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Defender o Quadrado

Nesta casa serve-se tudo a quente. As cadeiras são de pau e têm as costas direitas. Há sempre pão a cozer e o conforto da desarrumação. A porta está sempre aberta... mas fecha-se rapidamente aos vermes que infestam alguns cantos do quadrado. Sejam

Da lentidão dos dedos

 

É verdade que tenho feito todos os esforços para me manter afastada de notícias. Desligo o Crespo, mudo de canal mal vislumbro a Ana Lourenço, retiro o volume à Judite de Sousa e a todos os (poucos e sempre os mesmos) convidados das várias actualidades televisivas. Ainda vou ouvindo a TSF mas a RFM tem ganho audiência no meu gabinete.

 

Mas as (más) notícias impõem-se como o céu de chuva deste inverno. Os massacres nas escolas do EUA são daquelas coisas que ultrapassam a minha capacidade de entendimento. Não consigo perceber que patologia individual e colectiva é esta que multiplica os tiroteios, ceifando crianças e jovens, em nome de quê ou para quê. Já vi filmes e documentários que abordam este assunto, mas permaneço obtusa.

 

Por cá continuamos com a depressão generalizada causada por um governo de alienados, por um Presidente que se demitiu (e ainda não se/nos deu conta disso) e uma oposição irrelevante.

 

Portugal entristece, envelhece e lentifica. A média etária da população está acima dos 50 anos, pelo menos nas filas das caixas dos supermercados, onde o tempo de ensacar, procurar o dinheiro e contá-lo se multiplicou pela dezena, com os entorpecidos dedos catando moedas, os entorpecidos olhos perscrutando-lhes o valor, a enervada mente fazendo contas. Nas lojas deambulam olhos mais ou menos gulosos em dieta acelerada. Muito antes do downsizing da gente mediática, já o país encolheu e continua a encolher. Abundam os novos e os antigos pobres. Ontem mesmo ouvi uma história de uma miúda que anda 12 Km a pé (6 à ida e 6 à vinda) para ir à escola, não traz almoço e ninguém lho dá. As reunites que atacam tantos docentes poderiam servir para a resolução deste problema. Mas a moda da sociedade civil é só para peditórios e declamações piedosas, não é para o dia a dia da solidariedade.

 

Pois, esqueci-me que a caridade é mais amorosa.

 

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