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Clima totalitário

por Sofia Loureiro dos Santos, em 08.12.12

 

O que mais impressiona é o clima de perseguição que se instalou na sociedade portuguesa. As notícias dos milhões que alguns ganham e gastam, o apelo à inveja mais mesquinha, o incentivo ao espionar os vícios, pecadilhos e inconsistências de cada um, o insulto permanente aos servidores públicos, a tentativa de criminalização de opções políticas, tudo são razões para destruir pessoas, instituições, ideias.

 

O gozo com que se fala do fato de Guterres ter assumido a responsabilidade por erros durante a sua governação, convidando anteriores governantes a expiarem em público os seus pecados, é assustador e faz lembrar as reeducações dos cidadãos nos antigos países comunistas. A voragem com que se julgam as políticas que olham para o estado como garante de serviços públicos é assustadora.

 

Ainda ontem ouvi um responsável político dizer, com uma voz de evidência absoluta, que não se pode investir em mais linhas de metro no Porto porque a empresa é deficitária. Tudo o que significou em termos de qualidade de vida da população, que tem melhor serviço de transporte, a requalificação urbana a que se assistiu, nada disso é tido em conta. Tal como a destruição do que foi a política de requalificação das escolas, verdadeiramente deprimente.

 

Todos os motivos servem para fazer crer às pessoas que não têm direito a transportes rápidos e de qualidade, a estradas seguras que permitam rápidas ligações terrestres, escolas confortáveis, seguras, agradáveis e estimulantes, centros de saúde e hospitais onde se tratem os doentes com qualidade e dignidade, reformas que permitam uma vida acima do limiar de pobreza.

 

O que mais impressiona é termos governantes que consideram óbvia a necessidade de não se responsabilizarem, enquanto representantes eleitos, pelo bem-estar dos seus concidadãos.

 

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publicado às 21:43


3 comentários

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De Francisco Clamote a 08.12.2012 às 23:25

Subscrevo, Sofia.
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De EGR a 09.12.2012 às 00:18

Tudo o que refere é,infelizmente, verdade.
Estamos perante o ressurgimento de tudo quanto, do ponto de vista cívico, caracterizou o pensamento salazarista, e enformou o chamado estado novo.
Acredite que é com um misto de tristeza e revolta que o o afirmo.
E inquieta-me não sentir uma verdadeira reacção a esse sinistro quadro.
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De ACÁCIO LIMA a 09.12.2012 às 15:41

COMENTÁRIO AO POST "CLIMA TOTALITÁRIO"

01- O meu destaque vai para o primeiro parágrafo, com os apontamentos sobre a inveja, a morbidez do assalto à vida privada e a tentativa de criminalizar as opções políticas. O provincianismo e o espírito inquisitório à boa maneira salazarista.

02- Brilhante é a “rotulação” “…. reeducação dos cidadãos nos antigos países comunistas”, ao aludir-se o achincalhamento perverso das declarações de A. Guterres.

03- A referência ao Metro do Porto, levar-nos-ia a desmontagem do que é referido, comummente, por “Empresas Públicas de Transportes, ditas “Deficitárias””.

Simplificando: a gestão destas empresas envolve a determinação / avaliação dos custos unitários das passagens – tarifas.

Quando o Poder Político entende que esse custo, se suportado integralmente pelo consumidor- utilizador, é demasiado gravoso, decide substituir-se a ele, e inscreve no Orçamento uma verba, a outorgar à empresa operadora, que poderá, assim, praticar tarifas menos gravosas.

Se o Poder Político avalia mal a subvenção ou se procede a um redução arbitrária, do que se propunha pagar ao Operador, este, contabilisticamente fica “com uma gestão deficitária”.

O que temos, nesse caso, é uma manipulação com propósitos ideológicos, de promover o descrédito da gestão das Empresas Públicas, induzindo “perdas contabilísticas”.

Mas o grave é, sem dúvida, o apontado no post. Esse desdém pela “qualidade de vida” das populações.

04- No seu todo, o post teve o título adequado.
Tudo o anotado configura, de facto, um “CLIMA TOTALITÁRIO”.

Boa Tarde.
Bom Fim de Dia de Descanso.
Boa Semana.
Saudações Cordiais e Afáveis de Muito Apreço

ACÁCIO LIMA

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