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Defender o Quadrado

Nesta casa serve-se tudo a quente. As cadeiras são de pau e têm as costas direitas. Há sempre pão a cozer e o conforto da desarrumação. A porta está sempre aberta... mas fecha-se rapidamente aos vermes que infestam alguns cantos do quadrado. Sejam

Iliteracia informática

 

A obrigatoriedade da prescrição electrónica de receituário e de meios complementares de diagnóstico, assim como do processo clínico electrónico, já deveria há muito ter sido implementada. Infelizmente os equipamentos informáticos e a acessibilidade a computadores nos estabelecimentos pertencentes ao SNS nem sempre são os adequados, atrasando o arranque desta medida essencial para a segurança dos doentes e do pessoal de saúde, uma maior rapidez de informação fidedigna e uma enorme poupança de recursos.

 

Por isso aplaudo o facto do Ministro Paulo Macedo não aceitar uma nova prorrogação do prazo para que as receitas electrónicas sejam, finalmente, uma realidade. As Instituições de Saúde e os Médicos estavam avisadas, desde há vários meses, do limite do prazo, pelo que não me parece sério continuar a alegar falta de preparação e de conhecimento de softwares disponíveis. Penso que seria muito importante que a Ordem dos Médicos facilitasse a aquisição/utilização de aplicações informáticas, eventualmente com formação para que, o mais rapidamente possível e com menores custos, todos os médicos pudessem aceder à prescrição electrónica.

 

Por isso não deixo de me surpreender com a notícia do Público, de 26/07, de que centenas de médicos alegam não ter capacidade para se adaptarem a sistemas informáticos. Acredito que haja casos excepcionais que justifiquem tal incapacidade, mas serão muito raros e muito específicos. Não concebo como é que, em pleno século XXI, um médico pode fazer consultas bibliográficas, estar a par das últimas novidades editoriais, corresponder-se com colegas, inscrever-se em congressos, trabalhar em consultórios, hospitais ou centros de saúde que estão, melhor ou pior, todos informatizados, ou mesmo entregar declarações de IRS, sem ter capacidade para se adaptar a sistemas informáticos.

 

Mantenho também o aplauso a Paulo Macedo pelo facto de não ter aproveitado o facto de se terem que destruir vacinas compradas para a pandemia de Gripe A, em 2009, levando a um desperdício no valor de 9,7 milhões de euros, para atacar a Ministra Ana Jorge. Por muito que se critique a sua actuação, e eu sou uma das que critico, neste caso particular a Ministra e o governo fizeram o que deviam, seguindo as orientações da OMS. Se o não tivessem feito e a gravidade da pandemia fosse outra, essa sim seria razão para acusações.

 

Já não percebo muito bem o que significa a reestruturação das urgências de que fala o Ministro da Saúde. Não percebo como se avaliam as ofertas dos serviços de urgência públicos e privados, para se decidirem encerramentos – quais encerram? Os públicos ou os privados? Se forem os públicos, serão os privados a assegurarem as urgências? Quem paga? O Estado ou os cidadãos?

 

Temo que a interpretação das suas palavras – ser Ministro do Sistema de Saúde – tenha um alcance mais privatizador do que prestador.

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CorretorMais

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