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Ópera bufa

por Sofia Loureiro dos Santos, em 03.10.10

As medidas de austeridade, tantas vezes pedidas como indispensáveis, inadiáveis, estão agora a ser trucidadas como duríssimas, feitas tarde demais, curtas, ainda não suficientes, etc.

 

Aconteceu o mesmo com as reformas, as tais que nenhum governo se atreveu a protagonizar, com excepção do anterior governo PS, mas que foram vilipendiadas e boicotadas por todos os que as defendiam.

 

Interessante ainda perceber que, para muitos, quem defendeu e defende o governo socialista não pode, está proibido, sob pena de ser considerado anormal e traidor, criticar o mesmo governo ou medidas com que não concorda, ou posturas e atitudes políticas que considera inaceitáveis. Traidor por quem de forma acéfala defende o mestre, traidor para quem sempre atacou de forma acéfala o PS, o governo, Sócrates e outros ministros, porque agora é tarde.

 

Tarde? Será que fechámos a porta, o país, o mundo, a nossa cabeça? E a quem entregar a confiança? Aos nossos esquerdistas, da esquerda plural e verdadeira, que nunca contribuirão para uma solução governativa credível, partidos onde impera a irresponsabilidade, o populismo e a demagogia? Ao PSD, que se afunda no seu próprio descrédito, que nem sequer sabe o que defende, ontem as privatizações, nomeadamente a da Caixa Geral de Depósitos, a alteração da Constituição e a ameaça de deixar o país sem Orçamento de Estado de 2011, quando nele estão inscritas as medidas que pediu?

 

Continua, portanto, a ópera bufa. Enfim, agora temos a chuva e as inundações para nos entretermos. E os U2.

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publicado às 12:44


11 comentários

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De Manuel a 03.10.2010 às 13:42

Que post tão agressivo, não li nada que justificasse "que, para muitos, quem defendeu e defende o governo socialista não pode, está proibido, sob pena de ser considerado anormal e traidor, criticar o mesmo governo ou medidas com que não concorda, ou posturas e atitudes políticas que considera inaceitáveis. Traidor por quem de forma acéfala defende o mestre, traidor para quem sempre atacou de forma acéfala o PS, o governo, Sócrates e outros ministros, porque agora é tarde."
Que confusão que vai para aí, e sim é tarde veremos o que o futuro nos reserva
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De jrd a 03.10.2010 às 17:11

Leio-a sempre, apenas deixei de comentar, e, se hoje abro uma excepção, é para dizer que o terceiro paragrafo constitui um 'hábil' exercício de demarcação, mas, com todo o respeito e consideração, não colhe.
Na minha modesta opinião, a fórmula está gasta e esgotada.
Abraço
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De Sofia Loureiro dos Santos a 03.10.2010 às 17:21

JRD , é sempre bem vindo. Mas não percebi o seu comentário. Eu estou a "demarcar-me" de quê ou de quem? Porque é que acha que preciso de me "demarcar"? Qual fórmula é que está esgotada? A da austeridade, a da demarcação ou a do Passos Coelho?
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De jrd a 03.10.2010 às 18:02

Sofia,
Eu não disse que precisava de se demarcar, apenas que se estava a demarcar habilmente, o que é substancialmente diferente e não constitui pecado, sendo muitas vezes uma posição inteligente, ainda que repetida.
Quem não usou a fórmula da 'demarcação'!?...
Acredite que eu acredito que, agora, já aceita perfeitamente o que eu quis dizer, se não for assim, sou eu quem se expressa mal.
Nota: Jamais cometeria a leviandade de a 'relacionar' com o P. Coelho.
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De Sofia Loureiro dos Santos a 03.10.2010 às 18:38

JRD , não preciso de habilidade para considerar as afirmações de Sócrates, após tudo o que já teve que desmentir, em relação a mais medidas de austeridade, como uma mistificação. Se costuma ler o meu blogue sabe quais as minhas discordâncias em relação a este governo. Mas também sabe que todos os dias as forças da oposição, à esquerda e à direita, demonstram a sua incapacidade para serem uma alternativa credível.

Com a orientação ideológica existente na Europa, Sócrates ou qualquer outro governo, não têm muitas alternativas quanto às medidas a tomar para acalmar "os mercados". Esse é que é o grande problema. E medidas alternativas ninguém, muito menos o Primeiro-ministro, podem assegurar não ser necessárias. Infelizmente.
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De Manuel a 03.10.2010 às 19:27

Vou ser muito sincero, já uma boa fatia da população sabia o que aí vinha, conhecia muito bem a figura do PM e todo o seu percurso dentro da política e não só.

Pena é que a fidelidade partidária se tenha sobreposto ao dever nacional. Não há dúvida temos o que merecemos (tirando alguns de nós que diziam cuidado que este homem não é de confiar)

Não discuto o porquê da mudança de ideias é um direito que assiste a todos, mas quem o colocou no governo e o apoiou também é responsável pela actual situação do País e deve como tal assumir a sua responsabilidade enquanto cidadão eleitor.
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De Sofia Loureiro dos Santos a 03.10.2010 às 20:25

Não mudei de opinião. Votei no PS por convicção, considero que o último governo foi dos melhores que tivemos em muitos anos e, se houvesse hoje eleições, tornaria a votar no PS.

Este governo, por ele próprio (caso da falta de política de saúde, dos avanços e recuos em matérias de investimentos públicos, etc.) e pela conjuntura internacional, nomeadamente europeia, tem feito o contrário do que estávamos à espera. Não contesto as medidas, embora me pareça que não vão alterar nada, o que contesto é a tentativa do Primeiro-ministro em mostrar controlo numa situação que, em grande parte, não depende dele.

A minha responsabilidade enquanto cidadã eleitora está assumida. Não aceito é a condescendência quando concordo com Sócrates e a mesma condescendência quando discordo.
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De Manuel a 03.10.2010 às 22:28

Concordo com o seu último parágrafo, mas repare com medidas como esta, como quer que os portugueses pensem
"No dia 15 os preços dos medicamentos baixam seis por cento e são ainda reduzidas as comparticipações de medicamentos como antiácidos, antiulcerosos e antidepressivos (que passam do escalão B, 69 por cento, para o C, 37 por cento"
É isto defender o Serviço Nacional de Saúde? Não me parece
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De Manuel a 03.10.2010 às 19:35

Desde 1995 que Sócrates está no Governo, bolas andou tudo cego????E agora pagamos todos por este descalabro. É revoltante que por causa de uns paguem todos. Não há-de Portugal ser propenso a ditaduras
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De pink a 04.10.2010 às 09:35

A oposiçºao nao derrubou o governo em tempo oportuno ,porque não quis governar o país em tempo de crise e incertezas.
Começou a dinamitar o Primeiro Ministro,de forma insidiosa e imoral, atingindo a sua integridade e capacidade de intervenção.

O P.S. devia ter forçado o adversário a assumir responsabilidades. Vai pagar caro não o ter feito.

Sócrates ainda me convence de que não me enganei.
Repito-o, até que se calem as vozes que querem regressar`a inquisaçao das ideias e convicções.

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De Manuel a 04.10.2010 às 10:11

Repito-o, até que se calem as vozes que querem regressar`a inquisaçao das ideias e convicções


Quando vier o aumento de impostos pode contnuar a repetir

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