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Muros

por Sofia Loureiro dos Santos, em 27.04.13

 

Matteo Pugliese

 

Tenho pena que se não tenha realçado o discurso de Assunção Esteves, que enalteceu a política como a mais pura forma de agir em prole da sociedade, e a democracia como a organização moral que nos pode impelir contra os muros da descrença na solidariedade, justiça e no combate à pobreza, que são as bases da liberdade.

 

Infelizmente, este é um tempo de negação da política e da democracia em si mesmas, com quotidianos desenganos e desilusões, chegando-se ao extremo de termos um Presidente da República que nega a fundação do regime no próprio dia em que ele se celebra, na casa de todos nós, ou seja, no Parlamento.

 

Estamos a assistir à transformação da política num romance de cordel, feito de declarações de amor e ódio, de exigências de perdão, cartas e ramos de flores, arrufos de namorados e jantares de velas e perfumes enjoativos. Os partidos enviam aos seus jornalistas as notícias que lhes convêm, e de indignações em indignações passam os dias, sem que se vislumbrem quaisquer resquícios de sensatez, para já não dizer, rasgos de ideias e de imaginação.

 

A classe média arranja-se aos domingos, regressando os dias de ver a Deus, com penteados bem armados, carteiras dos fundos dos armários e blusões clássicos sem cor, espera na fila do restaurante o menu de prato pequeno, meio de quente e meio de salada, transportando o empobrecimento em tabuleiros de cor baça. Aguarda um qualquer ditador que lhes garanta um salário ao fim do mês.

 

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publicado às 16:16


1 comentário

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De ACÁCIO LIMA a 27.04.2013 às 21:17

COMENTÁRIO AO POST "MUROS"

01- Cortando uma paragem na publicação de textos, surge este post, selecionando bem os temas focados, hierarquizando acontecimentos e ilustrando o texto com os adequados links.

02- Anoto ainda a justeza dos comentários aos links.

03- A Comunicação Social, (os escribas, comentadores e analistas), na sua maioria, tornou-se a caixa de ressonância do “Senso Comum”, e um alfobre de assessores e ministros de Pedro Passos Coelho, vide o que passou com mais de dez “jornalistas”- grifado- do “DN”, o órgão oficioso do PPD neoliberal de Pedro Passos Coelho.

04- É certo que a chamada “classe média” se vai comportando como referido no post, mas o protesto tem vindo a surgir por todo o país e integrando diversíssimos extratos sociais.

05- Entretanto alterou-se a liderança da Central Sindical, a UGT.

Tal admite pensar-se que pode estar a florescer um sindicalismo adulto e autónomo, com uma visão universalista dos acontecimentos. E pode muito bem estar a ser posto em causa o corporativismo e seguidismo da CGTP. Admito que surja uma pedagogia nova, tecendo e difundindo uma nova forma de interferir na correção da postura do Partido Socialista, do Blo-Co e do PCP.

06- Há alguns sintomas que as Direções atuais partidárias serão bem “abanadas” por este novo modo de estar no Sindicalismo.

Boa Noite.
Bom Serão.
Bom Domingo.

Satisfeito com o regresso dos post, envio as minhas Cordiais, Afáveis e Amistosas Saudações de Muito Apreço

ACÁCIO LIMA

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