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Esquerda e esquerdas

por Sofia Loureiro dos Santos, em 19.05.12

 

 

(...) Lendo e relendo o Manifesto, olhando para o elenco pensante, rigorosamente ninguém saberá responder a estas perguntas. Estamos tão-só perante um conjunto de lugares-comuns do que seja a esquerda enquanto largo território ideológico, generalidades que não resistem a uma primeira discussão sobre qualquer acto governativo concreto sem que tal cause fatal dissensão no maralhal. (...)

 

Também li e reli o Manifesto. É um texto em que se agrupam as palavras esquerda, livre, democracia, justo, direito, desenvolvimento, humano, e outras tão interessantes como estas, num todo vazio de conteúdo, de ideias, de qualquer política concreta, de qualquer prática explícita que possa materializar uma que seja dessas palavras.

 

Escrever esquerda, gritar esquerda, pintar esquerda, não transforma nada em mais desenvolvimento, nem em mais igualdade, nem em mais trabalho, nem em mais direitos ou mais justiça social. Não é por dizer muitas vezes determinadas palavras que a realidade muda. Do que a esquerda precisa é de medidas, aquilo que, por muito pouco politicamente correcto que seja apontá-lo, foi o que o governo de Sócrates (o primeiro) fez: na educação e na aposta nas energias renováveis, por exemplo. E no entanto, os mesmos que tudo fizeram para denegrir e boicotar essas medidas e que contribuíram objectivamente para que a direita tomasse o poder, manifestam-se agora contra sectarismos e apelam aos homens e mulheres livres que lutem pela esquerda.

 

Onde estão as propostas da esquerda? Onde estão as soluções da esquerda - como seria a austeridade? Despedíamos a troika? Como seriam os incentivos à criação de emprego? E os horários de trabalho? E os subsídios, voltavam? E os impostos, desciam? E a idade da reforma? E o tratado orçamental? Como seria a tal agenda para o desenvolvimento? O que fariam de diferente e como?

 

Também li e reli o Manifesto, com um cansaço e um desencanto cada vez mais pesados. Mas o problema deve ser meu. Provavelmente terei de concluir que a esquerda que se manifesta não é a minha. Ou que eu não sou de esquerda.

 

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publicado às 22:41


1 comentário

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De ACÁCIO LIMA a 20.05.2012 às 08:27

01- Há ocasiões em que é díficil não se ser rude.

É o caso deste "Manifesto", que poderemos lembrar como "O REI VAI NU".

02- O texto é uma compilação de "frases feitas", que agradam ao ouvido de quem não sabe ou não quer esforçar-se por indagar do como, do porquê e do para onde ir.

03- O enunciado paira por de cima da situação mutante e complexa que se vive, mas não ousa traçar as vertentes de uma Nova Estratégia, para ler, interpretar a Sociedade e a encetar a sua transformação.

04- Nada é dito sobre as Políticas Sociais, num novo paradigma, nada é dito sobre as Políticas Ativas de Emprego, nada é dito sobre as Políticas de Saúde, nada é dito sobre as Políticas de Qualificação, nada é dito sobre as Políticas Energéticas, nada é dito sobre a Construção Europeia, nada é dito sobre as Políticas de Aliança. Tudo temas de diferenciação Esquerda-Direita.

05- Este pairar por de cima das coisas foge ao esclarecimento e dissecação do real, dos processos mutantes, na Sociedade.

Não promove o Dìálogo, é Autista, ou quiça Fragmentador.

Perdem por "Falta de Comparência".

Faço minhas as palavras e citação, da Autora do Post.

Bom Dia.
Bom Dia de Descanso.
Boa Semana.

Cordiais e Afáveis Saudações de Muito Apreço de

ACÁCIO LIMA

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