional que, hoje em dia, é o lugar do Freixo.

 

O acesso à estação arqueológica, pois é disso que se trata, não está muito bem sinalizada, mas não impede de lá chegar. No início da estrada há um restaurante e placas com indicações. Seguindo-as chegamos a um largo com uma Igreja, onde se descobre o edifício – centro interpretativo – onde se encontra a recepção, uma sala de conferências, com alguns artefactos encontrados nas escavações e uma sala de exposições – havia uma de galos de Barcelos, temporária.

 

A visita custou 2,00 euros por pessoa. A acompanhar-nos uma rapariga que transportava um molho de chaves. Somos levados das áreas habitacionais, para o fórum e para as termas, sem que a rapariga saiba dizer nada sobre como foi descoberto o local, quais as datas presumíveis do seu início e do seu fim, o que significavam cada uma das áreas por onde passámos, uma ideia de como eram as habitações, o que significam as palavras caldarium, frigidarium, não fazia ideia do que é uma pedra formosa ou uma necrópole, não acertando sequer com o género da palavra (um necrópole).

 

Fiquei a saber, pelas poucas perguntas a que respondeu que, naquele lugar do Freixo, estava a funcionar uma Escola Profissional de Arqueologia, e que os alunos faziam trabalho de campo naquelas escavações. Fiquei também a saber que todo aquele complexo tinha sido financiado pelo IPPAR e por fundos europeus – QREN e PRODEP.

 

A total incapacidade da rapariga que nos atendeu em corresponder aos mínimos parâmetros que lhe deveriam ser exigidos é confrangedora. O Estado pode e deve prover à formação, à organização, à criação de oportunidades, à valorização do património histórico, à preservação das estruturas, das ruínas, dos edifícios, da cultura, mas não há nada que possa substituir o querer, o empenho, a ambição, a criatividade das pessoas. Os jovens têm que usar as suas qualificações para se desenvolverem e para desenvolverem oportunidades de emprego, de intervenção, de investimento em pólos que, neste caso, deveriam ser de atracção turística (nacional e internacional). Visitas guiadas, pequenos filmes de explicação do que era a vida naquele local, como deveriam ser as habitações, animações, maquetes, inserção nos períodos históricos de ocupação romana, anteriores e posteriores, rituais fúnebres, significado dos próprios nomes, enfim, inúmeros assuntos que poderiam ser explorados.

 

Tanto se fala da sociedade civil e da geração mais bem formada. Pois convém que se mexam, a sociedade e a geração, que peguem nas ferramentas que lhes foram dadas e as utilizem, para benefício próprio e comum.

 

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publicado às 20:42


2 comentários

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De donagata a 18.07.2013 às 23:15

E havia lá uma rapariga!!!! É que em alguns sítios arqueológicos que tentei visitar há já alguns tempos, não só não havia ninguém, como tinham até um aspecto de total abandono. Estou a recordar, por exemplo, o santuário de Panóias por onde me passeei calmamente tentando adivinhar o que calcava...
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De Pereira B. Benjamim a 29.09.2019 às 12:10

O trabalho que estão a levar a efeito na estação arqueológica do lugar do Freixo , é notável sob o ponto de vista arqueológico, mas quem escreve a sua história , das duas uma , ou é tem alguma aversão ao povo da cultura Celta, ou é uma defensor acérrimo dos Latinos / Sabinos / Etruscos e outros tribos confederados / mercenários , mais conhecidos por " Romanos " . Fazem " tábua rasa " , que os Celtas no mínimo , assentaram na zona do Freixo , antes do ano 1.200 a.C. - Lusys ou Lusis , parentes Brácaros ( fundaram a cidade de Tongobriga - nome de origem Celta ) e que os ditos Romanos , só conseguiram ali chegar no ano +/- 150 a.C. , logo uma diferença de 1.150 a.C. Como conheço aquela zona e as suas gentes, desde menino e moço , compreendo, que é mais fácil escrever sobre os " bárbaros , salteadores " - Romanos , que tinham uma boa máquina de propaganda montada e " correspondentes de guerra " que escreviam o que interessava aos burgueses que estavam em Roma , do que escrever sobre a verdadeira história de uma povo aonde os documentos se encontram arquivados, bem longe - Grão Bretanha ; Escandinávia ; República Checa . Polónia, França, etc.

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