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Defender o Quadrado

Nesta casa serve-se tudo a quente. As cadeiras são de pau e têm as costas direitas. Há sempre pão a cozer e o conforto da desarrumação. A porta está sempre aberta... mas fecha-se rapidamente aos vermes que infestam alguns cantos do quadrado. Sejam

Martinho da Arcada

 

Fernando Pessoa com Costa Brochado no Martinho da Arcada

 

Depois de um fim de tarde chuvosa a correr de um lado para o outro, rumámos ao Chiado, esperando pacientemente na fila de carros que enchia a A5, o viaduto Duarte Pacheco, o Rato, as imediações da Praça Camões. Estacionamentos completos, fomos andando até à Praça do Comércio. Em frente a uma loja de chapéus, carteiras e sapatos, finalmente arrumámos a viatura às 21:30.

 

O Martinho da Arcada foi lembrado e saudado como uma excelente ideia, até pela coincidência da efeméride – aniversário da morte de Fernando Pessoa. Mal entrámos no lindíssimo restaurante, com duas ou três mesas ocupadas, fomos avisadas assertivamente que a cozinha fechava às 22:00 e o restaurante às 23:00. Teimosamente ficámos, escolhemos morcela assada, salada rica, farinheira com ovos mexidos, creme de marisco e cataplana de peixes mistos.

 

Comemos a toque de caixa, apressadas por constante recordações das horas de encerramento da cozinha e do restaurante. A última de nós chegou já depois da cozinha fechada. Comeu os restos já frios das iguarias entretanto pedidas, antes da saída do cozinheiro.

 

Também apreciámos, para além das fotografias nas paredes, das cadeiras de madeira e dos tampos de mármore, das toalhas, dos guardanapos de pano e do fardamento dos empregados, o ruidoso desmontar das mesas e da arrumação de pratos e talheres. Saímos sem sobremesa nem café, para passear por Lisboa iluminada e para a gulodice de um gelado com café.

 

Lisboa à noite, fria, luminosa, com gente pela Rua do Carmo, Praça Camões, Chiado. Gelados com café e conversa solta, até tarde.

 

O Martinho da Arcada, uma referência literária e cultural da nossa capital, maltratado pela incapacidade de chamar e acarinhar clientes. As tertúlias que se iniciaram o ano passado, para salvar da falência o café, não alteraram os hábitos de quem afugenta os possíveis comensais que, em noite de Pessoa, não se podem dar ao luxo de ali estar.

 

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