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Desemprego - nova abordagem, precisa-se

por Sofia Loureiro dos Santos, em 17.02.12

 

Não é sério culpar este governo pelo aumento do desemprego. Já seria sério dizer que esta política não vai resolver o problema do desemprego, como a política do governo anterior também não conseguiu.

 

A verdade é que, para além das recessões, das crises e dos défices, tal como aconteceu aquando da revolução industrial no século XIX, também a enorme evolução tecnológica, com o desenvolvimento da internet, da banda larga, de sofisticadíssimos equipamentos e ferramentas informáticas, capazes de fazer rapidamente e sem intervenção humana coisas que requeriam muito mais recursos e muito mais tempo, o tipo de trabalho e o número de pessoas envolvidas mudou radicalmente. Além disso, com a redução da natalidade e o aumento da esperança de vida nos países desenvolvidos, há uma cada vez maior incapacidade de criar emprego para quem chega de novo ao mercado de trabalho, com o fator adicional de serem homens e mulheres a disputá-lo, e não apenas homens.

 

Por isso as ideias para mitigar as consequências destas alterações têm que ser totalmente diferentes das que todos os dias ouvimos falar – diminuição do custo do trabalho, para que se possa competir com estruturas sociais que não tenham atingido o nível de desenvolvimento da ocidental. Aquilo a que temos assistido é a uma crescente penúria e a uma filosofia de neo-esclavagismo, assumindo a classe empregadora, seja ela privada ou o estado, tiques de autoritarismo e direito de posse sobre os cidadãos que têm a sorte de ter emprego.

 

É claro que a especialização e a qualificação poderão gerar oportunidades de trabalho, precisamente para criar e aprofundar as tecnologias que vão surgindo e que nos vão sendo cada vez mais imprescindíveis, em todas as áreas do conhecimento e de atuação. Mas também a ocupação em atividades de apoio social e de lazer, precisamente para os mais idosos e para os tempos livres, caso que se pondera na ideia de que aqui falei há algum tempo – a acentuada redução de todo o horário de trabalho, mesmo que isso signifique uma redução da remuneração líquida mensal. O aumento de tempo livre levaria a equacionar outra forma de estar na sociedade, outra organização familiar e outras necessidades de preenchimento no campo do lazer, da arte e da cultura.

 

Onde estão os pensadores, os políticos, na verdadeira aceção da palavra? Do que as sociedades democráticas precisam é de soluções, mas de soluções de fundo, em que as conquistas de bem-estar não sejam postas em causa, até porque são a fundação de uma sociedade humanista que zela pelos direitos dos cidadãos. A reação europeia à crise, com uma ideologia desadaptada da realidade tecnológica, científica e social, apenas aumentará o desencanto e a crise, com o perigo de novas estratégias totalitárias, às quais as populações aderirão, mesmo que rapidamente se arrependam.

 

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publicado às 21:11


6 comentários

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De Anónimo a 18.02.2012 às 10:15

Numa família DECENTE quando há pouco divide-se o que há. A minha proposta seria a redução do horário de trabalho para seis horas diárias para funções simples ou particularmente entediantes ou duras. Sem redução de salários. O que se perdia em margem de lucro ganhava-se em maior número de consumidores com mais tempo para consumir. E digo mesmo mais : em vez de 5 dias de trabalho para 2 de descanso deveria ser 4 de trabalho para 2 de descanso. Mas para mim, o ideal seriam 3 de trabalho para 2 de descanso. Volto a repetir - para profissões particularmente duras, entediantes ou simples.
Acho uma violação dos direitos humanos obrigar alguém a trabalhar 8 horas dia, 5 dias por semana, por exemplo, numa repartição de finanças e similares. Já reparou no semblante "profundamente infeliz", (é a minha sensação e o que acho que sentiria naquelas funções - eu que odeio papelada), que os ditos funcionários ostentam?
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De O mesmo anónimo a 18.02.2012 às 10:32

Quero salientar que um horário de 6 horas daria para, pelo menos 2 turnos diários de trabalho. Por exemplo das 8 às 14 e das 14 às 20. Aliás isto não é original pois conheci alguém que trabalhava no ministério das finanças (naquele prédio da João XXI) e tinha precisamente este horário. Foi isto, salvo erro, no final dos anos 80 ou princípio dos 90.
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De Anónimo das 10:15 a 18.02.2012 às 10:25

Há uns anos li que, salvo erro na Bélgica, foi feita uma sondagem perguntando às pessoas se preferiam trabalhar menos ou trabalhar mais e ganhar mais e a maioria respondeu que preferia trabalhar mais e ganhar mais. Só já não lembro se a 1ª opção era trabalhar menos ganhando o mesmo ou menos, o que para o caso seria importante saber. mas não lembro. Já que estou aqui aproveito para divulgar algo que desde há uns tempos divulgo sempre que posso. Ai vai:
- Há uns anos leio o seguinte : - « Após a II G.Guerra, em França, um quadro de empresa ganhava quatro vezes mais que um operário e hoje, (na ocasião), ganha quarenta vezes mais », óspois na data abaixo leio isto : « John Pierpont Morgan (1837-1913) foi um grande banqueiro americano, numa época de capitalismo selvagem. /.../ Este clássico capitalista entendia que a remuneração do executivo máximo de uma empresa não deveria exceder 20 vezes o salário mais baixo pago nessa empresa./.../Há 10 anos os administradores das 100 maiores empresas britânicas ganhavam 47 vezes mais do que o salário médio (não o mais baixo) dos seus trabalhadores. Em 2010 recebiam 120 vezes esse salário médio. Nos Estados Unidos, em 2008, os gestores máximos ganharam 318 vezes o salário médio (não o mais baixo) das suas empresas. »
Francisco Sarsfield Cabral - SOL 9 de Setembro 2011.
(fragmentos do artigo)
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De Anónimo das 10:15 a 18.02.2012 às 10:58

Quando se fala de desemprego convém ainda acrescentar algo que escrevi no meu blog e aqui faço copy&paste.
" O meu pai tem 2 hectares de terreno meio selvagem. Contratei um rapaz (25 anos) da zona para o desbravar e mais umas coisas. O salário de trabalhador rural é de 35 €/dia. Ofereci cinco/hora, portanto 40, ofereci almoço e contei a hora de almoço como hora de trabalho. Ou seja trabalhou de facto SETE horas. Ainda por cima, como gostei do seu trabalho paguei-lhe 45 € dia, ou seja, DEZ EUROS MAIS QUE A TABELA e se contar-mos com a hora de almoço contabilizada como hora de trabalho dá 15 mais do que teria ganho normalmente. E fiz isto porque acho aquele trabalho um pouco penoso e fiquei tão agradecido por ele o ter feito, e bem, que não tive "lata" de não fazer assim. Num dia de manhã em que não pude ir telefonei-lhe a avisar e a perguntar se podia ir trabalhar só à tarde. Que sim, respondeu. Então combinei ir ter a casa dele entre as 12:30 e as 13. Que sim, que iria à Vila nessa hora mas por pouco tempo. De facto cruzei-me com ele no caminho e até acenámos um para o outro. Sabendo que iria à Vila fui até à quinta de um amigo que fica perto (aliás, quem me deu o contacto deste trabalhador) para fazer tempo até ele regressar da Vila. Às 13 estava em casa dele. Como não estivesse em casa fui para o terreno e esperei que aparecesse pelos próprios meios. Afinal a casa dele dista uns 5/6 km do terreno,tem carro e bicicleta. Não só não apareceu como não telefonou a avisar. Até hoje. Por sinal tenho pena pois o tipo não só é bom trabalhador como também não é má companhia mas para mim está fora do baralho, claro! Parece que o que dá é tratá-los com distância e pagar o menos possível quer o trabalho seja bom ou mau. Lá terei que chamar o chato do moldavo outra vez!"
Nota: - O copy&paste foi retocado para remoção dos palavrões.
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De Anónimo das 10:15 a 18.02.2012 às 11:11

Pedindo desculpa pela avalanche de comentários ainda gostaria de fazer mais um copy&paste de outro post no meu blog.
" Desde 2006 que publico este anúncio. Tenho publicado anúncio deste teor desde 2006. Até há pouco referia - «I offer shelter and food and 33% on profits», mas retirei esta última parte pois pensei que pareceria bom demais e talvez fosse por isso que ninguém parece interessado. Óspois vejo na TV reportagens de emigrantes vivendo debaixo de pontes na mais infame miséria. Já enviei esta proposta para organizações de apoio a emigrantes - os Jesuítas e o ACIMI - nem resonderam. Seria arriscar muito trabalhar por alojamento, alimentação e 33% de possíveis lucros? Nah! Querem um salário no comércio que não dependa das vendas? Ide apanhar morangos! Também deve ser empreendedorismo."

Acrescento que neste me referia a anúncio publicado num site de anúncios estrangeiro depois de o fazer sem sucesso no OLX desde 2007. Faço notar que neste também oferecia - alojamento, alimentação e 33% sobre os lucros de uma loja de 2ª mão que criei por ter um espaço de 156m2 e uma herança de tio coleccionador de tudo e mais alguma coisa pelo que tinham a loja pronta a funcionar. Só teriam de fazer publicidade. Vai fazer CINCO anos. daí a enxurrada de palavrões no meu blog e a razão porque não dou o endereço.
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De Anónimo mais são que o anterior a 18.02.2012 às 22:56

Acaba de se ler o post, constata-se que já há cinco comentários na respectiva, cria-se a expectativa de se ir encontrar um debate interessante sobre um tema que, pela sua profundidade, não se vê debatido com frequência nestes meios e descobre-se que é um longo monólogo de um anónimo, escrito em cinco prestações - às 10H15, 10H25, 10H32 , 10H58 e 11H11...

Já é preciso ter azar - o da autora e o nosso, dos leitores...

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