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Da problemática dos exames

por Sofia Loureiro dos Santos, em 11.05.13

 

 

Tem havido uma enorme campanha contra a existência de exames nacionais no 4º ano do Ensino Básico, baseado nas crenças modernas do que traumatiza as crianças. Os conhecimentos que tenho de pedagogia e de psicologia infantil são apenas aqueles que os cidadãos têm e que, pelo facto de terem sido pais, foram e são obrigados a rever em alturas de conflitos, de crises ou, simplesmente, quando confrontados com as surpresas do crescimento.

 

Quanto ao folclore montado à volta dos nervos, do regresso ao passado, do salazarismo dos exames, das ansiedades, dos pedidos de declarações de honra a crianças tão novas, da enorme deslocação para outra escola, do medo por não estar em ambiente conhecido, é a melhor forma de transformar algo banal e habitual no percurso de um estudante num momento aterrador e impossível de ultrapassar.

 

Muito pouca confiança temos nos nossos filhos, que nem são assim tão indefesas ou presas de quaisquer alterações mentais sem fora da confortável e acolchoada rotina dos dias, nem são raposas à espreita da primeira oportunidade para fazerem trapaça. Faz parte da vida assumir responsabilidades, ser-se posto à prova, ultrapassar obstáculos, são importantes os rituais de passagem. Os exames devem ser encarados como provas naturais para quem estuda. O facto de serem prestadas numa instituição diferente e por professores desconhecidos apenas asseguram que as crianças todas tenham as mesmas oportunidades. Todos sabemos, e a responsabilidade aqui é dos adultos que são professores, que muitos dos resultados das provas de aferição não eram fidedignos pois havia sempre alguns professores que ajudavam na resolução dos testes, o que era extremamente injusto e enviesava as possíveis avaliações posteriores à validade das mesmas. Quanto aos telemóveis, também me parece um exagero pedir uma declaração de honra em como não os usariam. Mas não me iludo com a ideia angelical de que nunca se lembrariam de tal, nem com a certeza de que naquela idade não sabem o que é honra. Isso é uma menorização que eles próprios não aceitam.

 

Outro assunto muito diferente é se na verdade haverá alguma vantagem para os alunos e para o sistema de ensino com a realização de exames nacionais neste nível. O que mais me preocupa não são os exames, são a resposta que o sistema deveria poder dar a quem não passa nos exames - esse é que me parece o problema mais importante para resolver. Onde estão as políticas de reforço e acompanhamento de quem tem mais dificuldades? O que está pensado ao longo do ano, como diagnóstico destas situações? Quais os professores que investem nos alunos que não passaram? Quais os motivos do insucesso, como evitá-los e ultrapassá-los?

 

Não me recordo de nada nas diversas declarações e notícias, nos circos montados à volta das escolas esperando que alguma criança estivesse em prantos antes ou a seguir às provas. Não me lembro de ter visto questionar os responsáveis do que pretendiam fazer com as crianças que não tiverem atingido os conhecimentos que se pretendia. Isso é o que realmente interessa.

 

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publicado às 20:49


1 comentário

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De ACÁCIO LIMA a 12.05.2013 às 13:45

COMENTÁRIO AO POST -"DA PROBLEMÁTICA DOS EXAMES"

00- Este enfoque dos “Exames”, no caso do 4º Ano, crianças, tem servido para escamotear a “Ideologia” e o tipo de “Prática Política”, subjacentes no atual Governo. Numa ausência de um critério firme de hierarquização das razões.

01- Começo pelo “Acessório”, mas não displicente, da perturbação registada no funcionamento das Escolas, que inclui a mobilização de forças policiais, na tónica do repressivo.

E, interrogo-me sobre a suspeição da não seriedade, dos Docentes.

Interrogo-me se serão realmente critérios da “Pedagogia Cientifisante” que prevaleceram, ou se temos mais um caso de proclamação de apego às Práticas do Anterior regime, na apologética do salazarismo.

02- Admito que os “Exames” sirvam para exercitar a “capacidade de agir sob tensão”.

E, que se insiram no reconhecimento de estar adquirido um “elevado nível de “responsabilidade” das crianças e jovens”.

03- Mas, a questão magna, e tal tem sido omitida, reside em saber-se se os atuais “Exames”, no seu formalismo, são uma adequada avaliação da “ginástica mental” adquirida e da “experiência de vida” refletida.

04- Mas estou de acordo com a Autora do post, quando aponta a enorme e enormidade de outra grande omissão- nem uma palavra sobre o como lidar e agir nos casos em que os alunos ficam aquém da “aptidão” exigida.

05- Tem prevalecido a preponderância das provas de aferição ditas “escritas” numa menor valorização das chamadas “provas orais”. Penso que tal é uma debilidade do Sistema.

As “provas orais”, muito mais flexíveis, permitem um ajuste à idiossincrasia especifica e particular de cada aluno.

Na minha vida profissional tive de recrutar muitos e muitos Colaboradores. Nas Empresas, existia uma “Cultura de Empresa” que apontava para privilegiar os chamados “ Exames Psicotécnicos”, com a falsa aureola de serem realizados por “Entidades Independentes”, ditas “Isentas”- grifado.

Não tendo força para combater a “Cultura de Empresa”, usava a “Entrevista Individual. Pessoal”- oral- para aferir da “Experiência Refletida de Vida”, da “Aptidão para Agirem sob Tensão”, e detetar quais os “Procedimentos de Elaboração do Pensamento” dos Candidatos.

PROVA ORAL.

Boa Tarde de Domingo.
Boa Semana.

Cordiais e Amistosas Saudações, na convicção que o Post é um Convite a Ser travado um combate vigoroso à ligeireza de análise de uma certa, “soit disant” esquerda, a “esquerda folclórica”.

ACÁCIO LIMA

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