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Defender o Quadrado

Nesta casa serve-se tudo a quente. As cadeiras são de pau e têm as costas direitas. Há sempre pão a cozer e o conforto da desarrumação. A porta está sempre aberta... mas fecha-se rapidamente aos vermes que infestam alguns cantos do quadrado. Sejam

A todo o custo

 

 

A Grécia continua o seu calvário para a exclusão do euro, que fará implodir o que resta do mito da Europa. Ontem assistimos a uma selvajaria destruidora em Atenas, aplaudida pelos saudosistas das lutas de massas. É outra versão do a todo o custo. Violência, incêndios a prédios, confrontos com a polícia, cerco ao parlamento, nada disto me parece justificável, mesmo que a raiva seja compreensível. Não é assim que espero ver a dignidade portuguesa defendida.

 

Faltam as alternativas, gente com ideias diferentes, que coloque à opinião pública escolhas autênticas, por muito duras que sejam de encarar. Por isso a ideia do referendo grego era boa, importante e democrática. Tal como democrática é a decisão do Parlamento grego em aceitar o acordo para o resgate. O problema é que a liberdade do Parlamento grego está condicionada por imposições de um colectivo que é um conjunto único, não pelo bem da Europa mas pelo bem da Alemanha. É não haver quem, na Grécia ou em Portugal, desenhe um outro futuro – fora deste simulacro de União Europeia, sem dinheiro, com desemprego, com enormes dificuldades, e tente recomeçar o que se destruiu.

 

Mas a esquerda está mais preocupada em mostrar-se de esquerda, com manobras de má publicidade, abraçando tudo o que é alarmismo e desgraça. Pois ela aqui está, a desgraça, desgraçadamente globalizada neste canto que desejávamos especial e imune.

 

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