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Defender o Quadrado

Nesta casa serve-se tudo a quente. As cadeiras são de pau e têm as costas direitas. Há sempre pão a cozer e o conforto da desarrumação. A porta está sempre aberta... mas fecha-se rapidamente aos vermes que infestam alguns cantos do quadrado. Sejam

Talvez amanhã

 

Não tenho tido vontade de escrever. Tudo já foi dito, repetido, estando as palavras gastas de tanto usadas. Não há paciência para queixumes nem para optimismos estéreis, irrazoáveis e insultuosos para quem vê o dia a dia cada vez mais acabrunhante.

 

Não tenho a arte de me evadir do quotidiano. Apetecia-me fechar as portas e desaparecer. Não me apetecem combates nem defesas de princípios. Os princípios apenas contribuem para que nos sintamos ainda mais fora de tom. Estamos em ciclo de penúria intelectual e moral, para além da financeira. Os fundamentalismos dos novos moralistas, a importância dos costumes, a omnipresença da devassa das vidas privadas, a mistura entre o poder e a mediocridade, esmagam o individualismo e tomam conta das opiniões.

 

Não se trata da ausência de liberdade mas da incapacidade de viver e sentir essa liberdade. O medo vai empurrando o que sobra da dignidade. É preciso um esforço inaudito para arrastar as fibras que se revoltam contra a prepotência da estupidez e da falta de vergonha.

 

Não tenho vontade de escrever porque digo o mesmo que todos os outros e a falta de originalidade é patética. Patética e vazia.

 

Talvez amanhã.

 

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