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Defender o Quadrado

Nesta casa serve-se tudo a quente. As cadeiras são de pau e têm as costas direitas. Há sempre pão a cozer e o conforto da desarrumação. A porta está sempre aberta... mas fecha-se rapidamente aos vermes que infestam alguns cantos do quadrado. Sejam

Muros

 

Matteo Pugliese

 

Tenho pena que se não tenha realçado o discurso de Assunção Esteves, que enalteceu a política como a mais pura forma de agir em prole da sociedade, e a democracia como a organização moral que nos pode impelir contra os muros da descrença na solidariedade, justiça e no combate à pobreza, que são as bases da liberdade.

 

Infelizmente, este é um tempo de negação da política e da democracia em si mesmas, com quotidianos desenganos e desilusões, chegando-se ao extremo de termos um Presidente da República que nega a fundação do regime no próprio dia em que ele se celebra, na casa de todos nós, ou seja, no Parlamento.

 

Estamos a assistir à transformação da política num romance de cordel, feito de declarações de amor e ódio, de exigências de perdão, cartas e ramos de flores, arrufos de namorados e jantares de velas e perfumes enjoativos. Os partidos enviam aos seus jornalistas as notícias que lhes convêm, e de indignações em indignações passam os dias, sem que se vislumbrem quaisquer resquícios de sensatez, para já não dizer, rasgos de ideias e de imaginação.

 

A classe média arranja-se aos domingos, regressando os dias de ver a Deus, com penteados bem armados, carteiras dos fundos dos armários e blusões clássicos sem cor, espera na fila do restaurante o menu de prato pequeno, meio de quente e meio de salada, transportando o empobrecimento em tabuleiros de cor baça. Aguarda um qualquer ditador que lhes garanta um salário ao fim do mês.

 

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