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Defender o Quadrado

Nesta casa serve-se tudo a quente. As cadeiras são de pau e têm as costas direitas. Há sempre pão a cozer e o conforto da desarrumação. A porta está sempre aberta... mas fecha-se rapidamente aos vermes que infestam alguns cantos do quadrado. Sejam

Europa em debate

 

 

Alguma coisa está a mexer na Europa. E isso são, por si só, boas notícias.

 

No espaço de uma semana tivemos conhecimento de um manifesto escrito por Eduardo Paz Ferreira (entre outros): Um Tratado que não serve a União Europeia, outro subscrito por membros dos partidos socialistas, trabalhistas e sociais-democratas de vários países da EU: For a European Socialist Alternative, e hoje de uma carta de David Cameron, Primeiro-ministro do Reino Unido, endereçada ao Presidente do Conselho Europeu, Herman van Rompuy e ao Presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso.

 

O primeiro manifesto, a propósito do projeto de tratado internacional (Tratado sobre a Estabilidade, a Coordenação e a Governação na União Económica e Monetária), e o segundo, com uma alternativa à austeridade imposta pela direita Europeia, ambos apelam a uma revalorização do que serviu de base à constituição da União Europeia, nomeadamente a manutenção da paz, de um estado social que dignifique e defenda os direitos humanos, uma Europa de progresso e prosperidade, igualdade de oportunidades, crescimento e bem-estar. Chamam a atenção para a perigosa rota descendente de todos estes valores, que soçobraram pela desregulação financeira, pelo recurso não regulado nem controlado aos mercados emergentes, pelo pactuar com países não democráticos, pelo aumento das desigualdades e da pobreza, pelo não investimento em energia limpas e no controlo das alterações climáticas. Urgem à tomada de consciência de que a solução só poderá ser europeia, sugerindo um aprofundamento da integração política europeia, e que deverão ser acionados mecanismos de compensação entre países com mais e menos recursos, com sustentabilidade económica diferente.

 

A carta de David Cameron tem uma visão totalmente diferente, em que sugere que a EU deve implementar medidas de liberalização do setor dos serviços, apelando ainda para uma maior abertura e implementação de relações comerciais a nível global, estendendo os mercados e a globalização a parceiros, tal como o Mercosul e o Japão.

 

O que nenhum dos textos aborda é a urgente e absoluta necessidade de refazer, reconstruir, remodelar, reformar, a forma de legitimação das instituições europeias, de forma que os cidadãos se revejam e reconheçam nessas instituições, dando-lhes uma capacidade política que não têm. Neste momento quem se assume como decisor em tudo o que diz respeito à EU é a Alemanha. Enquanto não houver respeito pelas decisões democráticas internas e não se implementar uma vivência democrática no seio da EU esta continuará a desagregar-se e os povos europeus tenderão a considerar a EU como um organismo estranho, exterior às suas necessidades e aspirações.

 

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