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Defender o Quadrado

Nesta casa serve-se tudo a quente. As cadeiras são de pau e têm as costas direitas. Há sempre pão a cozer e o conforto da desarrumação. A porta está sempre aberta... mas fecha-se rapidamente aos vermes que infestam alguns cantos do quadrado. Sejam

Das patrulhas dos camaradas

 

 

Se o meu objectivo fosse ter muitos comentários aos posts que vou escrevendo, bastava fazer uma qualquer referência semanal que beliscasse a FENPROF, para que que as patrulhas dos camaradas me mimoseassem com os seus insultos. Assim tenho esse privilégio só de vez em quando.

 

Para que fique bem claro e explícito:

  1. Este governo é o governo pior que alguma vez me lembro de ter havido, após o 25 de Abril.
  2. A maioria que nos governa, para além de tentar implementar a sua ideologia que nem sei bem classificar, fá-lo de uma forma totalmente incompetente.
  3. Como já muitas pessoas vão reconhecendo publicamente, houve um assalto ao poder em 2010/2011, com uma total manipulação da população protagonizada, entre outros, pelos partidos da oposição da altura, nomeadamente do PSD, do CDS, do PCP e do BE, que se aliaram para derrubar o governo minoritário do PS, cavalgando as ondas de descontentamento dos cidadãos, mentindo antes e durante a campanha eleitoral, como se prova pelo que têm feito desde então.
  4. A maioria dos sindicatos afectos à CGTP-in, entre os quais a FENPROF (federação de sindicatos), e que é uma correia de transmissão do PCP servindo a sua estratégia política, contribuíram decisivamente para a tomada do poder pela direita conservadora.
  5. Durante os dois governos anteriores, os representantes dos professores em geral e a FENPROF em particular, opuseram-se a tudo o que mudava a cultura de mediocridade, de facilitismo, recusando alguma meritocracia que se tentava implementar. Da fusão de escolas sem condições para os alunos, às aulas de substituição, passando pela avaliação de desempenho, nada escapou aos gritos de destruição da escola pública e de ataque aos indefesos professores.
  6. As alterações aos horários da função pública (que constam do orçamento rectificativo), de 35 para 40h semanais, correspondem a uma redução salarial de 12,5%, o que é totalmente inaceitável – não o aumento do horário de trabalho, mas a redução da remuneração decidida unilateralmente pelo governo, aliás como as reduções anteriores.
  7. O regime de mobilidade é, obviamente, uma forma de despedir funcionários públicos e o chamar-lhe requalificação é uma desvergonha inqualificável
  8. A razão para aumentar o horário de trabalho não é melhorar a eficiência e o atendimento aos cidadãos, é despedir pessoas – uma das gorduras do estado.
  9. Estas medidas não são específicas para os professores.
  10. Em 2005 foi convocada uma greve aos exames, tendo o governo da altura requerido que se decretassem serviços mínimos, em defesa dos alunos e das suas famílias, o que foi legalmente aceite.
  11. Desta vez, e mais uma vez, a FENPROF convoca uma greve aos exames nacionais, num braço de ferro com o governo, que este não pode aceitar, sob pena de continuar refém de uma das mais poderosas corporações existentes.
  12. Mário Nogueira, como líder da FENPROF, foi e é o protagonista destas posições, pelo que é nessa qualidade que o critico.
  13. Penso que este tipo de ações, de que a grave aos exames é um exemplo, descredibiliza a actuação e o papel dos sindicatos, contribuindo para a irrelevância dos protestos dos trabalhadores, sejam eles professores ou outros.
  14. Quando tanto se fala no divórcio entre os cidadãos e os políticos, convinha que os dirigentes dos sindicatos ponderassem o papel que tiveram e têm na descrença que alastra na sociedade, e na desesperança e alheamento em que nos refugiamos.
  15. O facto de a greve ser legítima não me faz concordar com ela. O facto da Colégio Arbitral ter decidido que não havia serviços mínimos não me obriga a concordar com ela. O facto de o Tribunal Central Administrativo do Sul ter considerado ser este um assunto não urgente é, para mim, incompreensível.
  16. Muito me penaliza não ouvir o PS a condenar esta greve e a ler opiniões de muitos quantos defenderam, e bem, Maria de Lurdes Rodrigues, numa situação idêntica à de agora. Os fins não justificam os meios.

 

2 comentários

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    A.Teixeira 16.06.2013 09:34

    Começo por confessar que aprecio imenso estes textos de opinião sobre outros textos que começam sempre por uma concordância genérica mas que se concretizam depois por uma discordância metódica e em todos os aspectos principais do texto inicial. Na esmagadora maioria das vezes, este formato dialéctico de discordar (fingindo que não) remete o seu autor para um posicionamento muito específico do espectro político que nem sequer é ideológico, é sobretudo de estilo. As “patrulhas dos camaradas” têm assim uma “impressão digital” que se reconhece para além dos esforços desses mesmos camaradas em pretender que não fazem parte delas, das patrulhas. Contando ponto por ponto:

    Em primeiro lugar é uma mistificação que foi Maria de Lurdes Rodrigues a “pagar caro” pela implementação das suas políticas de educação. Onde está ela hoje? E o que andam os professores a fazer? Porque será que os professores não se perguntam se a sua situação terá melhorado depois da saída daquela ministra? Ou ficam-se pelo arrependimento tardio ou então pelo contentamento esfusiante de Mário Nogueira de cada vez que se muda de titular da pasta?

    Em segundo lugar essa fábula da “dinamização das bases” sindicais que condicionam as lideranças já vem do tempo do PREC e já na altura era inverosímil. Comprovando-o, a gestão do conflito laboral foi feita, mais uma vez, de acordo com as conveniências do calendário político: durante o primeiro ano de governo o ministério de Nuno Crato fartou-se de promulgar medidas lesivas para os interesses dos professores e durante esse tempo Mário Nogueira “respirava de snorkel ”… Nem se dava por ele, qual “submarino” que apenas emergiu depois de Setembro de 2012, aproveitando o momento político desencadeado pela bronca da TSU.

    Em terceiro lugar, é, no mínimo, estranho que tendo havido, de Roberto Carneiro a Nuno Crato, treze ministros da educação nos últimos 25 anos, nenhum deles tivesse conseguido aplicar reformas com o tal de “bom senso e a participação dos docentes” a que se refere. Todos foram contestados com quase igual veemência, a ponto da pasta ter adquirido a reputação de berbicacho que hoje tem. E a argumentação que se ouve a membros da classe sobre factos incontornáveis da sociedade como a diminuição da população escolar e a diminuição do número de professores agudiza a opinião que entre os professores não há receptividade a quaisquer reformas e que o “bom senso” e o resto se revelam desculpas de mau pagador.

    Em quarto lugar, há que aceitar que, havendo sempre um vilão ou vilã do lado do ministério (agora é Nuno Crato), é natural que haja um vilão do outro. Tanto mais que, ao contrário dos treze ministros a que me referi acima, esse vilão não muda: Mário Nogueira já não dá aulas há 23 anos e teve ocasião de conhecer como sindicalista "full-time" todos os treze ministros do outro lado da mesa de negociações! Uma nota: era dispensável ter escrito que não tem “qualquer afinidade política” com ele: só se não gosta dele pessoalmente porque tudo o resto do que escreveu desmente aquela afirmação.

    É também por tudo o resto do que escreveu que não se espera que perceba as razões para que o PS condenasse esta greve. Seriam razões de princípio, o que deve parecer bizarro para quem mostra não conseguir ver muito para além do tacticismo político.
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