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Defender o Quadrado

Nesta casa serve-se tudo a quente. As cadeiras são de pau e têm as costas direitas. Há sempre pão a cozer e o conforto da desarrumação. A porta está sempre aberta... mas fecha-se rapidamente aos vermes que infestam alguns cantos do quadrado. Sejam

Lei de Lavoisier

 

 

Cá em casa, como na natureza, observa-se a lei de conservação da massa pela metade - muito se cria mas nada se perde, tudo se transforma. Até porque assim podemos penitenciar-nos das horrorosas dívidas do povo (nós), castigar-nos de tantos espectáculos a que temos assistido, tanta música, tanta poesia, em vez da pura modéstia e mediania doméstica que deve levar à redenção do país.

 

Sendo assim o jantar de hoje foi frugal e constituído por sopa de legumes, queijo fresco, marmelada e pudim de pão (também havia uns camarõezitos cozidos, mas eram pequenitos).

 

O pudim de pão foi uma ideia sugerida por uma representante da geração anterior, habituada a gerir crises perpétuas. Pega-se no pão duro, pode até estar com consistência pétrea, e parte-se (corta-se) aos bocadinhos, enchendo uma tigela que possa ir ao forno. Aquece-se leite com açúcar (usei meio litro de leite e oito colheres de sopa de açúcar) e despeja-se para cima dos bocadinhos de pão (espreme-se bem o pão, de forma a que fique bem ensopado). Mistura-se o outro meio litro de leite com quatro ovos inteiros (pode-se juntar mais açúcar, consoante a gulodice dos comensais) e junta-se às sopas de pão. Cortam-se duas maçãs em fatias fininhas e mistura-se tudo muito bem. Polvilha-se de canela e leva-se ao forno médio por vinte e cinco minutos a meia hora.

 

Fica muito bom.

 

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