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Defender o Quadrado

Nesta casa serve-se tudo a quente. As cadeiras são de pau e têm as costas direitas. Há sempre pão a cozer e o conforto da desarrumação. A porta está sempre aberta... mas fecha-se rapidamente aos vermes que infestam alguns cantos do quadrado. Sejam

Eu, bonzo, me confesso

 

 

Dos comentários ouvido na TSF - Bloco Central e Governo Sombra - e na SIC-N - Eixo do Mal - cheguei a algumas conclusões revolucionárias, e que enformarão o meu viver democrático e republicano daqui em diante:

  1. Segundo Ricardo Araújo Pereira, os cidadãos podem impedir um ministro de falar, porque é ministro, mas os ministros não podem impedir os cidadãos de falar, porque isso é fascista - daqui se depreende que os ministros não são cidadãos.
  2. Segundo João Miguel Tavares, como Miguel Relvas já devia ter sido demitido, por indecente e má figura, obviamente que os cidadãos (que não Miguel Relvas ou qualquer outro ministro, não sei se outros detentores de cargos públicos também estão incluídos) têm todo o direito a insultá-lo e impedi-lo de falar. Esta tese é também defendida por Clara Ferreira Alves e, mais difusamente e menos claramente, por Pedro Marques Lopes, Pedro Adão e Silva, Daniel Oliveira e Luís Pedro Nunes. Claro que é injusto fazer o mesmo a Paulo Macedo, ninguém explicou bem porquê, nem quem é que decide tal coisa.
  3. Segundo Clara Ferreira Alves, todos os que não apoiam nem aceitam estas teses, são bonzos, e teriam muito que aprender com Bocage, Almeida Garrett, Alexandre O´Neill e Natália Correia. Ela não, que já aprendeu tudo e, pelo contrário, tem muito a ensinar sobre liberdade e democracia mas, principalmente sobre cultura, toda ela, desde histórica a política, com especial ênfase na literária e, como pano de fundo, sobre a cultura da revolução permanente e formas de protesto renovadamente esclarecidas.

Daqui depreendo que a lei é variavelmente aplicável consoante se é Relvas, Paulo Macedo, Sócrates, Maria de Lurdes Rodrigues, Vítor Gaspar, João Semedo, Carlos Carvalhas, Jerónimo de Sousa, Ana Avoila, ou até Clara Ferreira Alves, Pedro Adão e Silva, Pedro Marques Lopes, João Miguel Tavares, Daniel Oliveira, Luís Pedro Nunes, Ricardo Araújo Pereira, Pacheco Pereira e muitos outros. Daqui depreendo que Miguel Relvas não conhece limites, mas que todos estes mentores das liberdades criativas sabem quais são os de Miguel Relvas mas não os deles.

 

Por isso visto a camisola de bonzo que se me cola à pele e que Clara Ferreira Alves tão apropriadamente desmascarou.

 

A partir de agora sempre que todos estes oradores aparecerem em conferências, lançamentos de livros, inaugurações de eventos ou quaisquer outras situações, é perfeitamente normal e até saudável, cantar, gritar, insultar, e até atirar ovos podres, visto que isso não belisca minimamente a liberdade de expressão de nenhum deles e é um direito que todos nós temos. A não ser que eles sejam cidadãos, e nós não. Ou é ao contrário?

 

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