Saltar para: Post [1], Comentar [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Defender o Quadrado

Nesta casa serve-se tudo a quente. As cadeiras são de pau e têm as costas direitas. Há sempre pão a cozer e o conforto da desarrumação. A porta está sempre aberta... mas fecha-se rapidamente aos vermes que infestam alguns cantos do quadrado. Sejam

Espartilho

 

Nos tempos que correm é difícil discutir outros assuntos que não se prendam com o receio do futuro, a capacidade de lutar pela sobrevivência. O dia a dia das pessoas é cada vez mais difícil, o emprego é cada vez mais escasso, os impostos são cada vez mais altos, os rendimentos são cada vez mais reduzidos. A vida afunila-se com a praça, os sapatos, a carne, os transportes, a chuva, o acordar a fazer contas, o deitar a fazer contas, olhos abertos fixados lá na frente sem se ver nada para lá do dinheiro, ou da falta dele, e da certeza de que se piora todos os dias.

 

Como se pode pensar noutras coisas, ler livros, assistir a colóquios, conversar sobre pintura, cinema, viagens, personagens históricas, personagens de romance, distanciamentos, religião, escritores, músicos, concertos, passeios? Como se poderá alterar as prioridades da existência? Estas preocupações, quase obscuras, quase obscenas para quem tem obrigatoriamente as comezinhas mas indispensáveis tarefas de angariar fundos para se manter, para levar uma vida com um mínimo de segurança, estas preocupações fazem parte da essência da liberdade.

 

Que liberdade numa sociedade que se espartilha entre o somatório dos débitos e dos défices e das crises? Onde está o indivíduo e o seu espaço de procurar, comparar, conhecer, escolher? A mentalidade da servidão alimenta todas as ditaduras. Mas como se pode sacudir o sentimento de impotência, a dependência das migalhas diárias com que temos de nos contentar?

Comentar:

CorretorEmoji

Se preenchido, o e-mail é usado apenas para notificação de respostas.

Este blog optou por gravar os IPs de quem comenta os seus posts.