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Cada um cumpre o destino que lhe cumpre. / E deseja o destino que deseja; / Nem cumpre o que deseja, / Nem deseja o que cumpre. [Ricardo Reis]
Já percebemos que, faça o país o que fizer, seja qual for o governo que tiver, quem decide as políticas financeiras são os mercados, imbuídos de uma ideologia liberal desenfreada. A prova está no facto de a Moodys ter baixado o rating da Espanha, apesar da excelente execução orçamental, apesar dos cortes todos que fizeram e que tanto agradaram a todos os nossos mediáticos e compenetrados economistas, agora porque há perspectiva de fraco crescimento. Na Irlanda, aquele farol dos exemplos, quando cresce e quando decresce, os cortes não diminuíram o défice e há uma nova recessão económica. Como acontecerá em Portugal.
Já percebemos que este anúncio foi de imediato aproveitado para não aumentar o ordenado mínimo para 500€, um número verdadeiramente astronómico e que permite aforrar a miséria. Já percebemos que estão todos de mãos atadas, a não ser que a fome de poder do PSD seja tão grande que se arrisque a não aprovar o orçamento para 2011.
O que não se consegue perceber, pelo menos eu não percebo, é como é que José Sócrates afirma, depois de todas as previsões erradas, desde a campanha eleitoral, de todos os programas não cumpridos, de todos os investimentos que avançavam mas não avançam, da inexistência de política de saúde, dos impostos que aumentaram apesar das juras em contrário, como é que José Sócrates diz a todos os cidadãos, mais uma vez, que não haverá mais medidas de austeridade? Como é que ele tem a audácia de afirmar isso?
Pode haver motivos e justificações para tudo, mas para a total desfaçatez perante o defraude contínuo de todos quantos tentam perceber o que se esá a passar, que vêm a sua desilusão e apreensão crescerem, para isso não há perdão. José Sócrates e Teixeira dos Santos, desbaratam o capital de confiança que, apesar de tudo, se lhes foi dando.
É compreensível a crise mas não a mistificação. Nem a de Passos Coelho, nos cortes da despesa do estado não concretizáveis, nem a do Primeiro-ministro, na negação do óbvio.
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