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Balancetes

por Sofia Loureiro dos Santos, em 30.12.12

 

Tenho pensado no balanço que posso fazer deste ano que está quase a acabar. O grande feito foi sobreviver com a cabeça minimamente sã (embora à minha volta não me considerem lá muito normal), neste país de doidos perigosos.

 

As coisas que já ninguém aguenta começam no governo, passam pelo Presidente e acabam na oposição. É tudo tão mau e deprimente que mergulhamos nas nossas vidas, estejam elas ocupadas pelo trabalho ou pelo desespero do desemprego, sempre preenchidas pelas contas dos tostões que não se deveriam gastar. Não se percebe muito bem como sair deste marasmo, embora saibamos que alguma coisa irá acontecer. Vou-me preparando para piores e mais confusos dias, enquanto não consigo acender a esperança.

 

Algumas coisas boas me aconteceram, no entanto. Consegui manter o peso alcançado em 2011, numa dieta férrea (com alguns precedentes), em que minguei bastante, felizmente. Freud explicaria, com toda a certeza, o fascínio galopante pela culinária e pelo fazer de iguarias que não posso comer, apenas provar muito ao de leve. Mas tenho-me divertido imenso a fazer tartes e folhados, a aproveitar sobras e a experimentar bolos, pudins e até biscoitos.

 

 

Foi uma grande vitória sobre o peso e tem sido uma grande vitória sobre a gula, que espreita a todo o tempo e nunca se dá por vencida. Nunca fiz propaganda do método porque acho que os métodos são todos bons desde que funcionem e não matem da cura. Cada um de nós é que tem que se agarrar a um qualquer plano de emagrecimento, que passa sempre pela redução da ingestão calórica e pelo aumento do gasto, em proporções várias. Fraccionar as refeições e beber umas litradas de água por dia são outros truques para enganar o estômago. O telemóvel funciona bem para nos lembrar de comer, no máximo de 3 em 3 horas.

 

Enfim, depois de ter arranjado uma modista que ajeitasse a roupa ao meu corpo, de camisolas a casacos, de calças a saias, sinto-me uma sílfide capaz de me mexer muito melhor, sem me cansar. Mesmo conseguindo, sem esforço, subir aos bancos para chegar aos armários da cozinha que, inexplicavelmente, estão sempre a uma altura de gigantes, ofereci-me a mim própria um banquinho que comprei no IKEA, onde me empoleiro e me sinto esticada e poderosa.

 

 

Portanto fiquei mais concentrada – nas fúrias, nas resoluções, na determinação, a mesma quantidade de emoções em menor superfície corporal. O que me leva ao objectivo primordial para 2013: sobreviver a mais um ano deprimente e arrepiante que, tudo indica, será pior que este. Não tenho grandes ilusões em relação à capacidade de Cavaco Silva fazer seja o que for para limpar um pouco o ambiente. Esperemos que Paulo Portas dissolva a coligação. No entretanto faço votos para que haja uma imensa luta interna no PS de modo a que se vislumbre uma nova liderança que possa corporizar uma alternativa à esquerda. Mas temo que nos espere mais do mesmo em tudo.

 

Resta-me desejar que passe depressa, o ano de 2013. E que possa defender muito a sustentabilidade do SNS não o utilizando, estendendo essa defesa a toda a população. E que haja algo, mesmo que venha do infinito e mais além, que possa inocular um pouco de decência aos nossos governantes, que dela estão bem afastados.

 

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publicado às 19:14


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