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Igualdade

por Sofia Loureiro dos Santos, em 26.11.11

 

 

Há umas horas fui abordada por um vendedor da revista Cais. Lourinho, bonitinho, oriundo de algum dos países da Europa de Leste, pediu-me um pacote de fraldas para a sua criança de ano e 3 meses. Satisfiz-lhe o pedido.

 

Mas será que se fosse mulato, negro ou cigano, se fosse gordo e sem dentes, a minha disponibilidade era tão imediata? Gostaria de pensar que sim, estou tentada a ter a certeza de que responderia prontamente da mesma forma, mas não o afirmo assim, sem pestanejar.

 

O racismo e a xenofobia são-nos mais intrínsecos do que gostaria de admitir. Na verdade somos conduzidos por estereótipos e por imagens feitas, por muito que reciclemos aquilo a que chamamos valores de igualdade, fraternidade, solidariedade. E eu, que sei que todos somos exactamente iguais, filhos do mesmo número de cromossomas, com engenharias celulares semelhantes, que respiramos a mesma mistura de gases, que necessitamos dos mesmos alimentos, será que me despojei dos condicionalismos que, mesmo inconscientemente, subsistem arreigados no mais fundo de nós mesmos?

 

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publicado às 14:31


6 comentários

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De Paula Pacheco a 26.11.2011 às 15:09

Se o farias por qualquer outra pessoa menos "bonitinha", não tenho a mais pequena dúvida e nem percebo como o podes pôr em causa.
Se a maioria das pessoas agiria do mesmo modo...já é outra conversa.
Olha, respondi sem pestanejar.
Abraço
Paula
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De Porfírio Silva a 26.11.2011 às 16:54

Acho de grande coragem, e autenticidade, admitir que nem sempre somos "naturalmente" aquilo que queremos ser.
Isso justifica que queiramos continuar a crescer.
Só quem tenta consegue, Sofia.
Abraço
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De Luis Moreira a 26.11.2011 às 19:56

Comente quem quiser mas o que o poste diz é praticamente universal. Acontece-me o mesmo e, os pais das crianças sabem isso como ninguém. Há um exemplo aqui na Guerra Junqueiro que é chocante, porque há anos que ando a vê-lo. está a mudar porque as duas irmãs estão a ficar crescidinhas e não dá mais para mostrar simpatia e abracinhas como quando eram pequeninas...
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De pink a 27.11.2011 às 09:33

Fico chocada!
Se é médica como penso que é, é preciso fazer um alerta geral, uma vez que põe em dúvida a sua imparcialidade e coloca em risco vidas coloridas..

É branquinha,de olhos azuis e os seus pêlos são apenas uma ligeira penugem? Se assim não for, fica na lista negra,já agora...
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De paulo santiago a 27.11.2011 às 17:56

Não fiquei chocado,até acho o pensamento corajoso,mas
eu, branco,não loiro,sem olhos azuis,escolho os negros...
vivi vinte e dois meses,intensos,no meio deles...devo-lhes
bastante...talvez a vida
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De George Sand a 30.11.2011 às 21:53

Há muitos estudos publicitários que revelam que de facto as pessoas reagem espontaneamente de forma diversa face aos ditos "bonitinhos". Como reagem face a crianças pequenas e a outro tipo de estímulos.
Isso é espontamneamente. Depois há a parte racional a funcionar. E essa, creio que funciona bem, com a maioria das pessoas.

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