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O valioso tempo dos maduros

por Sofia Loureiro dos Santos, em 10.08.11

 

 

Contei meus anos
e descobri que terei menos tempo para viver daqui para a frente
do que já vivi até agora.

 

Tenho muito mais passado do que futuro.
Sinto-me como aquele menino que recebeu uma bacia de cerejas.
As primeiras, ele chupou displicente, mas
percebendo que faltam poucas, rói o caroço.

 

Já não tenho tempo para lidar com mediocridades.
Não quero estar em reuniões onde desfilam egos inflamados.
Inquieto-me com invejosos tentando destruir quem eles admiram,
cobiçando seus lugares, talentos e sorte.
Já não tenho tempo para conversas intermináveis,
para discutir assuntos inúteis sobre vidas alheias
que nem fazem parte da minha.

 

Já não tenho tempo para administrar melindres de pessoas,
que apesar da idade cronológica, são imaturos.
Detesto fazer acareação de desafectos que brigaram pelo
majestoso cargo de secretário-geral do coral.
"As pessoas não debatem conteúdos, apenas os rótulos."
Meu tempo tornou-se escasso para debater rótulos, quero a essência,
minha alma tem pressa…

 

Sem muitas cerejas na bacia, quero viver ao lado de gente humana,
muito humana; que sabe rir de seus tropeços,
não se encanta com triunfos,
não se considera eleita antes da hora,
não foge de sua mortalidade.

 

Caminhar perto de coisas e pessoas de verdade,
o essencial faz a vida valer a pena.
E para mim, basta o essencial!

 

 

A autoria deste poema, como descobri após pequena pesquisa na internet, está sujeita a debate e polémica. Foi-me enviado por alguém que pensava ser de Mário Andrade, escritor brasileiro (1893 - 1945). No entanto encontrei um blogue em que se afirma que o autor é Mário Pinto de Andrade, escritor e político angolano (1928 - 1990). Nesse mesmo blogue Ricardo Gondim, pastor e líder da Igreja Betesda, reclama a autoria do texto, intitulado Tempo que foge, eventualmente plagiado através da internet.

 

Não sei quem tem razão. O poema é belíssimo.

 

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publicado às 23:41


2 comentários

Sem imagem de perfil

De lino a 12.08.2011 às 20:11

Tinha-o no meu computador como sendo do poeta brasileiro, mas nunca o afixei por causa da dúvida. Parece que é mesmo do poeta angolano, mas o Eduardo Pitta sabe com certeza.
Beijinho
Sem imagem de perfil

De belrech@hotmail.com a 17.10.2012 às 00:17

Olá...vim através de uma pesquisa sobre o autor deste texto...pois postei no meu blog como sendo de autoria de Mario de Andrade...Dúvida cruel...mas pelo que tudo indica temos o verdadeiro autor...Vou partilhar no meu blog com seus devidos créditos...
Paz e bem

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