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Defender o Quadrado

Nesta casa serve-se tudo a quente. As cadeiras são de pau e têm as costas direitas. Há sempre pão a cozer e o conforto da desarrumação. A porta está sempre aberta... mas fecha-se rapidamente aos vermes que infestam alguns cantos do quadrado. Sejam

Pão-de-ló com re-cheio-o e co-ber-tu-ra de cho-co-la-te

 

 

Este é um bolo adequado à nova geração dos nossos governantes. Soletram-se os ingredientes, demora-se no mexer da colher de pau, deleita-se o paladar no vagaroso saborear.

 

Imaginemos o nosso ministro olheirento com um avental e uma colher de pau, rodeado de uma organizadíssima mesa de cozinha, a tarde por conta dele (provavelmente a mulher aproveitou para arejar, de forma a não assistir à dolente epopeia culinária). Rigoroso, lê os ingredientes e coloca-os a todos à sua volta, perfilados e obedientes:

 

Para o recheio:

Uma tablete de chocolate para culinária com, pelo menos, 50% de cacau

Dois decilitros de leite gordo

Seis colheres de sopa de açúcar

Duas gemas de ovo

Um pouco de canela em pó

Duas colheres de chá de licor (qualquer um, se caseiro melhor)

 

Para a massa:

Seis ovos

Trezentas gramas de açúcar

Cento e cinquenta gramas de farinha

 

Para a forma:

Margarina e farinha para barrar

 

Começa por ligar o forno, aproveitando para derreter a margarina dentro da forma – grande com buraco a meio, ou sem buraco. Com um pincel barra bem o interior da forma e depois peneira-a de farinha.

 

A seguir parte os seis ovos para dentro de uma tigela, mistura o açúcar e bate tudo por muito tempo, até a massa duplicar e ficar quase branca. A seguir junta a farinha, bate mais um pouco. Leva a massa ao forno, em lume médio, por 30 a 40 minutos (tem de certeza palitos de vários tamanhos para espetar no bolo, apreciando a cozedura).

 

Enquanto coze o bolo parte a tablete aos bocadinhos para dentro de uma panela pequena, junta o açúcar e o leite quase todo e um bocadinho de canela, deixa ao lume brando até derreter o chocolate, mexendo. Bate as gemas com uma colher de pau e mistura o resto do leite, deitando depois no chocolate derretido para engrossar, mexendo sempre. Quando está quase ferver, junta o licor e desliga o lume.

 

Logo que o bolo se apresentar cozido deixa-o arrefecer um pouco, desenforma e parte-o ao meio, para poder rechear com a papa de chocolate. Junta as duas metades e cobre-o com a papa sobrante. Nesta altura já a excelentíssima esposa deve ter regressado, preparadíssima para deglutir o bolo que amorosamente o queridíssimo fez.

 

Quem sabe as qualidades escondidas que terá o nosso ministro olheirento?

 

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