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Defender o Quadrado

Nesta casa serve-se tudo a quente. As cadeiras são de pau e têm as costas direitas. Há sempre pão a cozer e o conforto da desarrumação. A porta está sempre aberta... mas fecha-se rapidamente aos vermes que infestam alguns cantos do quadrado. Sejam

Da política de consensos

 

Ainda não percebi muito bem a estratégia do consenso abraçada agora por António José Seguro.

 

Em primeiro lugar era importante que se percebesse exactamente quais as medidas alternativas que o PS sugere, em ralação à política seguida por esta maioria que nos governa, para saber que consensos procura, em que áreas e de que forma se vão traduzir - coligação eleitoral ou bases programáticas para algumas medidas ou repartição de lugares chave em lugares chave ou apoio parlamentar ou... o quê? E com que forças políticas? À direita, à chamada esquerda ou tanto faz? Ou regressa a expressão que nada significa de Sociedade Civil?

 

Eu vejo com muito cepticismo e muita apreensão a retórica do consenso a todo o custo, tal como via e vejo a austeridade a todo o custo. Eu também defendo que deveria haver uma plataforma mínima de entendimento com os partidos que se dizem à sua esquerda. Mas há algo de muito essencial de que não convém esquecer - o PS faz parte de uma área política que defende a democracia enquanto o PCP e o BE mantém discursos e práticas de forças de cariz autoritário. Felizmente, não só pela interpretação dos resultados eleitorais mas por aquilo que as sondagens vão indiciando, a enorme maioria do povo não se revê na sociedade e na política que esses dois partidos defendem.

 

Por isso, qual é exactamente a ideia de António José Seguro? E em relação ao CDS, onde poderão estar as pontes de entendimento com o CDS? Não seria interessante que o líder do PS tornasse claro o seu pensamento, ou teremos que votar nas incógnitas e nas surpresas pós eleitorais?

 

Não me parece que estejamos dispostos a isso. Que este governo deve cair não tenho dúvidas. Mas avolumam-se as dúvidas quanto à actuação do PS, que deveria marcar a agenda política e liderar as negociações, com condições transparentes e conhecidas dos eleitores. Há cada vez menos capacidade de passar cheques em branco. Há demasiado em jogo para jogos florais e de bastidores.