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Defender o Quadrado

Nesta casa serve-se tudo a quente. As cadeiras são de pau e têm as costas direitas. Há sempre pão a cozer e o conforto da desarrumação. A porta está sempre aberta... mas fecha-se rapidamente aos vermes que infestam alguns cantos do quadrado. Sejam

Desemprego - nova abordagem, precisa-se

 

Não é sério culpar este governo pelo aumento do desemprego. Já seria sério dizer que esta política não vai resolver o problema do desemprego, como a política do governo anterior também não conseguiu.

 

A verdade é que, para além das recessões, das crises e dos défices, tal como aconteceu aquando da revolução industrial no século XIX, também a enorme evolução tecnológica, com o desenvolvimento da internet, da banda larga, de sofisticadíssimos equipamentos e ferramentas informáticas, capazes de fazer rapidamente e sem intervenção humana coisas que requeriam muito mais recursos e muito mais tempo, o tipo de trabalho e o número de pessoas envolvidas mudou radicalmente. Além disso, com a redução da natalidade e o aumento da esperança de vida nos países desenvolvidos, há uma cada vez maior incapacidade de criar emprego para quem chega de novo ao mercado de trabalho, com o fator adicional de serem homens e mulheres a disputá-lo, e não apenas homens.

 

Por isso as ideias para mitigar as consequências destas alterações têm que ser totalmente diferentes das que todos os dias ouvimos falar – diminuição do custo do trabalho, para que se possa competir com estruturas sociais que não tenham atingido o nível de desenvolvimento da ocidental. Aquilo a que temos assistido é a uma crescente penúria e a uma filosofia de neo-esclavagismo, assumindo a classe empregadora, seja ela privada ou o estado, tiques de autoritarismo e direito de posse sobre os cidadãos que têm a sorte de ter emprego.

 

É claro que a especialização e a qualificação poderão gerar oportunidades de trabalho, precisamente para criar e aprofundar as tecnologias que vão surgindo e que nos vão sendo cada vez mais imprescindíveis, em todas as áreas do conhecimento e de atuação. Mas também a ocupação em atividades de apoio social e de lazer, precisamente para os mais idosos e para os tempos livres, caso que se pondera na ideia de que aqui falei há algum tempo – a acentuada redução de todo o horário de trabalho, mesmo que isso signifique uma redução da remuneração líquida mensal. O aumento de tempo livre levaria a equacionar outra forma de estar na sociedade, outra organização familiar e outras necessidades de preenchimento no campo do lazer, da arte e da cultura.

 

Onde estão os pensadores, os políticos, na verdadeira aceção da palavra? Do que as sociedades democráticas precisam é de soluções, mas de soluções de fundo, em que as conquistas de bem-estar não sejam postas em causa, até porque são a fundação de uma sociedade humanista que zela pelos direitos dos cidadãos. A reação europeia à crise, com uma ideologia desadaptada da realidade tecnológica, científica e social, apenas aumentará o desencanto e a crise, com o perigo de novas estratégias totalitárias, às quais as populações aderirão, mesmo que rapidamente se arrependam.

 

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