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Defender o Quadrado

Nesta casa serve-se tudo a quente. As cadeiras são de pau e têm as costas direitas. Há sempre pão a cozer e o conforto da desarrumação. A porta está sempre aberta... mas fecha-se rapidamente aos vermes que infestam alguns cantos do quadrado. Sejam

Clima totalitário

 

O que mais impressiona é o clima de perseguição que se instalou na sociedade portuguesa. As notícias dos milhões que alguns ganham e gastam, o apelo à inveja mais mesquinha, o incentivo ao espionar os vícios, pecadilhos e inconsistências de cada um, o insulto permanente aos servidores públicos, a tentativa de criminalização de opções políticas, tudo são razões para destruir pessoas, instituições, ideias.

 

O gozo com que se fala do fato de Guterres ter assumido a responsabilidade por erros durante a sua governação, convidando anteriores governantes a expiarem em público os seus pecados, é assustador e faz lembrar as reeducações dos cidadãos nos antigos países comunistas. A voragem com que se julgam as políticas que olham para o estado como garante de serviços públicos é assustadora.

 

Ainda ontem ouvi um responsável político dizer, com uma voz de evidência absoluta, que não se pode investir em mais linhas de metro no Porto porque a empresa é deficitária. Tudo o que significou em termos de qualidade de vida da população, que tem melhor serviço de transporte, a requalificação urbana a que se assistiu, nada disso é tido em conta. Tal como a destruição do que foi a política de requalificação das escolas, verdadeiramente deprimente.

 

Todos os motivos servem para fazer crer às pessoas que não têm direito a transportes rápidos e de qualidade, a estradas seguras que permitam rápidas ligações terrestres, escolas confortáveis, seguras, agradáveis e estimulantes, centros de saúde e hospitais onde se tratem os doentes com qualidade e dignidade, reformas que permitam uma vida acima do limiar de pobreza.

 

O que mais impressiona é termos governantes que consideram óbvia a necessidade de não se responsabilizarem, enquanto representantes eleitos, pelo bem-estar dos seus concidadãos.

 

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