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Defender o Quadrado

Nesta casa serve-se tudo a quente. As cadeiras são de pau e têm as costas direitas. Há sempre pão a cozer e o conforto da desarrumação. A porta está sempre aberta... mas fecha-se rapidamente aos vermes que infestam alguns cantos do quadrado. Sejam

Acordemos

 

A manifestação de 15 de Setembro ensinou-me muitas coisas que, ou nunca tinha percebido, ou já tinha esquecido.

 

Ensinou-me que as pessoas são menos manipuláveis do que eu sempre penso. Independentemente das motivações políticas que estavam nos bastidores da convocação da manifestação, bem expressos no slogan Que se lixe a troika! Queremos as nossas vidas!, a amálgama de gente que foi para a rua, também com uma enorme mistura de razões, fê-lo sem se deixar conduzir para a violência ou para o pseudo terrorismo urbano, com um civismo que não é novo, mas sempre espantoso e comovente.

 

Confirmou-me que o espaço para o nosso regime partidário é cada vez mais estreito, pois os líderes dos partidos políticos estão, se calhar tal como eu, ultrapassados e sem saberem como conduzir todo este manancial de indignação, frustração, raiva e desesperança, não se mostrando capazes de responderem com a vitalidade que é necessária à crise, que não é só de agora, da própria democracia.

 

Ensinou-me que, apesar da minha descrença, as manifestações de massas ainda podem mudar o curso dos acontecimentos. Na verdade estou mesmo convencida de que, tanto o esticar da corda do CDS como a convocatória do Conselho de Estado pelo actual Presidente, só aconteceram por causa do clamor e da enorme demonstração de repúdio aos últimos anúncios de austeridade. Até internacionalmente isso parece ter sido compreendido e os sinais de alerta multiplicam-se.

 

A suposta vigília em frente ao Palácio de Belém, de imediato marcada para hoje, não é mais do que a continuação das convocatórias que pretendem manobrar e intimidar as instituições. No entanto, ao ouvir esta manhã, na TSF, que uma cantora lírica irá entoar, em conjunto com centenas de pessoas, a canção heróica Acordai! de Fernando Lopes Graça e José Gomes Ferreira, enchi-me de orgulho.

 

Não há melhor vigília que este alerta aos homens que dormem, em Portugal e na Europa. Enquanto é tempo, cantemos mesmo em uníssono – Acordai! Cavaco Silva, Passos Coelho, Paulo Portas e Vítor Gaspar. Acordai! António José Seguro, Francisco Louçã, Jerónimo de Sousa. Acordai! Economistas e comentadores, que o tempo é já. É agora.

 

Nota: Continuo a pensar que os governos não se demitem na rua mas com os votos em eleições livres. Continuo a pensar que o radicalismo dos partidos (que se dizem) de esquerda, como o BE e o PCP, tem raíz antidemocrática. Continuo a não querer pactuar com frentismos ideológicos e antitroikistas, numa unanimidade que desafia o próprio conceito da possibilidade de alternativas. 

 

 Fernando Lopes Graça & José Gomes Ferreira

 

Acordai

acordai

homens que dormis

a embalar a dor

dos silêncios vis

vinde no clamor

das almas viris

arrancar a flor

que dorme na raíz

 

Acordai

acordai

raios e tufões

que dormis no ar

e nas multidões

vinde incendiar

de astros e canções

as pedras do mar

o mundo e os corações

 

Acordai

acendei

de almas e de sóis

este mar sem cais

nem luz de faróis

e acordai depois

das lutas finais

os nossos heróis

que dormem nos covais

Acordai!

 

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